Devaneios Interativos

A realidade dos pensamentos com boa dose de fantasia

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A letras que nos deixam inquietos

Metade

Oswaldo Montenegro

Composição: Oswaldo Montenegro

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

E o meu quadrado ?

Cada um no seu quadrado
Eu no meu triangulo
Não me enquadro

Poderia ser hexágono
Talvez um retângulo
Ainda não me enquadro

Desencaixo no circulo
Acomodo
E ainda assim
Não me enquadro

É não importa a onde estejas
Quadrado ou não
Que diferença faz ?
Não me encaixo

Por opção subverto vértices e catetos
Curvas que se alinham
E nada acontece, não me encaixo

Na espiral  em redemoinho
Sem lado,  nem canto, nem horizonte
Ainda assim, não me encaixo

Quero meu quadrado, afinal todos tem
Ali me apossar
Delinear meu reino
E num dos quatro cantos
Poder sentar , e dizer
Estou no meu quadrado

.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O parque

Eu ia no parque
Já não me lembro mais , nem onde nem quando
Não importa
Era um parque

Roda gigante, palhaços espalhados e o túnel do terror
Famílias e sorvetes de mãos dadas
Moças e sorrisos esquivados
O som da balburdia ainda me encanta
O cheiro da pipoca doce
Crianças correndo
Era um parque

Por vezes comprei ticket para andar na roda gigante e no túnel do terror
E sempre os trazia comigo para casa, faltava-me coragem de ali ir sozinho
Contentava-me com os carrinhos que se batiam
Enamorava-me das mininas que não me olhavam
E todos os meus trocados lá deixava

Era um parque, era a vida.

.

Seqüestrador de ALMAS

 

Apropriar-se da vida, ladrão de vontades

Realizador de desejos

Interessante como as pessoas ao serem contempladas com a realização de desejos, entregam a vida

Deixam que parte do seu “eu” submisso

 

Porque essa reflexão ?

Ouvi alguém falar sobre esse tema, como se agir desta forma crie um prejuízo maior que um ato físico

Pois, se o que desejamos é realizado, ficamos reféns.

E ao fim desse interlúdio, o refém fica à mercê das regras da vida novamente

E a inevitável frustração de que o fácil era possível

 

O Ponto ?

Quem age errado nesse caso, o seqüestrador ou o refém que deixou-se seduzir ?

 

Quais implicações ?

O refém tem a sensação de que algo lhe foi tirado, sentia-se proprietário da relação, o beneficiário

O seqüestrador, ao doar todas as suas possibilidades, frustra-se , não há relação, apenas cede e beneficia.

E abandona.

 

Concluindo:

Podemos assim dizer que o seqüestrador de alguma forma torna-se refém da vítima.

 

Então , rotular que o seqüestrador de apropria-se de alguém é no mínimo inversão da situação

O refém esse sim, percebe que tem o “poder” de encantar o seqüestrador, e com isso, envolve-se numa

relação não de troca, mas , de único beneficiário.

 

Concordo são relações imaturas fadadas a terminarem como começaram.

 

.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Déjà vu

 

Palavras colhidas

Vezes tolhida

 

Palavras sem lembrança

Com esperança

 

Palavras perdidas

 

Fatos acontecidos, me deixam de cabelo em pé

A previsibilidade de ser e do acontecer

Espera das ilusões repetidas

E Déjà vu  novamente ocorrer