quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

A lista



Não vou resistir às velhas promessas que normalmente não cumpro
Mas , insisti  por ser inevitável
Hoje fiquei admirado, como as necessidades alteram ao decorrer do tempo
O que motivou a listar tais pensamentos. 

A lista :


Exercitar mesmo que me canse, e ache nada criativo
Abrir os olhos, aguçar a audição e fechar a boca
Ser um imbecil não por conveniência mas por convicção
Assistir campeonatos de surf, numa tarde de segunda feira ensolarada
Decretar todas as segunda e sexta feira, como se fossem feriado nacional
Trabalhar com vontade e determinação do primeiro emprego
Aumentar o volume do som do carro , um pouco mais, mesmo que tenha que fechar as janelas
Abdicar do uso de gravata e camisa social
Ir a primeira vez em campo de futebol, assistir qualquer partida, e tentar compreender
Escolher a roupa sem a necessidade da opinião do vendedor
Fazer compras em supermercado e se divertir
Tomar uma cerveja à beira mar, e não importar-se com o amargor do liquido
Banhar-se na praia como todos, e se possível bronzear-se
Ter conversas amenas e não compromissadas com amigos
Abraçar sem ficar constrangido
Conscientizar que certas facilidades financeiras, advém do trabalho, e por isso respeitar o seu “valor”
Respeitar que nem tudo tem preço, e mesmo que tivesse, não poderás muitas vezes pagar
Jogar-se de um penhasco (usando asa delta)
Substituir com freqüência a leitura e o virtual pelo cotidiano enfadonho e real
Perceber os limites, pois, nem sempre tem linha demarcatória
Perceber que beijar não é se entregar
Perceber que doar-se não é amar
Perceber que servir não é ser gentil
Perceber que a verdade é relativa
Perceber que a mentira é cruel
Perceber que o ato de enxergar só o lado bom das pessoas o tornam um ser endeusado
Perceber que és um homem, simplesmente
e definitivamente aceitar que tens compromisso com você

E homem que és
com a vontade que tens
prometa a ti
que tal lista estará em branco no próximo fim de ano
Tem o tempo , a vontade, a necessidade de assim ser

Não precisas mudar a essência, e assim, poderás sempre repetir
Que nunca mudarás …..
Que desbravarás os próprios caminhos …

.

Sabedoria é não querer compreender

Pensar, ainda assim, é agir. Só no devaneio absoluto, onde nada de activo intervém, onde por fim até a nossa consciência de nós mesmos se atola num lodo - só aí, nesse morno e húmido não-ser, a abdicação da acção competentemente se atinge.
Não querer compreender, não analisar... Ver-se como à natureza; olhar para as suas impressões como para um campo - a sabedoria é isto.

          Fernando Pessoa, in 'Livro do Desassossego'

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Inicio do fim do ano


Final de ano chegando, o que muda?
A esperança renova?
Mesmo que anos após anos, nada façamos para que realmente aconteça
Ou nossas vontades não são suficientemente forte à resistir a rotina
Nos submetemos anos após anos, e nada muda

Não estou aqui a escrever sobre desesperança, desânimo ou depressão
Estou a gritar pela necessidade de não se submeter, não importa a quem ou a que
Somos únicos, com vida finita

Por vezes na retrospectiva de vida, reflexões, saio à caça do momento em que me perdi
Na tentativa de identificar os motivos do fraquejar e aceitar a rotina
Confesso, não consegui ainda visualizar , apesar de insanas tentativas

Não estou a procura de justificativas, mas de entendimento
Já que hoje não consigo ou não me permito à mudança
Há uma curiosidade mórbida em rever o meu perder

Acredito piamente que ao deparar com o passado, venha a perceber o desperdício de vida a que me submeti
Homem que achava que escolhia caminhos, desbravava situações
Fiel aos princípios do seu agir, não submetendo à ninguém, e assim se fez

E hoje no clima de final de ano, nada desesperanço, somente comedido
Em dar o tempo necessário à restruturação de um ser que vagou sobre mentiras socialmente aceitáveis
Se há tempo ? Não sei …
Já não me permito viver além do hoje

A pergunta que fica para o amanhã, ou o ano que vem
Serei capaz ou audacioso em recriar um Ser das cinzas de uma vida equivocada?
ou
Novamente criarei outro Ser equivocado?
E fieis amigos anônimos, não estou a me equiparar a Deus, acho que Ele tem preocupações em demasia, e não deve perder tempo com egos em conflito.

Desejo que o frenesi agradável de natal e fim de ano, permaneça durante todos os dias de nossa vida.

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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O trem



Frases prontas e acabadas
A certeza absoluta
Convicção
Por outro lado
Estereótipos determinados
Imutáveis…   optamos pelo aceitável
Em contrapartida
A janela se fecha
O trem passa
Apenas um segundo e já é tarde

Felicidade é tênue , fugaz
Alojados em nossos medos e certezas
Manifestamos incoerências no agir

Palavras aqui milimétricamente escolhidas
Que nada revelam

A sensação que fica, transforma-se em imagem
A pequena estação de trem
Tarde chuvosa, húmida
Olhar perdido no horizonte nublado
Ninguém desceu do trem
E também não partimos ……

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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Babaca ou ante - herói

O herói é inteligente, preocupa-se, odeia, ama, chora, e pode ser feliz.
O babaca é o ser age da melhor forma possível, assim ele acredita, não pratica o mal consciente,  vive a fantasia na realidade, e convicto de que agindo assim é a única forma de viver.
O babaca, sempre é teimoso, continua assim agir, mesmo percebendo que alguma coisa à sua volta mudou, mas, o ego não lhe permite enxergar.
Então, babaca sempre babaca, assim será...
Suas carências se disfarçam em atividades conturbadas, obtém resultados a um custo por vezes por demais desgastantes e nada prazerosas, age assim, porque assim deve ser...
Vida de herói é simples, aproxima-se do “ser humano”, babaca é aliem no mundo, passa nesta vida a criar redemoinhos desnecessários, Dom Quixote sem causa a lutar com moinhos de vento.

Babaca ou ante-herói, procura seu destino na desculpa de desbravar possibilidades, desajustam o certo, e contribuem para que esse mundo seja melhor, sendo exemplo de como “não agir”.

Menino adulto que luta para enquadrar-se, sofre a dor do vazio,  nega a maciez do lógico e do provável.  (f.Shook)

Em resumo

 

Desde que me conheço, e isso já faz um longo tempo

Ajo como Noel em relação à amigos. filha, família e amores

Presentes distribuídos de formas mais variadas

Todos inicialmente mantém a fé da existência do Noel

E conforme o tempo passa , apesar das benesses em ser crédulo

O homem sobressai à Noel e o encanto desvanece

 

Ser Noel não é sustentável

Hoje reconheço

Há ofensa na troca 

O material pelo amor das mais variadas formas

Não há maldade ou atitude deliberada em assim agir

Ajo por não saber outra forma de me sentir seguro

 

Estranho possa parecer, mas há amor em cada ação

Amor egoísta talvez

Aprendi assim Ser, e, hoje com relutância assim Sou

 

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

sou um menino



Alguém gritou “sou um menino”

Chorava em algum canto, qualquer, sem lembranças

Chorava lágrimas tristes

Doloridas para a sua idade

Não compreendia


Estar ali sentado, espremido pelos próprios braços
Abraçando a si mesmo
Única saída

Soluço compulsivo, lágrimas molhavam a camisa
Bem vestido, porque está ali sozinho?
Cadê todo o mundo?

Já estava cansado de lutar, com tão pouca idade
Se não me engano, nem tinhas 14 anos
Já pensavas por todos
Cuidava como se homem fosse

Em dado momento, levantou , olhou à volta, ninguém o viu
Satisfeito, arruma a camisa
Não há sorriso, um semblante sério, pronto para tentar resolver o mundo
O homem dá alguns passos , olha, e lá no canto o menino ficou
Agora sim, esquecido, por tantos anos

Anos passaram, não pode mais dizer, “sou um menino”
Aprendeu que amar o próximo, é cuidar do próximo sem se aproximar
Rejeitou amores em nome do menino que não pode estar mais lá
O carinho torna-se gentilezas, o amor  favores
A aproximação transforma-se em educação

O menino não amou, o tempo não lhe deu essa chance
Lá ficou …
E o Homem que se tornou, uma lástima aos próprios olhos
E maravilhoso a muitos olhos

Não o enxergam, ele está lá, perdido entre tantos
Sua vida transformou , nada mais é igual
Não podes mais chorar, e nem tentar mudar
Preso estás, num passado que não pode mais ser presenciado

Homem menino
Qual deles optar, vivenciar o que lhe resta, como ?
Cedo para tentar, e tarde para recomeçar
Não podes mais dizer “sou apenas um menino”
Hoje homem és
Aja da forma esperada
Aguarde o tempo passar, e não tardarás a encontrar o menino
E já homem estender-lhe a mão, e com certo carinho lhe dizer
Vamos meu amigo, vamos …..

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domingo, 13 de dezembro de 2009

Eu sinto ?

 

Viver é uma tarefa difícil , mas , deliciosa

Nunca diga assim “quem sabe um dia” , pense com mais firmeza e determinação, sonhos para tornarem realidade, precisam mais do que um "quem sabe"

Pensar com vontade, faz as coisas acontecerem , devidamente acompanhada de uma boa dose de determinação

Não existe destino, usamos como desculpa pelas nossas indecisões

Nada acontece ao acaso, sempre estamos “interferindo” , então, acaso não existe *se aconteceu, é porque agimos.  Vale tanto para coisas boas ou más

Eu sinto, logo existo

Sabedor de todas as minhas condições ainda insisto

Em não sentir, ou me fazer não sentir

Estou a decretar a cada dia a minha inexistência

Como se assim, resolvesse minhas necessidades, meus medos

Enfrentá-los com a determinação heróica de um covarde ?

O resultado é exacerbação de sentimentos confusos ou a fuga

A coerência esvai-se na proporção do sentir

Eu fujo, escondo-me em minhas rotinas criadas para tal fim

Eu fujo, para o castelo que criei , onde serei o bom Rei

Venerado por atos de bondade, cortesia , mas jamais, deixando de ser Rei

 

Meus domínios são cercados por altas muralhas, pedras que foram ali colocadas no decorrer do tempo

Protejo-me do incerto

Pequenas aberturas, permitem a visão do campo verde e florido, não mais do que isso

Pessoas a plantar, passear, namorar, e eu ali, em meu trono a observar

A vida lá fora, acontece, simplesmente acontece

 

Invejo a coragem dos destemidos que lá vivem

Eu Rei , com toda a sapiência e poder, não consigo abrir portões

Ali fico, paralisado

Eu sinto, mas não consigo

Eu sinto e o tempo me mostra, que ser Rei , não me faz melhor

Eu sinto e a dor da incompetência de não ser Rei, me faz pior

Eu sinto, que ser um bom Rei, são migalhas de vida

Eu sinto, mais nada…

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sábado, 5 de dezembro de 2009

Espectro de mim



Carro é perfeito, não decepciona
As rodas novas são uma beleza
Ultrapassagem perfeita, 160 km
Hum
Acho que posso um pouco mais, sempre posso
O tempo passa rápido, a velocidade acompanha pensamentos

A leveza em que toco no volante, a luminosidade do dia é aconchegante
O vento tem cheiro de adolescência furtiva
Lembro-me do carro roubado do vovô
Continuo a acelerar, como se isso apressasse o que eu espero
Faixas , negro do asfalto, a relação tempo espaço convergem
Já não sei se estou ou já fui, curiosa sensação

A fuga me dá o tempo que necessito
Refazer-me , recompor pensamentos
Ser novamente ele
Nada é meu
Existência na diferença
Dicotomia,  não sinto , percebo ações como se fosse outrem
Viajo mas não dirijo
Olho-me a chorar
Fotos a imagem não reconheço
O tempo não passa
Sou
Espectro de mim

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Podia desistir

Vinha pela rua, e logo avistava a escadaria
Sem vontade, sou obrigado a subir
Cada degrau
Esforço sem sentido
Podia desistir
O clima piora, a chuva fina e fria escorre pelo meu rosto
O tom cinza do céu  confunde a visão do horizonte
Meus pés humidos doem com o frio
Podia desistir

Alguém passa por mim, correndo
Com seu guarda chuva a chocoalhar pelo vento
Não acabam os degraus, paracem que crescem no meu caminho
A distância é relativa, minhas dores não
Podia desistir

Pensamentos permeiam meu caminho
Não sei ao certo, são imagens do meu passado
Agradaveis lembranças
Fazem com que não sinta o caminhar por alguns momenos
Porque tais pensamentos , com a chuva cada vez mais forte
Onde quero chegar, lembranças não me leverão a lugar nenhum
Podia desistir

Porque hoje? poderia ter sido ontem , talvez amanhã
Confuso com minha descisão
Só sei que devo ir
Dormente meu corpo já não obedece
De joelhos, e com as mãos feridas , ainda continuo
A subir ...
Podia desistir

Escombros de vontade
A mão amiga não me encontrou
Ou cheguei cedo ou tarde demais, como sempre
Minhas lamentações e retórica não mais me confortam
Olhar sem jeito
Mãos que não sabem nada, absolutamene nada ...

Alguns degraus a mais, e não desisto
Tremulo com as possibilidades
Movimentos débeis que outrora eram fortes
O degrau gelado em minha face
Conforto-me ali, descanso

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Precioso

Ousadia em escrever algo precioso, que fale do que procuro, ou onde vou chegar
Penso que jamais poderei ter a certeza
São viagens sem volta
Idas e vindas

Não, que eu queira saber de tudo !
Quero saber de mim
A onde estou ?
Essa sensação de não estar em lugar nenhum
Passageiro é o que sinto
Fugaz

A arte de negar a vida, está aflorando das minhas entranhas
Pura falta de consciência
Tateando no clarão que se interpõe, entre a vida e a escuridão

Precioso é o tempo, sinto como areia a escorrer entre os dedos
A cada grão um segundo que não percebi
Essa é a razão
Se existir razão em viver sem perceber

Grito do meu jeito sem jeito
Exponho feridas cicatrizadas
Sorrio com lampejos de razão
Confesso !
Precioso é o tempo esvaído ao chão, sem utilidade
Que piso e reviro sem compaixão
Arrependimento não há

Pergunto-me ?
Os grãos espalhados não foram em vão ?

O que resta são gritos que ecoam na mente
Acordando-me desse sonho do tempo
Arriscando a viver !


.


.

Pra que , nada muda

Linhas , compartilhamentos, textos, falas ……
Pra que?
Nada muda …

Pensamentos que sobrevoam, a esmo
Cansaços perdidos no tempo
Esperanças doloridas

Pra que?
Nada muda …

Sons no horizonte
Tempo que se acaba
Chão que se abre

Pra que ?
Nada muda …

Patético sem tempo

Absolutamente nada muda ...
E porque mudaria ?

.

O sol no poente, dá a devida reflexão sobre este texto, todo dia acaba, é findo.

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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Ganho marginal

 

Há tanto tempo , estudei algo a ver com ganho marginal

E hoje, vim a perceber que grande parte da minha vida

Sempre empatei meu tempo e capital, à ganhos marginais

 

Mistura no mínimo estranha, economia e psicologia

Nunca agi de forma a ter as benesses das minhas ações diretamente

Sempre outrem tinha as vantagens, e este, agradecido pela possibilidade por mim criada

Ganho marginal de atenção, agradecimentos e felicidades concedidas

 

Satisfazia-me , como se de tal forma meus objetivos e expectativas seriam atendidos

O tempo passou, o entendimento às minhas ações ficavam no campo da retórica…

“Ele é inteligente, bom, atencioso, etc...………….”

E quanto havia alguma reação da minha parte, simplesmente tudo ia por terra, eu era um crápula que sempre age em função de ter algo em troca.

 

Ganhos marginais, nem sempre retornam em lucro, são expectativas que muitas vezes não se concretizam

Hoje posso dizer, promessas por ganhos marginas estão cumpridas.

Energia e tempo não mais serão despendidos a não ser em benefício próprio

Se tenho que arcar com consequências, que seja por algo realizado a meu favor, sem vagas intenções ou  interpretações

Basta, o que vier a fazer que seja por mim ….

sábado, 21 de novembro de 2009

Meio

                     Somos meio ?
                     Assunto tantas vezes tratado , e esquecido.
                     Alguma dessas palavras, pode se sentir pela metade ?


Ritmo contido



Tenho ritmo?
Sempre me perguntei, porque a vibração ?
Energia que flui sem autorização
São luzes sem reflexo, que permeiam a imaginação
Translúcida aos olhos,  que cegam !
Distorce e dissolve

A vontade de viver dá o ritmo
Os acordes não baixam o tom
Suavizam às vezes
Forte e presente
O ritmo acontece sem perceber

Danço e vibro
Fantasias que aproximam
Realidade dolorida
Sem sentido , a inércia não me alcança
Danço, vibro e fantasio
Energia inesgotável que flui em espaços que não existem

Intenções contidas
Explodo um dia
Danço, vibro e fantasio



.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

MIGALHAS NÃO ALIMENTAM ! Oprimem ….

 

Eu com minhas frases à disfarçar não sei o que

Frases prontas que exprimem situações

Nunca me aprofundo, sempre frases soltas

Quem vai entender

Somente eu, refletem momentos de lucidez ou angustia

 

Acostumamos à migalhas, que nos fazem sobreviver

Somos oprimidos por quem as oferece

A fome subsiste e o tempo nos faz dobrar aceitando

 

Dois verbos neste texto me deixam convencido que estou à errar !

SOBREVIVER e ACEITAR

 

Havia a muito tempo prometido, não conjugar tais verbos

E quando percebo, estou de novo neste caminho

Aliás, estamos, no plural, todos ….

 

Eu, como uma amiga diz, revoltado juvenil , não sem razão

Estou ainda a criar preleções sobre o tema

Nada acrescentando, e em repetições de raivas e revoltas

Estou aqui a poluir a mente de amigos, com frases que denotam uma estupida lucidez do momento

Sei disso, alias, milhares de linhas que eu sempre “sei”

Para pensar…. 

Mesmo me negando a mudar …

 

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domingo, 8 de novembro de 2009

A caixa

 

Caixa colorida

A professora deixa na mesa uma caixa de sapatos, que havia comprado no caminho

 

Olhares , curiosos

A professora em sua ânsia de ensinar, não percebe a comoção que a caixa provoca nos alunos

b2=c2+ bla bla bla bla

E a caixa lá, imóvel

Os olhares atônitos revelam a preocupação de que a professora quer provar algo com a caixa

Deve ser uma pegada , alguma coisa ela está aprontando

O melhor aluno, escreve num bilhete para a loirinha ao lado

Ela vai dar geometria espacial, e a caixa será usada como exemplo

Acabando de escrever no quadro negro

A professora senta, e percebe aqueles olhares assustados

Hmmm, será que não consegui demonstrar o exercício corretamente

Esse silêncio me incomoda

Porque olham tanto para mim, será que deixei cair café na minha blusa

Meu Deus, não é possível eles sabem do meu caso com o professor de português

O que eu faço !

O silêncio toma a sala, todos aguardando , ninguém esboça reações

A caixa lá, imóvel

E o som do alarme do término da aula, faz com que todos corram para fora

A professora com sua caixa some no corredor

E todos se sentem aliviados

Alunos não tiveram que se sujeitar à caixa

e a Professora não precisou dar explicações …..

 

.

Ensaio do óbvio

 

Neste momento palavras passam a ter significado

 

Gosto de algodão doce, porque ele é branco e fofo.

A ervilha tem o verde mais lúcido que conheço

Então jantar ervilhas num prato branco e sobremesa algodão doce

Poderia ser interessante, o destaque do verde lúcido e o branco fofo

 

A lupa aumenta meu olhar

Seria lógico se assim quisesse,  não utiliza-lá !

Os detalhes passariam despercebidos

 

O amigo serve entre tantas utilidades, como

Depósito de desabafos e lamentos

 

Já pensastes que a cada toque, uma minúscula e pulsante luz

Vai do seu teclado a tantos lugares, e aqui retorna

O mais interessante

Aqui !  perde a luz

 

Quantos grãos de areia há ?

Idiota pergunta, sem fundamento

Procuramos respostas onde a pergunta

Não tem fundamento

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Queria sim …

 

Negar o óbvio

Queria sim !

Passado

 

Anjos e demônios de mãos dadas

Já sonhei

Inocentes e culpados entrelaçados

Já vi

Amantes e rejeitados

Já conheci

 

Antagônicos em suas preleções

Grandes massas à escutar e a seguir

Não sou melhor nem pior

Sobram me olhos e ouço zumbidos, pernas não seguem

 

Queria sim, seguir sem semblante

Mais hum na multidão dos atônitos

Felizes em nada ser

Queria sim, ser mais hum …

Submergir na névoa dos meus pensamentos

O desafio de escrever logicamente é para mim de certa forma, impossível de se concretizar
Aqui é meu momento, único exclusivo
Permito-me voar à grandes alturas
Submergir na névoa dos meus pensamentos
Sem receios ou constrangimentos

Espaço em branco a ser preenchido
Idéias esvoaçantes sem pré-conceitos
A liberdade do nada dizer ….

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Fascínio de objetivos impossíveis

Desde já digo, perco-me entre a racionalidade e devaneios

Já tivestes a sensação de objetivos sempre alcançados
Como é frustrante
O vazio que nos toma é perturbador

A adrenalina que acompanha o fascínio do inalcançável
Há de colorir os caminhos, que se tornam ensolarados
Não há tempo, não lhe sobram segundos sem motivo
Vibra-se no ritmo da ação
Doses e mais doses de fascínio, que nos embriaga e vicia
A superação não nos permite fraquejar
O corpo e a mente uno torna-se
Imbatível és

A batida é forte, seca e retumbante
Mente brilha, corpo rescende o odor do êxtase
Fluem maravilhas da vida

Corpo elo frágil da ligação, se ressente
Reconstitui-se das forças que vibram, não existe limites

Nada, absolutamente nada
Interferirá nos desígnios da vida
Não sou Deus
nem
o Diabo
Sou apenas àquele que aceitou a vida da forma mais grotesca
Acomodando-se ao aceitar que ela é finita !
Nasço e morro a cada dia

Limites não me foram impostos
Não houve tal permissão
E nem haverá !

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Felicidade

Caminhando, sabe como é, entre noites densas e dias claros
Não sabes exatamente onde está, apenas a certeza de que faz o que tem que ser feito
Pode pensar, sou feliz!
Estou a onde eu não imaginava estar
Excitação do momento ao largo de uma densa e profunda imperfeição
Que te faz duvidar da existência medíocre do até agora

Por outro lado, nada melhor poderia acontecer
Vives o que determinastes, quantos podem fazer o mesmo ?
Imputar a culpa da existência àqueles que nada interferiram fica fácil!
Não vá transferir teus tormentos, estes são somente teus, por ti delegado
Devore as entranhas dos pensamentos inibidos
Sandice dos ímpios

Negastes a acreditar nas evidências impostas a ti
Por puro prazer do "não”
Tolo que és

Assuma tua "felicidade" com todas as nuances que a determinaram até agora
Não fujas, aceite
E dentro de teu quarto escuro, acenda a luz da tua consciência
Aceite... 
Simplesmente aceite...
Negar os caminhos traçados já lhe augaram tanta vida
Negue veemente ou aceite
Não seja morno...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Se eu tiver que morrer, morrerei pela vida

Se eu tiver que morrer, morrerei pela vida
A vida é bonita , é bonita é bonita

Então outro dia me disseram, se isto te faz feliz

Vá em frente !

Não sei exatamente mais o que me faz feliz ou não
Só sei que tenho hoje, amanhã talvez
O ontem já se perdeu
O amanhã está tão longe
Sobra-me o hoje

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sombra a vibrar no espaço restrito dos sonhos

Hoje não é ontem

E não será amanhã

Eu deveria seguir essa regra

Infelizmente consigo ser sempre o mesmo

Até que me saio bem ! ou disfarço bem

Dizem, que altero a rotina

Que nem sempre sou o mesmo

Irresponsável e Sr. Certinho convivem em harmonia

Há opiniões em todo sentido

Algumas que corro para o fim

Outras que meus caminhos são sempre os mesmos

E há sempre os bondosos, que acham que  não me deixo vencer

 

Tento superar a idiotice

As marcas deixadas, eu as apago

Porque?

Sei que posso, nada levo dessa vida

Limite do razoável, tão fácil delinear

Como a linha do horizonte, nunca me aproximo

Estou tão cheio de sem vontades

Abarrotado de cansaços

Espalho entre os caminhos

 

A sensação perdida  de um grande concerto de rock

O som , noite,  pessoas, estranhos não reconhecíveis

Assim é…

O agudo da guitarra me traz à realidade inexistente

Sou sombra

Caminho sobre pontes

Pés descalços ,lama e corpos nus, a energia vibrante

Ainda sombra

Sombra a vibrar no espaço restrito dos sonhos

sábado, 17 de outubro de 2009

Tenho medo de saber ....

O que procuro?
Quantas vezes fui questionado, já perdi a conta, e num breve momento acho que visualizei.
Procuro um fim de filme, o rio à correr entre pedras, mata virgem de um verde exuberante
O som que ecoa na montanha
Não é ter a pessoa perfeita ou idealizada ao meu lado
Sou eu
Que deveria estar lá, a sorrir, sentindo tudo à minha volta
Bebendo a alegria de viver
Um homem talvez totalmente igual e diferente de hoje
Realmente não se preocupando com o amanhã...
Sendo honesto , na realidade não deveria me preocupar com o que vai acontecer amanhã,  tenho que aprender a deixar fluir
Arrebatar, sempre foi algo que me pareceu tão dificil , impossível
Sempre a planejar, evitando a surpresa
Pensas que és o que ?
Deus ????????????
Não !!!!
Sou um pobre mortal que se disfarça de Deus
E não engana nem a si próprio
Então?
O que procuro?
Humildemente e displicentemente  não sei
Ou
Tenho medo de saber ....


.

Devorador de Faces

Sou devorador de faces
Tantas e não convenço
Traços que assustam

Ou,

Sou adorador de faces
Tantas e convenço
Traços que aconchegam

Ou,

Falta-me face
Cego tornei


Face to Face

.

Mistake

Como é facil dizer que nada sei
Como é simples querer ser humilde

Poxa será que sempre será assim, nada se altera
O tempo é mero condutor de inteções que se esvaem

Belas palavras
Justifico um passado recente

Nesse teatro, não soube conduzir os actos
Atropelei cenas
Desisti antes do último acto

História sem fim
Viagem inacabada

Não entenderás, as palavras aqui, significados às envolvem
       Café sem noção
              Conversas do além

Recordaçoes...................... Mistérios

.

sábado, 10 de outubro de 2009

Nunca fui lobo mau

Frustrado estou
O lobo em pele de cordeiro
Era meu dilema

Que nada !
Não passo de um cordeiro que imita lobo
Nem uivar consegue

É um bééé tão mediocre
Por mais que se esforçe, cordeiro és
Visível está

Pobre cordeiro que do alto da montanha
Age como se fosse mais do que os demais
Afnal tem a visão da vastidão aos seus pés

Engano de perspectiva
És cordeiro por mais que se esforçe em lobo ser
E como cordeiro morrerás
Sem um berro a protestar

,,,,,,

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A pairar

Curto ou curta
Qual a diferença

Sinto a distância se tornar curta
Curto a vida

Sei que estou em algum lugar
Não tão longe
Nem tão perto

Vacuo e luzes
A velocidade
Faz-me pairar

Permaneço nesse estado
Nem lá nem cá
Sou eu
Sem princípio e nem fim

A pairar


.

sábado, 3 de outubro de 2009

Optei pela meia luz

.
A meia luz é bondosa
Não define
Incorpora
Não delineia
Anoitece
Não é rude
Suave
É branda é sombra



.

Frases incontidas

.

Frases que ficam ou vão, depende da onde estás , se no inicio ou no fim ..

Posso morrer amanhã de manhã e a minha falta ninguém sentiria...

         Aqui sentado nesse banco de praça ....... 

Vós amai o que é facil, eu amo o longe a miragem ...........

Nem Deus está só  ........

A loucura persiste ..... não foi devaneio ....

Aguente as consequencias .....  Essa é a melhor parte, delicio-me com elas .....

Loucura !?   não seria excesso de sanidade camuflada ?

Equilibrio de egos inxados, Deus que se cuide .....



.

Ser Mutante

Cores , clareza
Face , disfarce
Pontos que aglutinam
Realidade pontual

Não estava preparado para ver
Mas... vi

Nada como eu imaginava !
Imagem da realidade distorcida
Tantos "eus" esparços que formaram a imagem
'Eu',  não reconhecido
Estranho e distante

Facil seria , um botão é a distância
E a escuridão retorna
A paz de não Ser ou Ser o que não é...
Não faz diferença

Decrépito ?
Quem já perdeu todo brilho e vigor
Decaído

Duras palavras, definição da imagem

Dicotomia
Sentir e ser
Imaginar e a realidade
A angustia de achar ser e não se-lo

Viver "uma" vida como se esta existisse
Sem dúvidas só certezas
Força de ser o certo
Renascer a cada dia como se isso pudesse acontecer

Meus "eus" acomodam-se
Enraízam certezas
Tomam o que lhes foi sempre dado
"A vida"

E hoje a olhar a imagem deste Ser
Exposta por pixel's não comprometidos e nem manipulados
Não reconheçendo passado, presente ou futuro


Novamente falta-me olhos
Indecifrável imagem

Previlegiado Ser Mutante
Não tem vidas à sofrer e nem a viver
Sómente 
Renascer a cada dia
Destino cruel

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Book "Plano de Fuga"


Outro dia conversando com alguém, veio essa frase

Plano de Fuga

Parei um momento,

E pensei, é isso !!!

A minha vida inteira, sempre tive um "Plano B"
Que na real era a minha saudável forma de sobreviver

E assim foi.... anos e anos

Hoje relembrando todos os planos que tive, seria suficiente para escrever um livro

O título perfeito seria "PLANO DE FUGA", ainda falarei mais sobre esse assunto, só quis, demarcar terreno, comprometendo minha capacidade mental à desenvolver uma análise sobre o assunto.

Obrigado a mim mesmo, por me descobrir   .......
Boa noite fernando


,

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Um segundo de glória

Caminho pela rua, sem pensar em algo específico
Trabalhei das oito da manhã até agora
A imagem do sofá me fascina

A chuva não incomoda, é fim de tarde de verão
A filha sairá daqui a pouco da escola , e lá estarei como sempre a esperar
Com seus passos saltitantes, a contar como foi seu dia de aula
Perguntas e mais perguntas,  muitas vezes não consigo responder

Não percebo o dia semana, não importa
Basta saber quando é domingo, no mais, os dias são iguais

Minhas perspectivas de vida, não são maiores que meus sonhos
Desta forma, o tempo passa ...

Não me permito a filosofar,  nem mesmo da vida alheia
Sou o tic tac do relógio
Sou o cuco que desperta
Que rapidamente à casa retorna,  após breve lampejo da sua presença
E pacientemente ...
Aguarda mais um segundo de glória

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Vou voltar

 

voltar

Sem as forças que costumam me jogar

Estou aqui a postar

A todos que sentem minha falta

Vou voltar

Àqueles que nada sentem

Voltarei

É assim mesmo ....

Achou o que?

Da tempestade em que o corpo estremece

A noite húmida e fria

Passos cambaleantes

Ao encanto da lareira à crepitar

É assim ….

As vezes mais  outras menos, descanso e o fim

.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Quem sabe ?

 

ocasião

 

 

Tolo feliz

ou

Feliz tolo

 

Há diferença ?

Não sei se há, sei que de uma batata fazemos uma salada

O impossível mora aí ao lado

O horizonte fica logo após a curva

A dor que mata, rejuvenesce

Feridas abertas, oportunidade de conhecer

O tropeço, a queda, vida nova

Para emergir, necessário submergir

A ocasião faz a oportunidade

Frases mal acabadas, soltas quem sabe, em texto sem sentido

Quem sabe?

Eu não sei ….

.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Penso logo existo ?

penso logo existo
Penso logo existo ?
Simplificamos nossa existência com essa frase
Não existimos por pensar
Mas por sentir
Sentir o sabor da vida
O aroma agridoce dos dias
O calor da alma
Perceber a vida

Há momentos de reflexão, puramente interior
Nada filosófico
O “Eu” inevitavelmente manifesta
Castelo de areia esvai-se ao vento
Grãos uniam-se pelo pensar

Surpresos  com o mistério desvendado
Mascaras não mais se encaixam
Somos o que somos, pelo que somos
Nus e só a caminhar ….

domingo, 13 de setembro de 2009

Queria ser Papai Noel !

 

papai noel

Hoje pensei, as vezes faço isso , rs rs rs …

Senti algo estranho, a vontade de ser papai Noel, e vim a perceber que era um desejo antigo

Papai Noel, de quem ?

Acordei com essa pergunta ?

Acredito na existência de papai Noel , pode soar estranho essa crendice …

Quando chega novembro, e a cor vermelha começa a pintar as lojas, as árvores de natal com seu verde forte e as multicoloridas bolinhas encantam, e a velha fisionomia do velhinho, querido, com seu sorriso  Oh Oh Oh, me apaixonam.

Por diversas vezes, fico a contemplar o velhinho no shopping, conversando com as crianças, tirando fotos, observo o sorriso e os olhos nervosos das crianças tentando entender a existência do velhinho.

Os sons mudam no natal, a esperança realmente fica  no ar, dias melhores virão, muito mais intenso que no ano novo, e não venham com essa de que o natal tornou-se comercial demais.

Deveríamos lembrar do motivo do natal, o nascimento Dele, mas sem a religiosidade embutida nessa época, prendo-me às cores, som, e aos olhos das crianças….

Queria ser papai Noel, sim, ter oportunidade de doar meu tempo para algo que será eterno, em sonhos de milhares de crianças pelo mundo.

Quem não ficou a noite de natal, acordado, espiando se haveria um velhinho na sala a colocar presentes sob a árvore, não sou de uma família que os presentes eram dados com facilidade, eram únicos, e nem sempre o que esperávamos, e lembrando minha mãe , ela explicava , “filho , papai Noel disse que essas meias ou essa roupa é para o ano inteiro, e que o ano que vem, ele atenderá seus pedidos”, eu entendia, e no domingo, estava eu, todo bonito, desfilando as roupas ganhas.

A tarde minha mãe, na cozinha, à brigar para que não mexêssemos nas comidas, a energia daquele lugar ainda está em meu coração, a forma do bolo de chocolate ou do pudim de leite condensado ,raspas eram  premio àquele que ajudasse na cozinha, e sempre estava lá eu …..

A ceia de natal, sempre à meia noite, a missa do galo, e a inesquecível proeza do meu pai, com o corte da carne, em fatias bem finas, atendendo todos os filhos, em iguais porções, de maestria quase perfeita.

Não poderia deixar de lembrar, que aos doze anos , ganhei o maior presente da minha vida de papai Noel, um robô de lata, a materialização dos sonhos de quem um dia queria ser astronauta, ele tinha luzes vermelhas que piscavam e dava-se corda para ele mexer os braços, o som ainda me vêem à mente.

Sim ainda serei papai Noel, talvez já esteja sendo do meu jeito, de forma tímida e não entendida, muitas vezes me elogiam como se eu fosse um “anjo”.

Sou o papai Noel que sempre desejei , sem explicações ou agradecimentos, o sorriso na face sempre me proporcionou uma sensação de quase êxtase, ser papai Noel na hora exata.

Todos somos papai Noel, de alguma forma, e dado momento , sentimento puro que provoca admiração e pasmo.

Não quer dizer que não tenhamos os defeitos inerentes ao ser humano, estou a dizer, quanto é gratificante a sensação de assim proceder.

Quanto aos motivos que nos levam a essa atitude, nem vem o caso, o bem não precisa de motivos, e se estes forem escusos, ainda assim, reconheço o bem como forma válida de manifestação de nossa alma, mesmo as mais conturbadas ou intensas, faça o bem …..

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Espaço em branco



Espaço em branco
Imagens transparentes
Sombras delineadas
Curvas indóceis
Perfil dissimulado

Movimento despercebido
Lufar aroma de rosas
Toque mágico

Estrada longa
Destino incerto


.

Last night's dreams



Ah de novo não!
O roteiro não muda
A repetição é constante
Falta-me insanidade

Chega de dias claros
Noites aconchegantes
Luar romântico
O calor do sol na pele

Chega de perfeição no labor
Musica de notas suaves
Sorrir perfeito
Movimentos compassados

Chega de pensamentos contidos
Vontades renegadas

Time
Tic Tac Tic Tac

AC DC
Tic Tac

Conversível
Tic Tac

Blonde
Tic Tac

Wind and sun
Tic Tac

Velocidade
Tic Tac

Crash  ....................


.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Cadê meu dia



Todo o dia era assim
Sem mais nem menos
Era assim
E assim foi ....
.
Nem todo dia foi assim
Lapsos de memória
Reminiscências provisórias
E assim foi ....
.
O dia começava
Sempre do inicio
E assim foi …
.
Assim deixou de ser !
Cadê meu dia ?
.
Não fostes o meu descanso
Deixastes de repetir
Não há lapsos ou desenganos
Segundos jorrando, vertentes da verdade
Cadê meu dia ?
.
Céus que iluminam
Andarilho da estrada sem fim
Perdido na luminosidade que cega
Sensações que afloram
Sons que se dissipam
Imagens que vagueiam
Cadê meu dia ?
.
Assim foi e nunca será
.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Sejam dóceis com a vida


O que se passa entre dois seres humanos
Que não sabem mais como partilhar algo que não mais existe

Optar pela dor infindável
Deixa-la dilacerar o resto dos corpos ainda com vida

Oh sandice !!!!!
Nada levarão
Nem ódios ou dores

Baixem a guarda
Rendam-se

Sejam dóceis com a vida
Perdoem-se

.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Dobro-me


Hoje talvez seja o inicio do fim

Fim lacónico , como não poderia deixar de ser
O Deus que existia em mim, se foi
Resta-me aceitar que não fui e não sou o ser humano que imaginava ser
Recolher-me à insignificância, que é uma dádiva
Não SOU, não posso ser mais o ser que viveu até hoje
Irreconhecível é a sensação que sinto

Não me conheço, valores difusos
Sinto-me bem na simplicidade do nada
Precisei anos e anos para perceber o quanto estava 'errado'
Não vai ser simples eu sei, retornar à origem
Abrir mão de convicções há tanto incorporadas
O mundo à minha volta, tem vida própria, não é minha existência que o faz girar
A insignificância nos faz pensar melhor

É difícil descrever esse "fim"
Desmantelado estou
Desarmado das posses que não me pertencem
Sobram-me vontades
Mascaras ao chão

Não sei como agir, pois, começo a tentar aprender e conhecer
Nada que eu trago ficou
Se resistirei não sei, aliás, nada sei

Não mais me culparei se me sentir bem
Respeitar , palavra que me aproximarei
Se eu algum dia me sentir feliz, farei por merecer

Sim, estou hoje pronto a estar resignado em nada ser
A única forma de assim alcançar a simplicidade e a humildade

Amar o próximo , como a ti mesmo
Sábias palavras
Não me conheço, não me amo, o que posso fazer ao próximo
A não ser afasta-lo

Perdão àqueles que não soube amar
O real significado, perdeu-se há muito tempo
Concedo-me o direito que nunca permiti
A procurar o "eu", em sua essência

Sei que sou complexo em expor ideias tão simples
Podemos ser diferentes do que somos
Talvez
Vou aprender
A disposição da mudança é proporcional à dor que ela nos causa
O limite foi ultrapassado, não mais havendo opções
E tal fato nos obriga a abrir os olhos ou se entregar

Abro os olhos, admito que ainda tenho uma visão embaçada
Irei tatear , meus sentidos irão voltar
Ainda descobrirei o ser que sou e não o que me tornei
Recomeço não é a palavra apropriada
Não mais poderei recomeçar
E sim, descobrirei quem sou
E, meus caminhos que tanto falei
Serão por mim escolhidos, não mais motivados por ousadias inconsequentes
Moinhos de ventos ao chão .....
Meus pés tocam a terra
Dobro-me às evidências

.

Ego em farrapos

Escrever as vezes é um ato dolorido
Quando expomos a alma

O que poderia dizer neste momento
Que brinco com a inconsequencia de ser
Os limites estão tão próximos
E não mais existe medos ou receios

Vivo segundos que me parecem o alvorecer de um ser
Tardio eu sei
Responsável e anarquista
A razão ofuscada pela aventura comedida
Nesta ordem ou não, não importa

O que importa que existe um ser
Totalmente livre à procura do seu ego
Há muito delapidado e dilacerado
Farrapos que emergem, na tentativa de viver

Já me alertaram !
Não tem como reviver , é uma fantasia tentar
Risco de se perder entre o passado não acontecido e um presente confuso
Sei disso
Arrisco-me

Não há opção
O futuro não é uma dádiva que poderei exercer em sua plenitude
Deixo-me levar pelas levas de sensações
Talvez fantasiosas em sua totalidade

Acredito que , meu plano B, não seja o ideal
Falta-me compreensão e juízo
Falhas em vários sentidos

E mesmo assim, traço a linha
Esta muito próxima dos limites do "ser"
Sentido único
Relaxo ao inevitável escolhido
Sem retorno
Desígnios por mim aceitos
E aqui, me condeno a aceitar os inevitáveis caminhos
Escolhidos sem a devida consideração, ou controle de resultados
Abandonei controles , a vida me levará
Seja a onde for
Aceito .....

.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Escolha o cume e os riscos



Um bom papo inteligente
Não existe opiniões a serem impostas e sim expostas
Torna-se prazeroso

De qualquer forma me desejaram uma boa analise sobre a vida :

A frase que ficou a ecoar nessa conversa

"se não deu certo um casamento d 1/4 de século q buraco causaria um namoro desse?"

Estou a rir, realmente o que poderia me prejudicar qualquer tipo de relacionamento, mesmo entrando no mérito de idade ou posição social.

Isto me faz recordar a minha amiga ex esposa, na frase que repetiu durante anos, "você é um covarde em questões pessoais" , irás morrer e não decidirá nada.

Não precisa de extensa análise para se ter uma ideia da simplicidade da minha complexidade.

A "covardia" está intrinsecamente ligada ao medo de assumir, aceitar, deixar-se envolver, o medo apavora, e desta forma, crio toda uma complexidade de situações em possíveis relacionamentos, e faço que nada aconteça ou que se defina.

Evitei "buracos" acho que não !
Rindo ainda... me vejo num buraco protegido pela profundidade
Muito distante de qualquer mão acolhedora
E mais ainda,
Quando não estendo a mão, para querer ter uma chance dele sair
Estou confortável nessa mediocridade de vida afectiva

Amiga da quinta feira
Falei bonito sobre coragem, opções e por ai afora
Agora vês que nada disso acontece
Nem das minhas vãs convicções mentais consigo assumir

Não mudei, ainda sou o mesmo
Convicto que ainda terei "coragem" de sair da armadilha que criei
Ferozmente desejo e almejo assumir os riscos
"Sejam eles ir até o cume do everest ou no spitzkopf"
Que estrago poderia acontecer ?
Absolutamente nenhum que não possa suportar

... Ainda estou a rir .....

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Sem forma


Já estava indo dormir
Mas não sei porque
Estou aqui

Necessidade de dizer o inaceitável
Ou assumir o inevitável
Vai saber !
Confusão de quem está com sono
Quem sabe !

Parece até conversa de bêbado, quando se fala em agua e outro entende pedra
Assim estou
Resistindo entender o que ouso
Resistindo a tudo e a todos
Pra que?

Bela teimosia meu querido amigo
Onde esta maré o levará ?
Já não sabes ? ou fará diferença saber

Tens tudo e nada
Falta-lhe a importância que não juntastes na vida
Estás sem crédito consigo mesmo

Não falemos em vazios ou fantasias
Não são reais
O dia é longo a noite quente
Sem húmos nada renascerá

Vivestes o "não"
Aceite a verdade única
Não ganhastes o jogo
Abandone o campo
As luzes não brilham mais
Rejeite o passado
Descanse o corpo, a mente não mais pode lhe servir

Insisto ! !

Terminou o acto
A peça que escrevestes
Foi um fracasso, sem aplausos ou murmúrios de desagrado
Silencio !
Nem indignação conseguistes provocar
Um blefe sem efeito

Só , como aos doze anos
Pacto desfeito

A solidão do olimpo
Ego e hipocrisia de mãos dadas
Caminhos não trilhados

Aceitaria de bom grado
Se amanha de manhã ainda assim me sentir
Se não?
Sigo o "meu" caminho, até a noite novamente
E assim será ....

PS: Me perguntaram após ler o texto, voce está bem ou é só um devaneio?
Respondi: Agora talvez não seja, mas amanhã provavelmente será.

.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Entardeço



Entardeço
Dia lindo e quente, quase verão
Sonhos de verão acompanharam-me

O som da guitarra em solo
Entardeço
Resistir a essa sensação é quase impossível
Entardeço
Sonhos de verão desfeitos como os raios de sol no fim do dia
Entardeço

A dor do impossível, do que não é conhecido
Confesso , falta-me coragem
Entardeço

Alma dilacerada
Não caibo ou enquadro
Cores desbotadas por terminar
Pincéis jogados, tintas que não conseguem exprimir as cores da vida
Entardeço


Entardeço em meu ser
Por incompetência de ser

.