domingo, 28 de junho de 2009

Espelhos



Converso com minha filha
De uma conversa normal, uma constatação
Não há conheço
Amo mas não a conheço
Como pode !

E tudo aflora com a força que nos faz chorar
E até duvidar de tudo

Amo e não conheço
Sou assim
Sempre fui

Cuido de pessoas, como pétalas de rosas
Delicadas
Protejo e na ânsia de cuidar, minha imagem se distorce
Espelhos mágicos, reletem impressões que não são reais

Hoje não que seja um dia especial
Será o dia que comecei a deixar espelhos quebrarem
Aceitar que posso ser cuidado e talvez amado
Aproximar realmente

Seja minha filha, seja quem for, experimentem a única imagem
A do ser real que sou
Feliz por natureza
Esperançoso que sempre vai estar melhor
Com vida a ser partilhada
Sem medos ou receios
Minha demência é o desejo ser mais do que me permitem
E a isto ! por mais que me peçam, não abrirei mão
Seguirei meu caminho

Relembrando versos de José Régio em Cântigo Negro

"Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos..."

"Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !"