domingo, 28 de junho de 2009

O pescador





Poderia imaginar estou navegando em águas calmas
E lá de longe , sinto a humidade do ar, tempestade se formando
O barco que tenho é pequeno, e estou em alto mar
O previsível o sensato, é retornar

O dia está tão lindo, o sol brilha, peixes em abundância
Golfinhos como sereias me encantam, aproximam-se do barco
Brincam como se fossemos amigos há anos
A pescaria perfeita, o dia perfeito a oportunidade que nunca tive

Abandonar pela possibilidade de tempestade
Dou-me mais alguns minutos, no paraíso estou
Nada aparece nos céus, só minha percepção incomoda
Os golfinhos como entendendo , dizem-me com brincadeiras
Fique nada vai acontecer, estamos aqui

E sempre tem esses momentos em nossa vida
A decisão entre o que está bom e que este momento não durará para sempre
Abandonamos ante a possibilidade de isso acabar
Afinal nem tudo que é bom é duradouro

A dor sempre é mais conhecida, ser feliz é étereo
Evapora-se ante qualquer possibilidade
O que não podemos negar é a intensidade da felicidade
Ser feliz é arrebatador , incomparável e misterioso
A dor nos machuca não nos eleva

E pescador insensato que sou ou que me tornei
Resolvo ficar
Aproveitar o máximo que puder e não ficar apreensivo com o que possa ocorrer
Mas me garantir que pelo menos o tempo que me sobra de felicidade
Seja completa e intensa
Sei que não controlo o tempo , mas posso ter esperanças que a tempestade nunca ocorra
E a volta ao porto seja intensa , e não dolorida por não ter arriscado
Assim será