sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Um segundo de glória

Caminho pela rua, sem pensar em algo específico
Trabalhei das oito da manhã até agora
A imagem do sofá me fascina

A chuva não incomoda, é fim de tarde de verão
A filha sairá daqui a pouco da escola , e lá estarei como sempre a esperar
Com seus passos saltitantes, a contar como foi seu dia de aula
Perguntas e mais perguntas,  muitas vezes não consigo responder

Não percebo o dia semana, não importa
Basta saber quando é domingo, no mais, os dias são iguais

Minhas perspectivas de vida, não são maiores que meus sonhos
Desta forma, o tempo passa ...

Não me permito a filosofar,  nem mesmo da vida alheia
Sou o tic tac do relógio
Sou o cuco que desperta
Que rapidamente à casa retorna,  após breve lampejo da sua presença
E pacientemente ...
Aguarda mais um segundo de glória

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Vou voltar

 

voltar

Sem as forças que costumam me jogar

Estou aqui a postar

A todos que sentem minha falta

Vou voltar

Àqueles que nada sentem

Voltarei

É assim mesmo ....

Achou o que?

Da tempestade em que o corpo estremece

A noite húmida e fria

Passos cambaleantes

Ao encanto da lareira à crepitar

É assim ….

As vezes mais  outras menos, descanso e o fim

.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Quem sabe ?

 

ocasião

 

 

Tolo feliz

ou

Feliz tolo

 

Há diferença ?

Não sei se há, sei que de uma batata fazemos uma salada

O impossível mora aí ao lado

O horizonte fica logo após a curva

A dor que mata, rejuvenesce

Feridas abertas, oportunidade de conhecer

O tropeço, a queda, vida nova

Para emergir, necessário submergir

A ocasião faz a oportunidade

Frases mal acabadas, soltas quem sabe, em texto sem sentido

Quem sabe?

Eu não sei ….

.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Penso logo existo ?

penso logo existo
Penso logo existo ?
Simplificamos nossa existência com essa frase
Não existimos por pensar
Mas por sentir
Sentir o sabor da vida
O aroma agridoce dos dias
O calor da alma
Perceber a vida

Há momentos de reflexão, puramente interior
Nada filosófico
O “Eu” inevitavelmente manifesta
Castelo de areia esvai-se ao vento
Grãos uniam-se pelo pensar

Surpresos  com o mistério desvendado
Mascaras não mais se encaixam
Somos o que somos, pelo que somos
Nus e só a caminhar ….

domingo, 13 de setembro de 2009

Queria ser Papai Noel !

 

papai noel

Hoje pensei, as vezes faço isso , rs rs rs …

Senti algo estranho, a vontade de ser papai Noel, e vim a perceber que era um desejo antigo

Papai Noel, de quem ?

Acordei com essa pergunta ?

Acredito na existência de papai Noel , pode soar estranho essa crendice …

Quando chega novembro, e a cor vermelha começa a pintar as lojas, as árvores de natal com seu verde forte e as multicoloridas bolinhas encantam, e a velha fisionomia do velhinho, querido, com seu sorriso  Oh Oh Oh, me apaixonam.

Por diversas vezes, fico a contemplar o velhinho no shopping, conversando com as crianças, tirando fotos, observo o sorriso e os olhos nervosos das crianças tentando entender a existência do velhinho.

Os sons mudam no natal, a esperança realmente fica  no ar, dias melhores virão, muito mais intenso que no ano novo, e não venham com essa de que o natal tornou-se comercial demais.

Deveríamos lembrar do motivo do natal, o nascimento Dele, mas sem a religiosidade embutida nessa época, prendo-me às cores, som, e aos olhos das crianças….

Queria ser papai Noel, sim, ter oportunidade de doar meu tempo para algo que será eterno, em sonhos de milhares de crianças pelo mundo.

Quem não ficou a noite de natal, acordado, espiando se haveria um velhinho na sala a colocar presentes sob a árvore, não sou de uma família que os presentes eram dados com facilidade, eram únicos, e nem sempre o que esperávamos, e lembrando minha mãe , ela explicava , “filho , papai Noel disse que essas meias ou essa roupa é para o ano inteiro, e que o ano que vem, ele atenderá seus pedidos”, eu entendia, e no domingo, estava eu, todo bonito, desfilando as roupas ganhas.

A tarde minha mãe, na cozinha, à brigar para que não mexêssemos nas comidas, a energia daquele lugar ainda está em meu coração, a forma do bolo de chocolate ou do pudim de leite condensado ,raspas eram  premio àquele que ajudasse na cozinha, e sempre estava lá eu …..

A ceia de natal, sempre à meia noite, a missa do galo, e a inesquecível proeza do meu pai, com o corte da carne, em fatias bem finas, atendendo todos os filhos, em iguais porções, de maestria quase perfeita.

Não poderia deixar de lembrar, que aos doze anos , ganhei o maior presente da minha vida de papai Noel, um robô de lata, a materialização dos sonhos de quem um dia queria ser astronauta, ele tinha luzes vermelhas que piscavam e dava-se corda para ele mexer os braços, o som ainda me vêem à mente.

Sim ainda serei papai Noel, talvez já esteja sendo do meu jeito, de forma tímida e não entendida, muitas vezes me elogiam como se eu fosse um “anjo”.

Sou o papai Noel que sempre desejei , sem explicações ou agradecimentos, o sorriso na face sempre me proporcionou uma sensação de quase êxtase, ser papai Noel na hora exata.

Todos somos papai Noel, de alguma forma, e dado momento , sentimento puro que provoca admiração e pasmo.

Não quer dizer que não tenhamos os defeitos inerentes ao ser humano, estou a dizer, quanto é gratificante a sensação de assim proceder.

Quanto aos motivos que nos levam a essa atitude, nem vem o caso, o bem não precisa de motivos, e se estes forem escusos, ainda assim, reconheço o bem como forma válida de manifestação de nossa alma, mesmo as mais conturbadas ou intensas, faça o bem …..

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Espaço em branco



Espaço em branco
Imagens transparentes
Sombras delineadas
Curvas indóceis
Perfil dissimulado

Movimento despercebido
Lufar aroma de rosas
Toque mágico

Estrada longa
Destino incerto


.

Last night's dreams



Ah de novo não!
O roteiro não muda
A repetição é constante
Falta-me insanidade

Chega de dias claros
Noites aconchegantes
Luar romântico
O calor do sol na pele

Chega de perfeição no labor
Musica de notas suaves
Sorrir perfeito
Movimentos compassados

Chega de pensamentos contidos
Vontades renegadas

Time
Tic Tac Tic Tac

AC DC
Tic Tac

Conversível
Tic Tac

Blonde
Tic Tac

Wind and sun
Tic Tac

Velocidade
Tic Tac

Crash  ....................


.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Cadê meu dia



Todo o dia era assim
Sem mais nem menos
Era assim
E assim foi ....
.
Nem todo dia foi assim
Lapsos de memória
Reminiscências provisórias
E assim foi ....
.
O dia começava
Sempre do inicio
E assim foi …
.
Assim deixou de ser !
Cadê meu dia ?
.
Não fostes o meu descanso
Deixastes de repetir
Não há lapsos ou desenganos
Segundos jorrando, vertentes da verdade
Cadê meu dia ?
.
Céus que iluminam
Andarilho da estrada sem fim
Perdido na luminosidade que cega
Sensações que afloram
Sons que se dissipam
Imagens que vagueiam
Cadê meu dia ?
.
Assim foi e nunca será
.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Sejam dóceis com a vida


O que se passa entre dois seres humanos
Que não sabem mais como partilhar algo que não mais existe

Optar pela dor infindável
Deixa-la dilacerar o resto dos corpos ainda com vida

Oh sandice !!!!!
Nada levarão
Nem ódios ou dores

Baixem a guarda
Rendam-se

Sejam dóceis com a vida
Perdoem-se

.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Dobro-me


Hoje talvez seja o inicio do fim

Fim lacónico , como não poderia deixar de ser
O Deus que existia em mim, se foi
Resta-me aceitar que não fui e não sou o ser humano que imaginava ser
Recolher-me à insignificância, que é uma dádiva
Não SOU, não posso ser mais o ser que viveu até hoje
Irreconhecível é a sensação que sinto

Não me conheço, valores difusos
Sinto-me bem na simplicidade do nada
Precisei anos e anos para perceber o quanto estava 'errado'
Não vai ser simples eu sei, retornar à origem
Abrir mão de convicções há tanto incorporadas
O mundo à minha volta, tem vida própria, não é minha existência que o faz girar
A insignificância nos faz pensar melhor

É difícil descrever esse "fim"
Desmantelado estou
Desarmado das posses que não me pertencem
Sobram-me vontades
Mascaras ao chão

Não sei como agir, pois, começo a tentar aprender e conhecer
Nada que eu trago ficou
Se resistirei não sei, aliás, nada sei

Não mais me culparei se me sentir bem
Respeitar , palavra que me aproximarei
Se eu algum dia me sentir feliz, farei por merecer

Sim, estou hoje pronto a estar resignado em nada ser
A única forma de assim alcançar a simplicidade e a humildade

Amar o próximo , como a ti mesmo
Sábias palavras
Não me conheço, não me amo, o que posso fazer ao próximo
A não ser afasta-lo

Perdão àqueles que não soube amar
O real significado, perdeu-se há muito tempo
Concedo-me o direito que nunca permiti
A procurar o "eu", em sua essência

Sei que sou complexo em expor ideias tão simples
Podemos ser diferentes do que somos
Talvez
Vou aprender
A disposição da mudança é proporcional à dor que ela nos causa
O limite foi ultrapassado, não mais havendo opções
E tal fato nos obriga a abrir os olhos ou se entregar

Abro os olhos, admito que ainda tenho uma visão embaçada
Irei tatear , meus sentidos irão voltar
Ainda descobrirei o ser que sou e não o que me tornei
Recomeço não é a palavra apropriada
Não mais poderei recomeçar
E sim, descobrirei quem sou
E, meus caminhos que tanto falei
Serão por mim escolhidos, não mais motivados por ousadias inconsequentes
Moinhos de ventos ao chão .....
Meus pés tocam a terra
Dobro-me às evidências

.

Ego em farrapos

Escrever as vezes é um ato dolorido
Quando expomos a alma

O que poderia dizer neste momento
Que brinco com a inconsequencia de ser
Os limites estão tão próximos
E não mais existe medos ou receios

Vivo segundos que me parecem o alvorecer de um ser
Tardio eu sei
Responsável e anarquista
A razão ofuscada pela aventura comedida
Nesta ordem ou não, não importa

O que importa que existe um ser
Totalmente livre à procura do seu ego
Há muito delapidado e dilacerado
Farrapos que emergem, na tentativa de viver

Já me alertaram !
Não tem como reviver , é uma fantasia tentar
Risco de se perder entre o passado não acontecido e um presente confuso
Sei disso
Arrisco-me

Não há opção
O futuro não é uma dádiva que poderei exercer em sua plenitude
Deixo-me levar pelas levas de sensações
Talvez fantasiosas em sua totalidade

Acredito que , meu plano B, não seja o ideal
Falta-me compreensão e juízo
Falhas em vários sentidos

E mesmo assim, traço a linha
Esta muito próxima dos limites do "ser"
Sentido único
Relaxo ao inevitável escolhido
Sem retorno
Desígnios por mim aceitos
E aqui, me condeno a aceitar os inevitáveis caminhos
Escolhidos sem a devida consideração, ou controle de resultados
Abandonei controles , a vida me levará
Seja a onde for
Aceito .....

.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Escolha o cume e os riscos



Um bom papo inteligente
Não existe opiniões a serem impostas e sim expostas
Torna-se prazeroso

De qualquer forma me desejaram uma boa analise sobre a vida :

A frase que ficou a ecoar nessa conversa

"se não deu certo um casamento d 1/4 de século q buraco causaria um namoro desse?"

Estou a rir, realmente o que poderia me prejudicar qualquer tipo de relacionamento, mesmo entrando no mérito de idade ou posição social.

Isto me faz recordar a minha amiga ex esposa, na frase que repetiu durante anos, "você é um covarde em questões pessoais" , irás morrer e não decidirá nada.

Não precisa de extensa análise para se ter uma ideia da simplicidade da minha complexidade.

A "covardia" está intrinsecamente ligada ao medo de assumir, aceitar, deixar-se envolver, o medo apavora, e desta forma, crio toda uma complexidade de situações em possíveis relacionamentos, e faço que nada aconteça ou que se defina.

Evitei "buracos" acho que não !
Rindo ainda... me vejo num buraco protegido pela profundidade
Muito distante de qualquer mão acolhedora
E mais ainda,
Quando não estendo a mão, para querer ter uma chance dele sair
Estou confortável nessa mediocridade de vida afectiva

Amiga da quinta feira
Falei bonito sobre coragem, opções e por ai afora
Agora vês que nada disso acontece
Nem das minhas vãs convicções mentais consigo assumir

Não mudei, ainda sou o mesmo
Convicto que ainda terei "coragem" de sair da armadilha que criei
Ferozmente desejo e almejo assumir os riscos
"Sejam eles ir até o cume do everest ou no spitzkopf"
Que estrago poderia acontecer ?
Absolutamente nenhum que não possa suportar

... Ainda estou a rir .....

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Sem forma


Já estava indo dormir
Mas não sei porque
Estou aqui

Necessidade de dizer o inaceitável
Ou assumir o inevitável
Vai saber !
Confusão de quem está com sono
Quem sabe !

Parece até conversa de bêbado, quando se fala em agua e outro entende pedra
Assim estou
Resistindo entender o que ouso
Resistindo a tudo e a todos
Pra que?

Bela teimosia meu querido amigo
Onde esta maré o levará ?
Já não sabes ? ou fará diferença saber

Tens tudo e nada
Falta-lhe a importância que não juntastes na vida
Estás sem crédito consigo mesmo

Não falemos em vazios ou fantasias
Não são reais
O dia é longo a noite quente
Sem húmos nada renascerá

Vivestes o "não"
Aceite a verdade única
Não ganhastes o jogo
Abandone o campo
As luzes não brilham mais
Rejeite o passado
Descanse o corpo, a mente não mais pode lhe servir

Insisto ! !

Terminou o acto
A peça que escrevestes
Foi um fracasso, sem aplausos ou murmúrios de desagrado
Silencio !
Nem indignação conseguistes provocar
Um blefe sem efeito

Só , como aos doze anos
Pacto desfeito

A solidão do olimpo
Ego e hipocrisia de mãos dadas
Caminhos não trilhados

Aceitaria de bom grado
Se amanha de manhã ainda assim me sentir
Se não?
Sigo o "meu" caminho, até a noite novamente
E assim será ....

PS: Me perguntaram após ler o texto, voce está bem ou é só um devaneio?
Respondi: Agora talvez não seja, mas amanhã provavelmente será.

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