quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

A lista



Não vou resistir às velhas promessas que normalmente não cumpro
Mas , insisti  por ser inevitável
Hoje fiquei admirado, como as necessidades alteram ao decorrer do tempo
O que motivou a listar tais pensamentos. 

A lista :


Exercitar mesmo que me canse, e ache nada criativo
Abrir os olhos, aguçar a audição e fechar a boca
Ser um imbecil não por conveniência mas por convicção
Assistir campeonatos de surf, numa tarde de segunda feira ensolarada
Decretar todas as segunda e sexta feira, como se fossem feriado nacional
Trabalhar com vontade e determinação do primeiro emprego
Aumentar o volume do som do carro , um pouco mais, mesmo que tenha que fechar as janelas
Abdicar do uso de gravata e camisa social
Ir a primeira vez em campo de futebol, assistir qualquer partida, e tentar compreender
Escolher a roupa sem a necessidade da opinião do vendedor
Fazer compras em supermercado e se divertir
Tomar uma cerveja à beira mar, e não importar-se com o amargor do liquido
Banhar-se na praia como todos, e se possível bronzear-se
Ter conversas amenas e não compromissadas com amigos
Abraçar sem ficar constrangido
Conscientizar que certas facilidades financeiras, advém do trabalho, e por isso respeitar o seu “valor”
Respeitar que nem tudo tem preço, e mesmo que tivesse, não poderás muitas vezes pagar
Jogar-se de um penhasco (usando asa delta)
Substituir com freqüência a leitura e o virtual pelo cotidiano enfadonho e real
Perceber os limites, pois, nem sempre tem linha demarcatória
Perceber que beijar não é se entregar
Perceber que doar-se não é amar
Perceber que servir não é ser gentil
Perceber que a verdade é relativa
Perceber que a mentira é cruel
Perceber que o ato de enxergar só o lado bom das pessoas o tornam um ser endeusado
Perceber que és um homem, simplesmente
e definitivamente aceitar que tens compromisso com você

E homem que és
com a vontade que tens
prometa a ti
que tal lista estará em branco no próximo fim de ano
Tem o tempo , a vontade, a necessidade de assim ser

Não precisas mudar a essência, e assim, poderás sempre repetir
Que nunca mudarás …..
Que desbravarás os próprios caminhos …

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Sabedoria é não querer compreender

Pensar, ainda assim, é agir. Só no devaneio absoluto, onde nada de activo intervém, onde por fim até a nossa consciência de nós mesmos se atola num lodo - só aí, nesse morno e húmido não-ser, a abdicação da acção competentemente se atinge.
Não querer compreender, não analisar... Ver-se como à natureza; olhar para as suas impressões como para um campo - a sabedoria é isto.

          Fernando Pessoa, in 'Livro do Desassossego'

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Inicio do fim do ano


Final de ano chegando, o que muda?
A esperança renova?
Mesmo que anos após anos, nada façamos para que realmente aconteça
Ou nossas vontades não são suficientemente forte à resistir a rotina
Nos submetemos anos após anos, e nada muda

Não estou aqui a escrever sobre desesperança, desânimo ou depressão
Estou a gritar pela necessidade de não se submeter, não importa a quem ou a que
Somos únicos, com vida finita

Por vezes na retrospectiva de vida, reflexões, saio à caça do momento em que me perdi
Na tentativa de identificar os motivos do fraquejar e aceitar a rotina
Confesso, não consegui ainda visualizar , apesar de insanas tentativas

Não estou a procura de justificativas, mas de entendimento
Já que hoje não consigo ou não me permito à mudança
Há uma curiosidade mórbida em rever o meu perder

Acredito piamente que ao deparar com o passado, venha a perceber o desperdício de vida a que me submeti
Homem que achava que escolhia caminhos, desbravava situações
Fiel aos princípios do seu agir, não submetendo à ninguém, e assim se fez

E hoje no clima de final de ano, nada desesperanço, somente comedido
Em dar o tempo necessário à restruturação de um ser que vagou sobre mentiras socialmente aceitáveis
Se há tempo ? Não sei …
Já não me permito viver além do hoje

A pergunta que fica para o amanhã, ou o ano que vem
Serei capaz ou audacioso em recriar um Ser das cinzas de uma vida equivocada?
ou
Novamente criarei outro Ser equivocado?
E fieis amigos anônimos, não estou a me equiparar a Deus, acho que Ele tem preocupações em demasia, e não deve perder tempo com egos em conflito.

Desejo que o frenesi agradável de natal e fim de ano, permaneça durante todos os dias de nossa vida.

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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O trem



Frases prontas e acabadas
A certeza absoluta
Convicção
Por outro lado
Estereótipos determinados
Imutáveis…   optamos pelo aceitável
Em contrapartida
A janela se fecha
O trem passa
Apenas um segundo e já é tarde

Felicidade é tênue , fugaz
Alojados em nossos medos e certezas
Manifestamos incoerências no agir

Palavras aqui milimétricamente escolhidas
Que nada revelam

A sensação que fica, transforma-se em imagem
A pequena estação de trem
Tarde chuvosa, húmida
Olhar perdido no horizonte nublado
Ninguém desceu do trem
E também não partimos ……

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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Babaca ou ante - herói

O herói é inteligente, preocupa-se, odeia, ama, chora, e pode ser feliz.
O babaca é o ser age da melhor forma possível, assim ele acredita, não pratica o mal consciente,  vive a fantasia na realidade, e convicto de que agindo assim é a única forma de viver.
O babaca, sempre é teimoso, continua assim agir, mesmo percebendo que alguma coisa à sua volta mudou, mas, o ego não lhe permite enxergar.
Então, babaca sempre babaca, assim será...
Suas carências se disfarçam em atividades conturbadas, obtém resultados a um custo por vezes por demais desgastantes e nada prazerosas, age assim, porque assim deve ser...
Vida de herói é simples, aproxima-se do “ser humano”, babaca é aliem no mundo, passa nesta vida a criar redemoinhos desnecessários, Dom Quixote sem causa a lutar com moinhos de vento.

Babaca ou ante-herói, procura seu destino na desculpa de desbravar possibilidades, desajustam o certo, e contribuem para que esse mundo seja melhor, sendo exemplo de como “não agir”.

Menino adulto que luta para enquadrar-se, sofre a dor do vazio,  nega a maciez do lógico e do provável.  (f.Shook)

Em resumo

 

Desde que me conheço, e isso já faz um longo tempo

Ajo como Noel em relação à amigos. filha, família e amores

Presentes distribuídos de formas mais variadas

Todos inicialmente mantém a fé da existência do Noel

E conforme o tempo passa , apesar das benesses em ser crédulo

O homem sobressai à Noel e o encanto desvanece

 

Ser Noel não é sustentável

Hoje reconheço

Há ofensa na troca 

O material pelo amor das mais variadas formas

Não há maldade ou atitude deliberada em assim agir

Ajo por não saber outra forma de me sentir seguro

 

Estranho possa parecer, mas há amor em cada ação

Amor egoísta talvez

Aprendi assim Ser, e, hoje com relutância assim Sou

 

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

sou um menino



Alguém gritou “sou um menino”

Chorava em algum canto, qualquer, sem lembranças

Chorava lágrimas tristes

Doloridas para a sua idade

Não compreendia


Estar ali sentado, espremido pelos próprios braços
Abraçando a si mesmo
Única saída

Soluço compulsivo, lágrimas molhavam a camisa
Bem vestido, porque está ali sozinho?
Cadê todo o mundo?

Já estava cansado de lutar, com tão pouca idade
Se não me engano, nem tinhas 14 anos
Já pensavas por todos
Cuidava como se homem fosse

Em dado momento, levantou , olhou à volta, ninguém o viu
Satisfeito, arruma a camisa
Não há sorriso, um semblante sério, pronto para tentar resolver o mundo
O homem dá alguns passos , olha, e lá no canto o menino ficou
Agora sim, esquecido, por tantos anos

Anos passaram, não pode mais dizer, “sou um menino”
Aprendeu que amar o próximo, é cuidar do próximo sem se aproximar
Rejeitou amores em nome do menino que não pode estar mais lá
O carinho torna-se gentilezas, o amor  favores
A aproximação transforma-se em educação

O menino não amou, o tempo não lhe deu essa chance
Lá ficou …
E o Homem que se tornou, uma lástima aos próprios olhos
E maravilhoso a muitos olhos

Não o enxergam, ele está lá, perdido entre tantos
Sua vida transformou , nada mais é igual
Não podes mais chorar, e nem tentar mudar
Preso estás, num passado que não pode mais ser presenciado

Homem menino
Qual deles optar, vivenciar o que lhe resta, como ?
Cedo para tentar, e tarde para recomeçar
Não podes mais dizer “sou apenas um menino”
Hoje homem és
Aja da forma esperada
Aguarde o tempo passar, e não tardarás a encontrar o menino
E já homem estender-lhe a mão, e com certo carinho lhe dizer
Vamos meu amigo, vamos …..

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domingo, 13 de dezembro de 2009

Eu sinto ?

 

Viver é uma tarefa difícil , mas , deliciosa

Nunca diga assim “quem sabe um dia” , pense com mais firmeza e determinação, sonhos para tornarem realidade, precisam mais do que um "quem sabe"

Pensar com vontade, faz as coisas acontecerem , devidamente acompanhada de uma boa dose de determinação

Não existe destino, usamos como desculpa pelas nossas indecisões

Nada acontece ao acaso, sempre estamos “interferindo” , então, acaso não existe *se aconteceu, é porque agimos.  Vale tanto para coisas boas ou más

Eu sinto, logo existo

Sabedor de todas as minhas condições ainda insisto

Em não sentir, ou me fazer não sentir

Estou a decretar a cada dia a minha inexistência

Como se assim, resolvesse minhas necessidades, meus medos

Enfrentá-los com a determinação heróica de um covarde ?

O resultado é exacerbação de sentimentos confusos ou a fuga

A coerência esvai-se na proporção do sentir

Eu fujo, escondo-me em minhas rotinas criadas para tal fim

Eu fujo, para o castelo que criei , onde serei o bom Rei

Venerado por atos de bondade, cortesia , mas jamais, deixando de ser Rei

 

Meus domínios são cercados por altas muralhas, pedras que foram ali colocadas no decorrer do tempo

Protejo-me do incerto

Pequenas aberturas, permitem a visão do campo verde e florido, não mais do que isso

Pessoas a plantar, passear, namorar, e eu ali, em meu trono a observar

A vida lá fora, acontece, simplesmente acontece

 

Invejo a coragem dos destemidos que lá vivem

Eu Rei , com toda a sapiência e poder, não consigo abrir portões

Ali fico, paralisado

Eu sinto, mas não consigo

Eu sinto e o tempo me mostra, que ser Rei , não me faz melhor

Eu sinto e a dor da incompetência de não ser Rei, me faz pior

Eu sinto, que ser um bom Rei, são migalhas de vida

Eu sinto, mais nada…

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sábado, 5 de dezembro de 2009

Espectro de mim



Carro é perfeito, não decepciona
As rodas novas são uma beleza
Ultrapassagem perfeita, 160 km
Hum
Acho que posso um pouco mais, sempre posso
O tempo passa rápido, a velocidade acompanha pensamentos

A leveza em que toco no volante, a luminosidade do dia é aconchegante
O vento tem cheiro de adolescência furtiva
Lembro-me do carro roubado do vovô
Continuo a acelerar, como se isso apressasse o que eu espero
Faixas , negro do asfalto, a relação tempo espaço convergem
Já não sei se estou ou já fui, curiosa sensação

A fuga me dá o tempo que necessito
Refazer-me , recompor pensamentos
Ser novamente ele
Nada é meu
Existência na diferença
Dicotomia,  não sinto , percebo ações como se fosse outrem
Viajo mas não dirijo
Olho-me a chorar
Fotos a imagem não reconheço
O tempo não passa
Sou
Espectro de mim

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Podia desistir

Vinha pela rua, e logo avistava a escadaria
Sem vontade, sou obrigado a subir
Cada degrau
Esforço sem sentido
Podia desistir
O clima piora, a chuva fina e fria escorre pelo meu rosto
O tom cinza do céu  confunde a visão do horizonte
Meus pés humidos doem com o frio
Podia desistir

Alguém passa por mim, correndo
Com seu guarda chuva a chocoalhar pelo vento
Não acabam os degraus, paracem que crescem no meu caminho
A distância é relativa, minhas dores não
Podia desistir

Pensamentos permeiam meu caminho
Não sei ao certo, são imagens do meu passado
Agradaveis lembranças
Fazem com que não sinta o caminhar por alguns momenos
Porque tais pensamentos , com a chuva cada vez mais forte
Onde quero chegar, lembranças não me leverão a lugar nenhum
Podia desistir

Porque hoje? poderia ter sido ontem , talvez amanhã
Confuso com minha descisão
Só sei que devo ir
Dormente meu corpo já não obedece
De joelhos, e com as mãos feridas , ainda continuo
A subir ...
Podia desistir

Escombros de vontade
A mão amiga não me encontrou
Ou cheguei cedo ou tarde demais, como sempre
Minhas lamentações e retórica não mais me confortam
Olhar sem jeito
Mãos que não sabem nada, absolutamene nada ...

Alguns degraus a mais, e não desisto
Tremulo com as possibilidades
Movimentos débeis que outrora eram fortes
O degrau gelado em minha face
Conforto-me ali, descanso

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Precioso

Ousadia em escrever algo precioso, que fale do que procuro, ou onde vou chegar
Penso que jamais poderei ter a certeza
São viagens sem volta
Idas e vindas

Não, que eu queira saber de tudo !
Quero saber de mim
A onde estou ?
Essa sensação de não estar em lugar nenhum
Passageiro é o que sinto
Fugaz

A arte de negar a vida, está aflorando das minhas entranhas
Pura falta de consciência
Tateando no clarão que se interpõe, entre a vida e a escuridão

Precioso é o tempo, sinto como areia a escorrer entre os dedos
A cada grão um segundo que não percebi
Essa é a razão
Se existir razão em viver sem perceber

Grito do meu jeito sem jeito
Exponho feridas cicatrizadas
Sorrio com lampejos de razão
Confesso !
Precioso é o tempo esvaído ao chão, sem utilidade
Que piso e reviro sem compaixão
Arrependimento não há

Pergunto-me ?
Os grãos espalhados não foram em vão ?

O que resta são gritos que ecoam na mente
Acordando-me desse sonho do tempo
Arriscando a viver !


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Pra que , nada muda

Linhas , compartilhamentos, textos, falas ……
Pra que?
Nada muda …

Pensamentos que sobrevoam, a esmo
Cansaços perdidos no tempo
Esperanças doloridas

Pra que?
Nada muda …

Sons no horizonte
Tempo que se acaba
Chão que se abre

Pra que ?
Nada muda …

Patético sem tempo

Absolutamente nada muda ...
E porque mudaria ?

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O sol no poente, dá a devida reflexão sobre este texto, todo dia acaba, é findo.

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