sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

FELIZ ANO NOVO

 

Que todos nós possamos aproveitar e percebermos  31.556.952 segundos de 2011.

Troquem meses, por dias, por horas e finalmente por segundos

Saboreie  cada momento

Enquanto é tempo

 

FELIZ ANO NOVO

Resumo de espera

Quantas estrelas contei
Infindáveis horas, janelas a olhar
Ruas vazias
Resumo do esperar
Me cansa já, os sonhos que terei que sonhar
Tempo que passará
Resignação a aflorar
E não sei cantar

Minha paga

Raiva que insiste em não ceder
Minha paga é o “silencio”, bruto e pegajoso
Envolto, quase me sufocando
Será tão precioso e inevitável tal paga
Percebo que sim, traz poder
Sem mais reservas, cedo
Como se dívida fosse
Assino com letra sem vida
Descolorida e sem vontade

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

CAOS

 

 

EU ACEITO O CAOS

SÓ NÃO SEI SE ELE ME ACEITA” (…. autor )

 

Não há controle

O tempo não muda

Acredite na viagem, não na volta

O horizonte é miragem

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Estou a dois passos do paraíso

 

Estou a dois passos do paraíso, acho que é assim a musica

Talvez um passo, não me recordo

Não importa quantos passos ainda faltam

A qualquer momento estaremos inevitavelmente a um pulo ou sopro

Ou nem isso

Já estamos e não percebemos

Procuramos o horizonte, pergunto-me porque?

Qual a necessidade?

Que fascínio o longe desperta?

O impossível parece ser tão agradável , é isso?

O desafio  ?

O mistério ?

Talvez seja o paraíso , onde transformamos sonhos em realidades

Podemos finalmente descansar, respirar e ser ..

Simplesmente ser, sem desenhos, premonições ou razões

Só , somente ser

 

Estou a dois passos do paraíso, poderia sim estar tranquilo , tão próximo da tão almejada felicidade , o éden

Conhecendo-me mesmo sem mais passos a dar, não posso acreditar que meus sonhos poderiam ser realidade.

Não há magica

Sonhos são sonhos e a realidade é o que vivemos

Se não queres sofrer, não almeje tal aproximação

A frustração o trará a menos de dois passos do paraíso.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Relicário

 

Aqui brincando em colecionar o sentido de frases musicais, enfrentando as frustrações e ansiedade de quem largou vicio, e do nada, escuto alguém dizer algo muito interessante, sobre meus olhos.

Não tinha certeza ainda do poder calórico deles, sem grandes explicações, era evidente que tinha que colar aqui, como se aqui fosse meu relicário !

E nesse relicário quardo lembranças de quartos de hotéis que passei ... se não fizesse tudo tão depressa, e não tivesse exagerado a dose, poderia ter vivido um grande amor ….

-Desliga o telefone se eu ficar um saco

-hoje eu tive um pesadelo e levantei a tempo

-lembrei de um tempo

-do escuro via o infinito sem presente, passado ou futuro

-eu vejo flores em você

-ouvi na radio a minha carta de amor, leve o mundo que eu vou já ..

-qual o sentido da realidade

-não aprendi a dizer adeus

-perdendo alguma coisa morna e ingênua que vai ficando no caminho

-não quero beber teu café pequeno

-se eu quiser fumar eu fumo, se quiser beber eu bebo

-um dia o caminhão atrapalhou a paixão

-deixa a vida me levar, vida leva eu

-girava o mundo sempre a cantar, não era belo , havia uma garota sim

-além de trabalhar como empacotadeira nas casas Bahia

-será preciso ficar só para se viver

-meu amor é passarinheiro

-Essa onda que tu tira , qual é?

-a vida é bela, tá tudo estranho

-outro dia outro lugar, o mundo vai acabar

-eu vivo o pesadelo do pop

-paraíso, para raios

-me encara de frente

-para todo mal há cura

-amor que não se mede

-quem disse que miséria não ri

-teu amor que tem cheiro de coisa maluca, não há como ficar imune

-quantas vezes o bagaço da laranja é o que resta

-eu tenho dinheiro e CPF, e eu não lembro do meu nome

-jacarézinho, avião, cuidado com o disco voador, tira a escada daí

-é do teu sorriso que eles tem medo

-nosso amor se transformou em bom dia

-me vira de ponta cabeça e me faz de gato sapato

-o prazer de ter prazer comigo

domingo, 19 de dezembro de 2010

Vidas a viver

"Quando a gente gosta é claro que a gente cuida
Ou você me engana ou não está madura
Onde está você agora"  by Caetano

Pedaços que lá ficaram
Destroços irreconhecíveis
Descrever impossível

Dizem que é assim ou assado
Não sei

Será que nunca serei o que se espera
Nem nas consequências eu choro
Que tristeza …

Dói esse corpo retorcido pelo tempo
Que de birra em birra se acaba
O êxtase do poder fazer é mero consolo

Sorrio aqui do meu lado, lendo tais frases
Tão distorcidas quanto o tempo
Ainda, que em certos momentos
Ache que me falte vidas a viver
Sobram-me vontades
Engano que suaviza ….

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

“GO TO … “


Expressar sentimentos, o computador faria melhor ?
A resposta padrão :  Computadores não sentem !

Acho interessante a analogia entre a forma de processamento de dados de um computador e o cérebro humano
Nós seres perfeitos, temos absoluta certeza que somos superiores
Em quantidade de dados, na velocidade de processamento  etc. ….

Já programei durante anos, com a preocupação em moldar a maquina à vontade e satisfação do “usuário
Linhas, milhares delas, infindáveis encontros da lógica, sim ou  não,  zero ou 1,  ligado ou desligado, e desta simplicidade advém a complexidade de servir o “usuário”.

Recordando as instruções lógicas de programação, a que eu achava interessante, e que nós seres perfeitos (usuários), deveríamos ter que era o “go to”, se algo não satisfaz a condição “vá para”.
E o mais incrível, que podíamos concatenar os “go to”, a tal ponto, que iríamos de um lugar a outro, até achar a condição que satisfaça o “usuário”.

Nós seres perfeitos, não temos tal possibilidade, se utilizarmos algo similar, de “ir para” algum outro lugar, deixaremos partes de nosso ser no caminho, com infindáveis horas de agonia , através da sensação “saudade”, e não esquecendo das centenas de lagrimas, a fim de humedecer e tornar físico tal sofrimento.

Devaneios diriam, não há similaridade entre opostos, entre carne e aço, pulsos nervosos e bit’s, quem sabe , só entrei em tal assunto a fim de protestar quanto a falta da instrução “go to” em minha vida, se tal houvesse não estaria aqui a escrever saudades que não sentiria.

.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Mais um dia …

Peço que me deixe

A estupidez me machuca

Há tantos caminhos

Já não sei discernir quais seguir

Perdi algo nesse tempo que me fez incapaz

Deveria ser proibido assim agir

Somos responsáveis por partes que tomamos em vida

Sem direito a dispor como bem quiséssemos

 

Assim aqui sentado , sem saber para onse seguir

Apoio-me em vagas esperanças

Que me fazem viver uma hora ou um dia

E não há pior esperança que a certeza da desesperança

 

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Caminhar neste estranho mundo

Sombra e névoa escondem verdades

Nem sou mais , apenas estou a vagar

 


E incrivelmente por mais que me ache deslocado

Nele estou focado, detentor de falas  e conceitos

Quanto mais esforço

…………

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Um único dia

Desde que nasci

vivi sonhos impossíveis

continentes voei

 

Nem sei , de onde vim

só fui realizando o que sentia

nada mais

só ia

 

Pensar em que

viver por que

Ir a onde

Nunca me preocupou

 

Só havia um dia

a ser vencido

o amanha era tão distante

 

Foi rápido ?

não !

afirmo foi passageiro, fugaz e efêmero

 

Entendo as expectativas, sei o que elas nos fazem crer

mas, desde meu primeiro dia

só tinha esse dia

 

Que mais poderia fazer ?

Encastelar

Hoje a sensação está forte

Poderia eu imaginar, que em dado momento estaria em tal altura

Avisando, não morri e não estou a subir aos céus

Estou vivo ?

Acho que sim, pelo menos meus pés ainda doem

 

Encastelei-me !

No alto das minhas convicções tão desgastadas

Expansão desenfreada de fissuras de toda espécie

Que se interligam e desmoronam

Encastelado, armadura prateada e armas em punho

Imagens e lembranças diluem como tinta escorrida

Aqui estou, tela mal pintada

 

Será que ao aproximar-mos do horizonte, que é nosso destino certo

Fugimos da realidade, como desculpa para nada saber ou sentir

Piada de mal gosto!

 

Trilhões de neurônios mal acabados

Exaustos estão

 

Minha compreensão limitada não me permite

Não mais !

Discernir onde principia a razão

 

Encastelado estou

Fugindo da distancia em que separa  :

A razão

e o

desespero de nada ter valido a pena

 

Ainda que seja assim, meus pés doem ….

 

 

.

domingo, 21 de novembro de 2010

Assim...

Queria estar assim
Sabe
Sem raciocinar
Deixar rolar

Mas não posso  , não consigo

É além

sábado, 20 de novembro de 2010

Pule ...

Tem frases que caem bem em certas ocasiões
"Só sei que nada sei"

Definitivamente não sei nada , absolutamente nada em viver

Vamos ficar por aqui, e não tem como eu não me dizer

Seu decrépito babaca retardado !

Vá aprender a viver, o tempo esvai-se

E não há filosofia que lhe salve

Pule no vazio ....

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

As vezes

AS VEZES ACHO QUE NÃO TENHO AMANHA
ESSA SENSAÇÃO FICA CADA DIA MAIS FORTE
INTERESSANTE VIVER
E NO FIM SENTIR ISSO

DÁ UMA CERTA FRUSTRAÇÃO

AS VEZES SENTIR QUE POR MAIS QUE FIZESTES
FOI INSUFICIENTE
NAÕ ATENDESTES TUAS ESPECTATIVAS E NEM DE OUTREM

DÁ UMA CERTA FRUSTRAÇÃO

sábado, 6 de novembro de 2010

O que faz querer viver a vida com paixão?


Perguntaram-me certa feita!
Amigo, o que te faz querer viver a vida com paixão?
Logicamente me faltaram palavras, era daquelas perguntas que nos fazem pensar, fica martelando e exigindo resposta.
Me ocupo com coisas que gosto, e raramente faço algo que me desagrada, sinto-me completo com minhas pequenas realizações, que aos olhos de outros podem nada representar.
A cada realização o sorriso é acompanhado, o stress não sobrevive, afinal faço o que gosto, com certo exagero, e nunca me canso.
Já plantei árvore, fui casado, tenho filha maravilhosa, escrever livro está nos meus planos, tudo nas possibilidades do que desejo.
Hoje, “SÓ FAÇO O QUE ME FAZ BEM”, posso ser irresponsável em nome da própria idade, e adquiri a liberdade   de “Eu sou” e não mais “Eu estou”.
Já passamos a linha, não há retorno, e não há o que perder
Existem críticas no sentido que devemos ter algo além desta ‘vidinha’, teríamos que nos apaixonar por alguém, afinal, como podemos morrer sozinhos, quem vai nos cuidar.
Diria que a morte é algo muito particular, é única, não tem como partilhar, e relaxado estou, sabedor que não há companhia neste processo, é nossa jornada, intransferível.
É o ônus por nascer.
E retornando à pergunta inicial, o que me faz viver a vida com paixão?
Vivo, simplesmente vivo, sem remorsos do que poderia ter sido.
Sou o máximo do que posso ser e que me permito sonhar.
Isso é paixão? 

.

domingo, 31 de outubro de 2010

Silencio negro

 

O som do motor, confunde com o chocalhar das ondas

Penso estar próximo à terra, só sinto pés gelados

A brisa fria de inverno, ainda confuso de como permiti isso acontecer

Iniciou essa balburdia em meu apartamento, acho que eram cinco da manhã

Recordo-me vagamente, de roupas , bebidas  e pessoas, distribuídas pelo aposento

A ordem não importava, pois não as conhecia

 

Encontrei tais pessoas, em alguma balada perdida e sem sentido

Daquelas que escondemos sem a pretensão de ser encontrados

De alma vazia a cada noitada finda, retorno

Mas, desta vez foi diferente, estou a tentar lembrar, mas com esse frio , estou paralisado

Pensamentos congelados

Vozes que ouço é de alguma língua distante, não fazem sentido

Ou não quero que façam sentido, pois, nada alterará o destino

 

Passos trôpego apoiando-se em cabelos negros

O perfume feminino odor de perigo eminente

Sabe, nossas sensaçãoes de proteção ficam nos alertando , e não obedecemos

Algo inebriava naquele fim de noite que não estava frio como agora

Sempre procurei aquela que fosse a certa, como se fosse possível, e aqui estou a pagar

O som do motor silencia, passos em minha direação

Dizem que relembramos toda uma vida,

eu não !

estava cansado demais

A espera irritava-me

 

Que silencio negro

sábado, 30 de outubro de 2010

Esta é a minha vida

 

Sempre me perguntei ?

 

É fácil escolher o óbvio

Confortável

e,

A cada luta inglória

Ou como diria minha mãe :

“birra de alguém que não aceita a unanimidade”

ou “desobedece por desobedecer”

Meu pai , afirmar que fui ou sou “rebelde sem causa”

 

Até pode ser …

Escolhas difíceis que fiz

Muitos ‘não’, que me custaram dores e incômodos infindáveis

Discussões homéricas , intermináveis e insolúveis

Devia as vezes me calar e aceitar …

 

Saio de tudo e de todos, com a sensação que era para ser assim

e que,

“Esta é a minha vida”

 

.

sábado, 23 de outubro de 2010

Gotículas


A rispidez do tom
Me faz imaginar o que foi aquilo
Suavidade no andar
Fluidez
É real ?

Aquece
Esquece
Abro os olhos
Chuva na face

Gotículas
Húmidas
Rolam ao acaso
Lagrimas falsas

Tarde fria
Porto de viajantes distantes
A dor da despedida
O tempo para
A imagem coberta pela bruma
Adeus silencioso

.

Terra quente, nua e crua


Já andastes por terras desconhecidas
Terra seca
Torrões que se abstraem ao andar

O vento que não sossega
O tempo que não para
O calor que desmancha suas últimas esperanças

E apesar de tudo, você gosta do som do caminhar
A cada passo o desprezo pelo acontecido
Ser invencível , mesmo no último andar

Não lhe ensinaram o ato de dobrar-se
Vais enfim, ao descanso
Percebes a sensação que lhe invade
De gloriosa ironia

Assim foi e termina a vida
Com total descaso ao porvir
Ó glória insólita
Ainda cabe o sorriso da abnegação
Foi como eu queria do inicio ao fim

E as marcas deixadas no leito seco
Nada mais eram que torrões amassados
Que ao vento desaparecerão

Percebo que nunca estive tão longe , terra!
Espalharei meus sonhos, como os grãos de areia
Meu último conforto
Terra quente , nua e crua

.

sábado, 9 de outubro de 2010

FASES

 

Sou sensivel, apareço em poucas fases

Sou mortal, sem parecer imortal

Sou tantas vontades e vidas

Sou cansado, pés doem

Sou hipócrita por não ser

Sou idiota , simplesmente

Já não quero ser, minhas vontades querem ser, aflorar à vida

Meus passos decididos é a resultante da indecisão

Caminho por ser inevitável

Já dizia o poeta, é preciso navegar

As ondas me levam a lugar nenhum

O balanço enjoa

Solte-me, deixe-me ir

De-me esperança de algum lugar chegar

 

.

Lembranças


Caro ser
Não sei exatamente se estás a ir ou eu estou a me ir, ou nem estamos a ir
A singularidade deste cartão, é que destaca exatamente o que não sei
Boas ou más chegadas ou despedidas, tem sempre revelações
O que eu poderia lhe dizer a fim de provocar o espanto necessário
Talvez uma lembrança caiba de melhor forma

Eu te acho uma ótima pessoa
  sabias ne?
que me espelho em ti
!”

Não faça isso querida, há espelhos que não refletem a verdade, apenas nuances , tenha cuidado
Estou dizendo que nunca fui boa influencia é isso
Pois
Desejo o mundo, mas sei das minhas limitações, e talvez, você ao ver isso, interprete da tua forma
Sou desejos, só isso
E as vezes, ser só desejos, é  solitário

hummm
não entendi pq é é desejos
? “

Porque, desde que nasci , desejo tudo e a todos
Isso exige, imaginação além dos limites
’corro atrás de um sonho a cada dia’
Então, o que sou aos 54 anos ?
Real, ou apenas um amontoado de desejos e sonhos, não realizados ?

ui ui uii
você esta saindo da realidade
você é o que é
você é real
se liga
meu Deus
!”
Fico feliz, que alguém me reconheça , só não sei se estou no palco ou na platéia
Duvida que me seguiu a vida toda
Na dúvida, me aconchego em algum canto do espetáculo
Ser platéia me divide, ser ator me completa.

.

Uno


Por que não falar da dor
Ela existe , machuca e não transparece
Sucumbir a este olhar sem expressão
Não ouvir as torrentes de negativas
Correr com medo do suave toque
Dor que dilacera a alma

Fiapos dilacerados que sempre se unem
Sem contexto ou nexo
Uno estou à sucumbir à dor

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Ahhhhhh

Tem que ser imoralmente lindo   
Não alcançe deixe estar
Tem que ter coragem de herói
Falta voz e energia
Tem que ser covarde
Nada possuir
Amaranhado de idas e vidas
Grite
 Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Realidade do Sonhar

 

Sem querer ser saudosista

Não tenho como evitar lembranças tão esquecidas, venham a transbordar em certos momentos

Certa conversa, esta noite , obrigou-me a resgatar passagens de vida , que há muito tempo estavam confortavelmente penduradas em cabides, no armário do quarto escuro

Sim, o barulho do ônibus , que levava a algum lugar descrito em rascunho de papel amassado

A carona que poderia reservar algum conforto,  não aconteceu, e sem alternativa estava ali, sentado, barulho do motor a ronronar  e meus medos adormecidos pela coragem repentina.

Ninguém sabia a onde estava ou a onde ia

Camisa coloria, cabelos compridos , calça boca de sino e a inseparável bolsa de couro , eram traje da ocasião, tênis tão antigos quanto o sonho desta viagem

Acho que nem era tão fã das bandas ou da musica, mas a reportagem do jornal , falava algo que seria único no Brasil, no interior de São Paulo, um Festival de Rock à lá Woodstock

Menino do interior , desço do ônibus, chuva fina caia, a vergonha não me permitia perguntar, segui àqueles que eu achava que eram iguais, já me permitia me achar assim, ensopado ando um bom pedaço, até a bilheteria, que se me lembro, eram madeiras mal formadas com ar de recepção.

Os poucos trocados que tinha quase na sua totalidade ali ficaram, entrei para o mundo que não conhecia, mas desejava, pessoas totalmente diferentes, não sabia o que fazer, mas ali permaneci.

A fome que sentia foi alimentada por meus olhares curiosos, nenhum detalhe permanecia intocado, as mulheres que atrevia admirar , eram sorridentes, decididas e de uma delicadeza extrema.

Em dado momento, alguém chegou e perguntou, ‘porque não entra na barraca está chovendo’, aquele sorriso sedoso convenceu-me.

Não era bem uma barraca, era um pano colorido enorme, que lembrava um circo aberto, só com a cobertura, amarelo e vermelho, e muitas pessoas ali, se aconchegando, a fogueira em brasas, bebida de mãos em mãos, baseados que não tinham dono.  Ela me disse , ‘qual seu nome’, e eu tremendo não de frio mas de receio que acordasse falei tão baixo , que a fez se aproximar com seus cabelos próximo à minha boca, repeti  meu nome, e ela ‘sou a Chris’, como se me conhecesse a vida toda, tal espontaneidade.

Estudante de jornalismo de cidade tão distante, língua ferina, opiniões politicas que me fizeram sentir como se Che Guevara fosse, em uma revolução nos EUA, e a favor do governo.

O dia amanhecia,  chuva grossa a cair

No palco sons de guitarra ecoavam no terreno vazio, poças d’água se formavam, e de repente uma avalanche de almas coloridas, brincavam  e tiravam a roupa , faziam amor, cantavam , na minha compreensão interiorana era a visão do preludio do fim do mundo.

Olhos encantados com a visão mais linda que já tinha assistido, pessoas livres de pudores e hipocrisias, sejam movidas por álcool, fumo , não importa, porque muitas ali estavam por se sentirem bem e livres.

Pingos em minha face, acordaram meus sentidos, era ela me chamando a atenção, e gritando ‘venha’ ….

Descreve-la nesse momento , acho que será impossível, estava ela nua e molhada, estendendo a mão com sorriso angelical, algo não coadunava , como pode, ela está nua e é angelical, ou meus olhos à época eram ainda inocentes, prefiro a primeira opção.

Estático é a palavra que melhor descreve meu movimento, não havia músculos que obedecessem meus olhos, e mesmo assim, a aproximação da visão foi inevitável , e seu toque novamente à realidade úmida me trouxe, tentei balbuciar algo, e minha roupa lá ficou.

Brinquei pela primeira vez na vida, ou , melhor dizendo a única , lama , risos, quedas, semeado por liberdade nunca experimentada, me fez renascer por alguns momentos.

A musica de Janis Joplin, ressoava, algo haver com Mercedes Benz, meu inglês era gutural, o dela era perfeito, corríamos loucos em sentir a chuva, sabe, acho que foram os dez minutos mais longos em nada ter ou ser, era somente a minha presença ali, com certo prazer de não haver expectativas nem sonhos. Era o ali e agora.

Todos , recolhidos à volta da fogueira que tinha sido alimentada , as chamas crepitavam, toalha no rosto, risos e roupas postas, o momento se aquietava, sem palavras nem ações, aquietava …

Alguém a beijou, me comprimentou  , e abraçados foram.

Não entendia o que acontecera ou não entendo, e o dia se foi.

Noite quente , shows aconteciam, eu e meu mundo nos reencontramos, eu e meus olhos, passeamos de mãos dadas, não havia mais toques só uma distância cruel, sentei-me em algum canto,  para só ficar, olhos fechados.

O ronronar do ônibus, a fome, cansaço, não conseguiam tirar o pequeno sorriso escondido, conseguira de alguma forma a realidade do sonhar.

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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Será que acontece …


Era três da manhã, a noite tinha sido vaga em todos os sentidos, só a musica estava presente, não sei ao certo, se foi descuido ou destino, quando repentinamente á minha frente surgiu alguém de roupa branca, sorriso que iluminava , freei bruscamente.
Á minha janela , ela apareceu, do nada, e dizia algo como ir a algum lugar, sem perceber estava ali ao meu lado, a conversa solta, como se fosse tudo normal, e talvez fosse.
Escutava e eu balbuciava algumas palavras e seguia ao destino que nem eu sabia , somente segui a intuição que ali era o caminho, e fomos noite adentro, a musica ainda presente.
A musica , ela, o carro, o mar, não conseguia mais perceber os limites da realidade e do sonho, minha racionalidade insistia , e nada acontecia.
Não é certo, onde estou a ir, quem é ela, quem sou eu, esqueci! , seguia o encanto das palavras , que vinham e iam com delicadeza estonteante, como se esperasse tal acontecimento.
A escuridão lá fora tomava corpo em contrapartida a luz ao meu lado resplandecia, por mais, que tentasse entender, nada entendia, só seguia.
Será que é assim que acontece, não pensamos e nem planejamos, o perfume deixava odor de saudade não acontecida.
Confuso, paro no lugar certo, sem saber ainda do futuro, e a porta abre e lá se vai, será que de novo deixei acontecer  o inevitável, ou era assim para ser,´ não sei.
O vento da noite de verão, fazia com que cabelos esvoaçassem e o perfume tomasse o espaço, a visão era completa não me deixava respirar, imóvel ali permaneci.
Minha vida se foi, e eu permaneci como sempre, imutável permaneci.
A lua, que traçava com luz as águas revoltas, me dizia , venha é por aqui ….

Hoje de manhã acordei


Hoje de manhã acordei

Hoje de manhã acordei
Os sentidos enlutados
O corpo cansado
A mente vazia

Hoje de manhã acordei
Sem saber o que serei
Ou, o que fazer.

Hoje de manhã acordei
E o dia era o mesmo
As horas passavam
E nada encontrei

Hoje de manhã acordei
Adormeci
Esperei
E nada aconteceu
Acordei...

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