quinta-feira, 29 de abril de 2010

A noite

 

Há tempos que não sabia que se foram

A vida me trouxe ao hoje

Percebo que as margens não vivi

Naveguei e aqui estou

 

Apago a luz

Fecho a porta

Escuto o silencio

 

Passos que me levam à dormir

E acordar para nova vida

Assim sempre espero

E não há desanimo, a esperança continua

A cada novo dia

 

Sem saber o porque, tais palavras trazem a nostalgia

De tempos idos

Meia luz da cidade, vagueando noite adentro

Será que nada mudou, sou ainda aquele mesmo rapaz , sonhador a caminhar?

 

Já vi a luz do dia

A preservei

 

A escuridão sempre trouxe a sensação de paz

Não há trevas

Fachos de luz, momentos de sensatez

Aconchego do querer

domingo, 25 de abril de 2010

Ontem eu morri

Whalace acho que era esse o nome do lugar, foi ali que houve o pouso forçado, ainda, meio que meio, não sei a onde estou, a sensação da queda, por repetidas vezes retorna à mente, a mesma seqüencia, e no final, eu agachado, esperando com os olhos fechados, se iria doer ou não. O barulho era muito forte do choque de metal com pedras , vegetação.

Recordo quando abri os olhos, não precisei saber se estava vivo ou não, o dia estava raiando, alguma dor nas pernas, mas , com a consciência muito clara do ocorrido. Ambulâncias , luzes vermelhas, e o sorriso de alguém jovem, perguntado se eu estava bem.

Agora estou na casa de alguém, a lareira acessa, está quente e confortável, esta lembrança do acontecido,e da minha reação não me abandonam, poxa, apenas sentar, e esperar  , triste isso, as lembranças de uma vida que dizem que passam em um segundo, não ocorreu.

Vozes ou sussurros, que escuto são dos meus anfitriões, a enfermeira que me atendeu, disse que o local é uma ilha, de difícil acesso do oceano pacífico, pensei comigo, como vim parar aqui , nem lembro das passagens.

Ninguém se machucou realmente, só escoriações, havia uma festa neste momento, a alegria por estar vivo.

Que decepção, vivo tantos anos, pelo menos achei que iria gritar, brigar, ou dizer ainda não, naqueles instantes finais, ou quem sabe, ficar com raiva de estar acontecendo logo comigo, será que foi covardia ou missão cumprida.

Prefiro fechar os olhos, escutar o crepitar da madeira na lareira, à ficar me questionando, afinal , aqui estou.

 

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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Patético

Definição de patético
Alguém que por algum motivo tenta sobreviver como pode
Acho que é isso

Motivado em ser aceito, ou quem sabe aceitar
Faz que não vê, deixa rolar
Enfim sobrevive

Tal definição provavelmente não está no dicionário
A tendência é a crítica desnudada
E o patético em dado momento, se toca !
Retorna ao casulo da rotina, do ser invisível
Não mais arrisca
Aceita a segurança da mesmice

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terça-feira, 20 de abril de 2010

Não há meia equação

 

Tomo decisões

Assumo consequências

Nada a dizer, somente viver

E deveria simples ser

 

Envolvimentos que nos fazem sair da razão

Silencio que nos deixam sem opções

E deveria simples ser

 

Questiono tal simplicidade

Somos complexos, nada é por acaso

Cada fato há um ato

Inexorável sentença

E deveria simples ser

 

Será que sou inocente em acreditar no impossível

Que somos donos de um tal “destino”

Que caminhos podem ser desbravados

Que nunca é tarde

E que por mais desesperador que pareça, nunca o é !

 

Simples ser ao nascer e nos tornamos nisso que somos

Bons ou maus, divertido ou sério,  e tantos outros adjetivos

Não há meia equação

Zero e hum

Tão pouco !

 

Exijo mais, quero poder ir além, nem que seja só um pouco

Mesmo que não saiba em que me transformarei.

 

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domingo, 18 de abril de 2010

450 visões

Notei que já escrevi 450 textos neste blog
Visões de momentos  , as opiniões não as escrevi
Apenas sensações do que poderia ser
Estranho, reler tais escritos, as visões tornam-se turvas com o decorrer do tempo
Certezas que diluem a cada segundo
Mutações de um ser

Estranho no ninho, louco, medíocre, e outros adjetivos
Os desejos nos fazem ser mutante, mesmo que a cada dia , estranho continue
Os compromissos desataram

A incompetência sempre acompanhada da tolice
Eita junção que nos deixa frágeis
Sem saída ou remédio

Talvez todas as linhas aqui escritas, reflitam desejos
E o tempo a me dizer, tic tac, está no fim
Corro sem planos, vontades me guiam
Antes do Game Over

Se sou bom nesse jogo, já não sei, nem faço questão de saber
Sigo  regras das emoções
E se perceberem, o jogo em que vivo, aqui está descrito
Em 450 visões


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quarta-feira, 14 de abril de 2010

A única rosa

 

Hoje, desde manhã a imagem está la

Surda

O céu muito azul

Eu em pé observando a plantação que se perde no horizonte

As folhas secas, rosas que não foram colhidas

Tom marrom meio cinza

Imóveis

 

Meu olhar está fixo em um ponto

Uma única rosa, ainda em botão

Verde oliva as folhas e pétalas branca

Destaca-se no meio daquela solidão seca

 

O que será que estou a divagar naquele instante

A visão da rosa única, me traz qual lembrança ?

O clichê de que há esperança ? Duvido …

Que os fortes sobrevivem ? Não sei …

Talvez a expressão que somos único, e sobressaímos quando igualamos os demais.

 

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Insisto em ser eu

 

Será que ainda terei palavras à escrever ?

Emoções  esvaem-se

Meu tempo está a entardecer

 

Sempre que aqui estou , imagens substituem às palavras

Não escrevo, desenho sonhos

Traços frágeis

Delineiam pensamentos

 

Poderia eu saber fazê-lo diferente

Decididamente não !

Sou traços e rabiscos em crayon

As cores perderam-se

 

Tenho vontades que aqui desenho

Sopro de esperanças

Que já nem mais sei quais são

 

Desenho minha alma em preto e branco

Desgastada, fragil e limitada

O tempo assim o quis

Não soube ser diferente, e, ainda assim

Insisto em ser “eu”

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Não

 

Queria poder dizer não

Simples , prático, decisivo

e definitivo

 

Meus ‘não’ nunca foram sonoros

Vontades esquecidas

O ‘sim’ conciliador sobrepõe-se

E esperamos que amanhã seja diferente

Não é !

Apenas novas situações conciliatórias

Outros ‘sim’ tomam lugar

 

Reconheço que sou conciliador

Covardia em evitar confronta mento, talvez

Ou, receio de experimentar a sensação de liberdade …

 

 

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domingo, 11 de abril de 2010

Paisagem

Hoje, final de tarde, sem pretensões resolvo seguir um caminho
O veículo nos leva a essa vontade
Fui, não sabia a onde iria chegar
A paisagem urbana transformava em verde
As estradas estreitavam
A agua espreitava, pequenos regatos que atreviam a transpor o curso
E eu, já sem entender , emocionado com a paisagem, transpunha montanhas
A sensação do desbravador de áreas inexploradas
Em dado momento, parei
Esperando ouvir o ruído da floresta, e nada
Silenciosa me observava

A pajeiro que adquiri, proporcionou-me a emoção que há muito esqueci
Não poderia deixar de falar do veículo, a sensação de segurança e potência
Me fez um desbravador

Estou a falar , pois, andei trocando de veiculos, e de repente
Algo me fez sentir bem
Vi que não é dificil ter um hoby, algo que nos faça sair da mesmiçe
Que façamos sem pensar em custo, troca, comercio, ou algo do genero
Apenas, o prazer da diversão
Tento resumir, a relação da paisagem natural  com a tecnologia da maquina
Tal relação nos faz pensar em camada de ozônio, na preservação da natureza
Sem necessidade de abrir mão da tecnologia
Podemos viver tempos modernos , da produção em série, e ao mesmo tempo
Poder contemplar a natureza em toda sua complexidade
E humildemente perceber que somos infinitamente pequenos e tolos.

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sábado, 10 de abril de 2010

Há caminhos e encruzilhadas, que nos fazem partir sem dizer adeus

 

 

Conversando com minha filha, ela sempre com a voz delicada de quem me entende

Nunca necessito falar , ela sabe

Não há novidades nem decepções

É tranquilo

O final  “ Eu te amo e fica com Deus” reconfortante

 

Há saudades da presença, mas a existência por si só , contempla a paz

Explicar tal frase, é impossível

Assim sou com aqueles que estou em paz

 

Refletindo sobre tal sensação …

Parece-me que existe a necessidade de encontrar para obter paz

A paz e a distância se complementam, não agride

Como se houvesse a necessidade de galgar a próxima montanha íngreme

Sobre o cume contemplar a paz do momento, não pela conquista em si

E sim, por partes do meu eu , que lá ficaram

Só existe esse momento por existir a montanha, somos nós que lá chegamos

 

Não há esquecimento da minha parte, pelas montanhas que galgamos juntos

Sem estrelismos, hipocrisias, foram e se foram

Há caminhos e encruzilhadas, que nos fazem partir sem dizer adeus

Símples e tranquilos a aceitar o destino que optamos

 

Seguimos a contemplar a próxima montanha, e que esta nos aceite !

 

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domingo, 4 de abril de 2010

Refém de mim


O melhor frasco não é o melhor perfume, e a essência não tem validade
“saikō no botoru wa , saikō no kōsui de wa naku , honshitsu wa yūkō de wa ari mase n”

Eu escrevendo algo do gênero me deixa até sem jeito
Provar o que , com isso ?
Acho que nada, apenas uma satisfação pessoal, de me achar melhor hoje
Sem grandes discussões, não é a intenção
Afirmo que com o tempo, a tendência é solidificar as tuas qualidades boas ou mas
Ficam afloradas, talvez por não mais haver necessidade de mascaras
Até faz questão que suas asperezas fiquem à mostra
Algo como , estou liberto, mesmo quando estamos na berlinda, ainda sim, não nos mais importamos que tal fato venha ou não ser exposto
“Somos o que somos, e não o que poderíamos ser”
Gosto desta sensação
Mesmo que venha nos fazer sofrer, ainda é interessante
Sobrepujar olhares
Surpreende essa tal liberdade
Descobrimos que nada tínhamos a perder
E que na realidade , protegíamos nossas hipocrisias
Que engano, mas, mesmo acordando tardiamente ainda temos tempo
Hoje provocamos espanto por não sermos convencionais, exatamente por nada ter a perder
Só me pergunto, se voltar a “ter”, serei refém de novo?
Ou aprendi a lição.


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