sábado, 29 de maio de 2010

Frases

 

Achei interessante um programa na rede cultura, em que pessoas de certa idade, lá do nordeste

Com a sua simplicidade característica, respondiam perguntas

 

Felicidade?

“Querer , eu não posso

Quando tive, não entendi”

 

A morte?

“O cabra que tem medo da morte, já ta morto

Sei não, quando morre vai po céu, sei não

Acho que ia ta intulhado de gente la em cima

Num cabe tudo la não !

Acho que vira terra mesmo”

 

Depois da morte?

“Nem minha mãe que gostava dimais d’eu veio me dizer o que acontece”

terça-feira, 25 de maio de 2010

Incólume ainda estou

 

Determinado

a ponto

de ser irresponsável

 

Nunca pensei, desta forma, mas escutei tal frase , naqueles filminhos água com açúcar

Como se encaixa perfeitamente ao meu modo de agir

Assim sempre foi

 

A cada dia, distancio do ontem, numa penumbra de conforto

E o amanhã, não importa, será inevitável

Incólume ainda estou

Ando devagar


Partes de musica de ‘Almir Sater’
Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais..
Só levo a certeza que muito pouco sei, nada sei ….
É preciso amor para poder pulsar, é preciso paz para poder seguir….
Sinto que seguir a vida seja simplesmente conhecer a marcha e tocando em frente ….
Cada um de nós compõe a sua própria história …
Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz …

Escutando tal composição, senti-me permeável aos versos
Há dias estranhos, em que ficamos acordados sem motivo
Parece que o peso da vida recae estupidamente num momento só
Sentimos que a fragilidade está disfarçadamente presente
O que fizemos ou queremos, deixa de ter razão

Já não luto com tais sentimentos
Fujo para a fantasia dos sono dolorido
Preparado para o amanhecer
Que necessariamente não será igual
Assim vivo meu renascer

sábado, 22 de maio de 2010

Somos o que parecemos ser

Quanta sofisticação nas escolhas

Hoje precisamos ser mais do que somos

Não basta ser, é preciso mais do que isso

O freguês tem que se adequar a rótulos

O que vestimos faz parte das qualidades

O carro é a extensão do corpo

O trabalho é o meio, a renda é o fim

 

Hoje somos ser com apêndices

Acabou o homo sapiens

Necessitamos parecer ‘ser’

A simplicidade foi travestida de marcas

O conhecimento necessariamente advém de títulos

Somos o que parecemos ser

 

E dai?

Saudosismo será

Não é o caso, é que sinto necessidade de ‘ser’

Somos parte dos que nos olham

Isso é real

Mas , será necessário perder a identidade

Para ser reconhecido?

Isso me faz pensar …..

 

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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Será um conto de fadas

 

Escrever é arte de expor o intervalo, entre a vida e a morte

Em extensas linhas ou em branco

 

Tento de algum modo descrever

A loucura sem sentido, que povoam tais textos

A fantasia real se torna

Difusa é a forma de expor

As palavras tem duplo sentido

Frases mal acabadas

Inicios sem fim

Vontades tolhidas

O irreal toma forma

O real se entrelaça à imaginação do absurdo

 

Será um conto de fadas em algum reino longínquo

Vivendo para todo o sempre

Felizes e estáticos os personagens lá estarão

Esperando o próximo texto

 

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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Sem título

 

Perguntaram se eu estava frustrado , triste ou com raiva

Por algo que aconteceu

Na hora não soube responder, e neste momento estou a pensar sobre o questionamento

Eu me aborreço ?

Acho que não !

Acostumei com as negativas que a vida nos oferece

Aliás, não posso reclamar de nada

Mesmo, que as ofertas sejam parciais

Queria eu, ainda te-la por inteiro

domingo, 16 de maio de 2010

Ir por ir

Andando sem a pressa que me é familiar

Preocupado a cada passo dado

O terreno era indefinido, não sei se estava escuro ou nem enxergava

Era o que podia ser, o inevitável, tinha que ir

A sensação de premência era permanente

Minhas funções vitais estavam alteradas, acho que era o frio

A dor era consequência

Respiração pesada

 

Fixo num ponto no horizonte infinito

Cabia raciocinar e desistir, jamais alcançaria

A estrada se perdia

 

Nada me faria mudar ou desistir, já não importaria as consequências

A tentativa valida

 

Porque me deixo assim levar, sem resistir

Consciente estou

E assim mesmo, estou a ir

Será um sonho real ou pura permissividade do meu ego

Viagem sem volta

Estou a ir por ir, passos esquecidos

Futuro incerto

Vontade aquietada

 

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sexta-feira, 14 de maio de 2010

Óbvio

 

 

Eu queria tão pouco, um jantar quem sabe

Risadas sem sentido

Pra que compromisso, se podemos rir

 

Aquela volta de carro sem fim

As mesmas ruas, só as musicas mudam

A paisagem é conhecida

Aconchegante o conhecido

 

A oportunidade de não ser e nem ter

Viver

O óbvio nos surpreende

 

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quarta-feira, 12 de maio de 2010

Bolinha de gude

 

Eu vi uma bolinha de gude, era colorida, o desejo de tê-la

Teria que jogar, para poder ganhar

Fiquei observando , os movimentos, e o menino ganhava todas

Eu segurava as bolinhas que tinha, minha coleção, abriria a mão e arriscaria?

 

A tarde estava quente, ainda de uniforme escolar

Sabia que não era bom jogador

Não arredava o pé, estava fascinado

 

Finalmente, ele ganhou a última do jogo, alguém sai correndo chorando

Medo, excitação pela possibilidade da sorte me alcançar

A respiração era entrecortam-te, a boca seca, e coloquei a primeira uma azul

A primeira jogada, me saí bem, sorriso largo

E em seguida, o semblante já sério, havia perdido duas das três

 

Minha última e derradeira tentativa, meu uniforme já estava marrom da poeira

Diziam que eu ia perder, eu não os encarava

Pensei, poxa mereço tal bolinha colorida, afinal não faço nada de errado

Deus me ajude, tenho que ganhar

 

Que nada, perdi feio

Levantei-me, envergonhado pela ganancia e pelos deboches

Não chorava

A raiva crescente por não ter ganho ou de ter entrado no jogo

Que de antemão sabia quase impossível ganhar

 

Apostei alto demais, além do que eu podia

As minhas únicas bolinhas coloridas, ali ficaram, em mãos estranhas

E em casa, no meu canto, olhava as bolinhas que nunca saiam do pacote

Eram normais, sem cor, sem vida, sem glamour

 

Minha mãe se aproximou, já sabia do ocorrido

Sentou-se ao meu lado, pegou uma das bolinhas

E disse “Filho já notou que esta bolinha tem um pingo branco no seu interior, como é bonita”

E remexeu o pacote, outra observação “Esta tem uma rachadura no interior que dá um belo efeito”

Levantou-se e sem nada dizer afastou-se

 

Olhei com curiosidade, várias delas tinham detalhes que as diferenciavam

Conseguia contemplar a beleza na semelhança

E com certo sorriso irônico, o pensamento veio

Tenho novas bolinhas especiais,  e agora poderei tentar novamente

Ganhar a bolinha colorida, “eles que me aguardem ………”

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COMO NÃO APRENDEMOS NADA NESSA VIDA

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domingo, 9 de maio de 2010

A montanha

 

montanha

Acredite o sol estava forte em pleno inverno

Acordei cedo, como se tivesse muita coisa à fazer

Andei pela casa, fiz café, tomei banho e sentia a necessidade estar lá fora

 

Bateram à porta, toque leve e sutil e desconhecido

Já nem sei , porque naquele momento meu coração disparou

Inquietante essa é a sensação

Acabei de me vestir, e não houve mais toques , só o silencio

 

E como fosse fazer algo inimaginável  e sem pensar

Abri a porta

O sorriso me dizia ‘bom dia’, ‘me desculpe a hora’, ou algo assim

Em estado letárgico ali fiquei, olhando primeiro o sorriso, os cabelos

Só muito tempo depois, ao menos para mim pareceu ser

Ouvi a voz, as frases, que eram inteligíveis

 

Eu, meio sem voz, consegui dizer ‘bom dia’

“Sou a sua nova vizinha, e quis me apresentar …….”

 

Meu mundo desmoronou, será uma visão, miragem …

Estou a morar, há anos no alto desta montanha fria

Viva alma se atreve ali chegar

Minha companhia é meu cachorro e ursos que vem incomodar

O tempo não existe, nem espera , os sonhos ficaram no sopé do cume

 

Fecho a porta, sem nada dizer

Se era visão ou real já não importa

Deixo ir …..

Apego-me às lembranças e tal porta não abrirei

O dia continua lindo e frio, como todo dia

Sento à frente da maquina de escrever, que teima em sobreviver

E estas linhas estou a escrever.

Bom dia

 

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sábado, 8 de maio de 2010

Doces linhas

 

Queria poder escrever as entrelinhas

Sem pudores ou hipocrisias

Cedo ao medo da verdade

E aqui me calo

Com doces linhas

 

O que será preciso para ter rompantes de verdade

Será que doem tanto quanto a mentira

Acoberto minhas vontades

E definitivamente fico com doces linhas

 

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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Tarda mas não falha

Queria sonhar menos
Desejar o suficiente, e este bastar

Plantar sementes, ve-las verdejar
Observar a vida sem compromisso

Já não sei a textura da terra
Nem, se o vento no inverno ainda gela
Sei tão pouco da vida

Nunca fui dono do tempo
A existência nunca foi palpável , a não ser em breves momentos
O que tenho a cada dia vale menos
Deprecia na proporção do meu conhecimento

Será necessário nada ter?
Ou o que?
Afirmo :
Ser reconhecido por ter, não satisfaz a alma !
Tarda compreender …..
Mas, é inevitável

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O jantar

 

Lá vamos nós a arrumar o que não tem concerto

Mesmo assim, penteamos, roupa coisas assim

Sem sentido mas necessário

 

Viajem quilômetros adentro, pensamentos

Conversas frias , o calor esvai-se em necessidades

O contorno é o mesmo, as cores não se alteram

E o tempo passa

 

Lá vamos nós, a pedir algo que não queremos

Assistir o movimento sem trocas de palavras

Finalmente  o interloctor não está, o que era esperado

E sem os quereres eu me ofereci a ali estar

 

Cumpri o ritual esperado

Um boa noite ao meu eu

Missão cumprida

 

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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Face


Há marcas
Profundas
Ultrapassam a carne, machucam a alma
Delineiam as ações

Que força é essa, que refletida no espelho se mostra tão forte
Toma todo o espaço
Não há olhos, só marcas
Nem vontades

Refletido me vi
Desconheci quem seja
Não há referencias
Procurei no verde dos olhos a luz
Esta opaca, a chama há muito desapareceu

Quem sou, terei que descobrir sob as marcas
Curioso estou, quem descobrirei?


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sábado, 1 de maio de 2010

Dante

Dificilmente consigo escrever, sem conotação à  imagem

Hoje acordei , com a imagem de um rio, as águas corriam lentamente, sem borbulhar, silencioso

O barco, pequeno de madeira, a cor se me lembro bem era vermelha, não havia remos ou timão, ele seguia a correnteza do rio.

A paisagem em ambas margens, eram estéreis , pedaços de coisas que eu não conseguia definir bem, como se fosse a tristeza ali pintada

A vegetação não sei porque motivo, tinha o tom marrom, sem vida,  a cor do silencio, que nem sempre é negro.

Assistia com espanto, a vida, que ali não existia, apenas manchas e borrões, a indefinição era constante.

A água era espeça , não fluía, as espumas brancas e límpidas, ali também não existia.

Que imagem é essa, como estou aqui a assistir sem nada fazer, cadê os encantos que outrora vivi, deixei que isto acontecesse, porque vim ao barco , porque , porque, não sei.

Vejo pedaços de arvores , parecem que foram queimadas, ou algo assim, pedaços e mais pedaços, de vida, ali torrados , inertes, sem nenhum sinal, que um dia floresceram.

Cena Dantesca, só não há pessoas a queimar no inferno, a sensação é a mesma, o vazio .

Fico ali sentado, à observar, o que posso fazer, a não ser aceitar que ali estou, sem razão e sem destino.

Nada mais a fazer , o rio me leva

Queria eu poder ainda, com pinceladas de cores vivas, mudar a cena, já não tenho habilidade ou vontade de querer mudar, meus pertences deixei à margem, sonhos também, agora, livre estou a seguir o destino que aqui está, tão claro e mórbido e inevitavelmente vivo.

 

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