terça-feira, 31 de agosto de 2010

Logo hoje



Logo hoje
Porque não ontem ou amanhã?
Pessimismo ou o que.

Hoje admito que esteja um pouco mais perto
E nem tão longe da onde vim
Não há mais preocupações

É só viver
Em goles nada pequenos,
Doses maciças!
Diariamente, de hora em hora
Até não poder aguentar mais

Não pense em viver um século, mas o século em um dia.
Seja intenso, tu podes.
Se vier a desilusão, vá fundo, desça até onde consiga ir.
Volte!
Se vier a iludir-se, abrace e dance com miragens.
A realidade não existe, nós a desenhamos e sempre será passado.
E
Finalmente não sentes no banco de praça a assistir a vida
Tu és vida, enquanto acreditares no improvável e impossível.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Aconteceu

 

Me lembro da chuva

Asfalto quente

Vapor d'água dava a sensação de algum lugar longínquo

Sons e cheiros inesquecíveis

A terra molhada

 

Lá se vai anos

A cada chuva a procura da sensação

Talvez sejam só lembranças

 

Nada mais é igual

Nem diferente

 

Mudei ao caminhar

Pedaços que se perdem e recompõe

Sem pertencer ao todo

Sou, soma de descaminhos

Não é triste nem melancólico

É a vida como ela é

Aconteceu ….

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Eu fico

Sei, acontece todos os dias
Quem sabe outra hora
Não podes, eu entendo

A rua movimentada, o calor abrasador
Volto a passos lentos
Tanto a fazer
Mas, ainda estou a olhar o movimento
Pessoas que lembram não sei exatamente o que
O ruído do ônibus me dá sono
Como se o passado presente estivesse

O balançar , abrir e fechar portas, sons conhecidos
A chuva no vidro embaçado, sem aviso
Nostalgia precoce
A conversa do casal ao lado, sobre algo que tinha acontecido
O outro no celular
Sons sem sentido

Qual  parada devo seguir
Que diferença faz
Com licença, desculpe
Estou na chuva a observar a partida
Sensação conhecida
Sempre fico, nunca vou
Quem sabe o próximo ônibus, tenha a saída certa
Enquanto isso, ainda percebo a chuva fria
E a duvida se haverá uma próxima partida …

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sábado, 14 de agosto de 2010

Tango

 

Escrever algo de fácil compreensão

Seria impensável

Há momentos que o ritmo da vida é um tango

Movimentos compassados

Passos rápidos com paradas abruptas

Meia luz, um tom de bordel

Cores vermelha e branca

Há fumaça no ar e embriagamos com as risadas soltas

 

Queria eu, ser compreensível

Agir de forma esperada

Talvez seja a solução, e assim ser compreensível

 

Passamos a vida a lidar com vontades e expectativas

E ao passar por caminhantes das estradas

Olhamos com ares de superioridade

Somos compreensíveis e eles pobres coitados , não acharam o ritmo

 

Hoje falta-me a compreensão, já não tenho tais olhos

Tenho dúvidas

Minha superioridade esvai-se

Quem sabe já fui e ainda não percebi

Agora danço ao ritmo, embebedando-me na sutileza do final

 

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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Missiva

 

CArta1

Missiva, curtinha, sem rodeios

Palavras doces com sentido

Papel branco e caneta azul

Envelope devidamente escrito

Endereço completo

 

O dia a raiar, carta pronta

Porta aberta

Lá vai ele, a segurar a esperança entre os dedos

 

Os passos já não são tão ágeis

Ofegante até

Obstinado

 

Última olhada ao destinatário

Como se fosse adeus

 

Lá se foi, a missiva de  uma palavra

A sensação de poder partir lhe permite sentir o sol no rosto

Os passos já não tem sentido

Nem o destino

 

Brotam frases que lhe acompanharam

“Não vor por ai ! “

Sorriso ilumina-lhe a face, de como foi tolo

A vida toda

 

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domingo, 1 de agosto de 2010

Laços

 

 

Assisto meus atos desenrolar

Consequências não desejadas

Assisto

 

Será que é assim que somos inatingíveis

O desenrolar da vida e suas estranhas reentrâncias

Acontecem não ao acaso

Mas por consequência

 

O passado que deveria se-lo

Não o é

É presente, em sons , atitudes, lagrimas e sorrisos

 

Emaranhado que nos envolve

Não existe inicio ou fim

Só comprometimentos desfeitos

Dores letárgicas

Sonhos nublados

 

A dificuldade de encontrar caminhos

Opções

Confusos tropeçamos em nossos pecados tão antigos

Exigimos o que não concedemos

Tolos a lutar e emaranhados continuar

 

Palavras ditas , cruéis, doloridas, que saem, como protesto

Gritamos na expectativa de alguém ouvir

Sós estamos

 

Laços vermelhos que sobrevivem à morte

A dor da perda , nos faz ter que seguir, sem a mão estendida

 

Torpes, delirantes

Tateando , experimentando

O passado nos enganando

A luz que nunca chega !

 

A sensação de que o fim se inicia

O recomeço do passado esquecido

Inevitavelmente renasceremos

 

Vivos !

Os laços lá estarão

Sempre estiveram

Não mais vermelhos

Verdes , pois irão florescer

De forma diferente

 

Dizem , que a vida é apenas uma

Discordo, ela pode ser uma eterna surpresa

Previlegiados somos

Viveremos tantas quantas nossa necessidade assim exigir

E a paz encontrar …

 

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