sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

2012 - Gosto de pipoca e finais felizes

pipoca

Sempre tão sério ou carrancudo, preocupado com a sobrevivência humana, discussões intermináveis se Deus dirige nossa vida ou o livre arbítrio é o que nos faz melhores ou piores, se agimos com egoísmo em não amar, fugir de dores que porventura poderiam nos atingir, são imensas as possibilidades , a vida pode tornar-se complexa com o conhecimento, a simplicidade se esvai entre os dedos, quando decidimos controlar variáveis impossíveis.

Gosto de pipoca e finais felizes’, que choque, tal frase profunda pela simplicidade não veio de algum monge tibetano, e sim de filme ‘Agua com açúcar de tardes de verão’, a assertiva do gostar de algo, sem a dúvida ou entremeios, e o desejo dos finais felizes, que de alguma forma o atingirão.

Me faz refletir do quão distante estou, da simplicidade e humildade, pois, discursar sobre a vida em apenas duas vontades, e nela terminar em si, é algo que não conseguiria, seriam necessárias laudas e mais laudas, e o final seria confuso como é de se esperar.

2012 , com todo respeito que é merecedor, vamos ver, se este vivente abre mão da lógica, filosofia e teimosias, e quem sabe, tranquilamente com os pés na areia da praia, possa sentir o frescor d’agua, a brisa e o por do sol, e SIMPLESMENTE SENTIR A VIDA NA SIMPLICIDADE QUE ELA É,  vivemos e morremos, o entremeio cabe a nós proporcionar a tal felicidade, quem sabe comer pipoca e chorar de alegria por finais felizes.

Feliz Ano Novo

A praça





Grama ardia, coreto descoloria e o jardim sumiria
A praça confundia, já não sabia onde ia
Olhos entreabertos, imaginando se acordaria
A realidade acalmaria, e a praça no passado ficaria

Borrões de lembranças, na esperança que superaria
E mais um dia teria
A pintar a face branca do porvir
E nas noites saberia ir …

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Invisibilidade constante

silhuetaa

Translúcido à olhares

Invisível a vontades

             Opaco

 

Não és brisa nem tempestade

És entardecer no outono

Folhas ao chão

                 Esquecimento

 

Amanhã ou ontem tanto faz

Não és presente

És o hoje a esquecer

Fugaz

 

Se noite fostes, a lua lá não estaria

e dia jamais serias

És tarde chuvosa em alto mar

           Vazio

 

A existência reduzida à poucas vontades

Ceder e nada exigir,

passará…  simplesmente   passará

 

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domingo, 25 de dezembro de 2011

NATAL de todo dia

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Como havia me prometido, surpreendi a mim mesmo, camarão e filet de peixe grelhado, o querido garçom distribuía simpatias e gentilezas, sei da preocupação de se passar a noite de natal fora do convívio familiar, de alguma forma, além da  gorjeta  substanciosa, tenho certeza que meu muito obrigado e Feliz Natal, nos deixou mais felizes.

O que me fez refletir no jantar, o fato do garçom também ter família, por isso, meu Feliz Natal, deve ter amenizado a distância que se encontrava da família, e tantos outros que tem compromissos nas noites natalinas.

Estou longe de ser cético quanto ao Natal, pois , levei bom tempo para saber a verdadeira história de nosso amigo de barba branca e roupas vermelhas, e hoje assistindo filme sobre nosso bom velhinho, ainda , posso me emocionar e sentir traços de velhas e boas lembranças.

No decorrer do filme, achei uma graça o fato de Papai Noel hoje ser representado como Super. Homem, é humano e sobrenatural, e neste caso específico , era até separado e tinha filho, à procura da Mamãe Noel, renas divertidas que falavam linguagem inteligível, elfos jovens com 900 anos, e linha de produção na fábrica de brinquedos.

Estas linhas, como sempre, tem significado, principalmente para mim, a cada nova leitura que faço e em 2012, espero lembrar todo dia.

Que Natal é a época em que lembramos o que deveríamos ser todo dia,  pois, a sensação é indescritível,   ‘Amar o próximo como a ti mesmo’.

FELIZ NATAL

sábado, 24 de dezembro de 2011

Recantos

 

Se esqueço fácil, definitivamente não !!!

Uso o subterfúgio da memória seletiva

Há recantos obscuros, que nem ouso adentrar

O tempo mascara as trilhas

A realidade,  encarrega-se de novas criar.

 

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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Mendigo

 

MAOPATI

Estendi a mão, e ficastes vazia

Tal moeda não me salvaria

Escravo dela me tornaria

Mendigar perpetuaria

E pela eternidade desejaria.

 

 

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Ouvidos

ouvido

Noto que me faltam ouvidos, não sei a onde foram

O que importa nestas poucas linhas, como é interessante nós Ser Humanos, estamos prontos a receber, e temos tão pouco a dar.

É maçante receber a paga pelo tempo que nos foi dado por ouvido alheio, nossas bocas não tem memória, deve ser isso.

E para vocês que tem a petulância e audácia de ler estas poucas linhas, devo-lhes, pois seus olhos tem memória.

 

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domingo, 18 de dezembro de 2011

A Esteira

A esteira

Acabei de fazer 2 minutos extremamente cansativos na tal esteira, adquiri já faz um ano, não nos relacionamos muito bem.

Escolhi um quarto somente para ela, não abro mão da minha privacidade, achei a posição perfeita, lá está ela, voltada para a paisagem da grande cidade, onde há mil pontos a observar, recordo-me bem , que após a montagem de tal artefato, fiz planejamento da sua utilização, ao acordar, depois de almoço e antes de me deitar, e como já era tardezinha, nada melhor do que começar tal rotina, no próximo amanhecer.

Vamos dizer, que a sua existência me incomoda, pois, há sempre sentimento de culpa a cada vez que passo pelo quarto, e a vejo lá, olhar de quem está insatisfeita, promessas não cumpridas.

Nos primeiros dias, achei a solução perfeita, fechei a porta, pronto já não havia o visual daquela máquina cobradora, sensação boa, por um tempo funcionou.

Culpa pelo exercício não realizado ou da compra mal pensada, não importa, me incomoda não compartilhar momentos que foram prometidos.

Desta forma, roubo momentos da minha vida com certa relutância, as experiências são cansativas e rotineiras, acalmo minha culpa, e a deixo só, acreditando que não consegui satisfazer seus desejos, transformar-me em algo melhor e mais saudável.

Hoje aqui sentado, confortavelmente ,  penso na decisão em desistir dela, por mais que eu saiba das suas boas intenções, e assim, livrar-me das cobranças e olhares desaprovadores , e assim decidido, escutarei blues, e ficarei refletindo eternamente de como teria sido se minha vida fosse diferente.

 

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sábado, 17 de dezembro de 2011

Estranha sensação

 

homem 01

Estranha sensação, que nos faz repensar

Ficamos frágeis , interagimos com emoções esquecidas

A realidade se desfaz como que por encanto

Nossas vontades já não é prioridade

Somos retalho ao vento, sem eira ou beira

Luta inglória, tendo como única opção, agarrar-se à realidade

Recanto de salvação,  felicidade fugaz

 

Estranha sensação que nos persegue

Aperto em nossas entranhas, é o sinal

Alerta da caminhada que ainda está porvir

Já não conseguimos fugir para a tranquila e esperada realidade

Nos lançamos fadigados à sonhos e visões

Frustrando todas nossas realizações

Impassíveis assistimos à esse desenlace,  da realidade e desejos

 

Estranha sensação, ao navegar à deriva

Mar revolto por nossas aventuras abandonadas

Respingos de prazer

Leme abandonado

Realidade segura nos deixa, mansamente

 

Estranha sensação de estar sem rumo

E tão seguro que meus sentidos, me levarão ao porto seguro

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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ponto

 

Tem dores que não são profundas

Apenas rasgam

Mesmo que o motivo seja indiferente

Ou não

domingo, 11 de dezembro de 2011

Meia Vida


Gosto talvez da frase ‘meia vida’, é aquela vida em que os fatos se sobrepõe, se arranjam, não há grandes variações , a felicidade neste caso é restrita aos fatos que não perturbam e vida acontece, cumpre seu caminho da melhor forma que achas ser possível.

A contrapartida, acredito que seja os verbos, ousar, arriscar e não deixar passar oportunidades, mesmo que não sejam as melhores, bata de frente, faça com que as ondulações de suas atitudes tentem ao menos atingir os objetivos, e possa dizer a si mesmo, que fez acontecer.

Tal situação cria o paradoxo entre levar a vida sob controle, mesmo que muitos digam que isto é um sonho e o descontrole é admirado e almejado por tantos.

Ter a sua vida sob controle será pecado mortal , como se tal atitude traduza algo manso sem cor.

Acredito que seja muito mais heroico assim ser, afinal as variáveis são infinitas, e te-las sob certo controle, é necessário capacidade que poucos as tem.

Ao agir assim os rótulos são pregados, ‘frio’, ‘calculista’.

Não é o medo do que a vida nos possa reservar que nos fazem ser assim, é a certeza que podemos conseguir tudo que acreditamos, sem a necessidade desnecessária de riscos ,principalmente pelo efeito que provocam, pensamos que a suavidade pode nos levar mais longe.

Afirmo sofrer não é destino, felicidade são momentos, e não nascemos  para provar nada, então ?


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sábado, 10 de dezembro de 2011

Lúcius em Barcará I




O mercador já estava há quase duas horas nas areias do deserto, a caminhada inicio-se em Barcará e terminaria em algum lugar mais ao sul , a parte mais oriental do continente.
Resolvera caminhar, a melhor forma de refletir sobre o que se passara naquela cidade, sentia falta dos murmúrios de suas esposas, que hoje não mais estavam na caravana, só alguns escravos o acompanhavam e não falavam a língua.


A ida havia sido precedida de uma festa na sua mansão, suas quatro esposas, prepararam todos quitutes que as suas origens traziam na culinária, devidamente acompanhado por vinho forte.
Sou Lúcius, nome dado em homenagem aos romanos que ocuparam essas terras, mais uma taça,  o cheiro forte do vinho acompanhado  por uvas doces , e deitado admirava a vida que levava, lembrando que minhas escolhas haviam sido perfeitas.


Alika a primeira esposa, em seu traje amarelo brilhante, dava ordens aos empregados na limpeza, e preparava a mesa, ato que só por ela poderia ser realizado, indelegável em sua opinião, mãe aos 19 anos, ´sua filha casara-se com o comerciante que morava próximo de nossa casa, escolha feita por ela, e administrava também a casa de sua filha.
Teoma segunda esposa, pouco ajudava, não era dada a dotes domésticos, pois, havia sido capturada de tribo em que as mulheres proviam o sustento, mas, observava tudo com astucia, cuidava dos animais que tínhamos, as vacas, potros e cavalos árabes, montadora experiente treinava os animais.
Anastasiy, na cozinha aos gritos, comandava com presteza de boa dona de casa, para que os pratos saiam perfeitos, já mãe pela segunda vez, de meninas que sabiam se comportar, e desde cedo aprendiam os afazeres de casa.
Léra, estava na varanda, era a mais nova, por algum motivo estava sempre ao ar livre, a noite olhar perdido nas estrelas e de dia no horizonte, seu sorriso era natural, perspicaz e incontida, de beleza estonteante que se revelava à quem ela escolhia, assim era Léra.

Apenas nas refeições havia a socialização entre elas, comentários sobre roupas ou a comida, comedido na medida certa, os espaços estavam delineados, cabia somente a mim, entrar e sair dos círculos, o que muitas vezes eram acompanhado de murmúrios de desagrado.
A viagem, havia muito sido prometida, afinal Bacará era a cidade mais próspera da região, onde vendíamos a produção de trigo, o mercado era colorido, sedas da china, condimentos de todo oriente, e apresentações de malabaristas. Meu irmão mais velho Zebreu havia herdado de nosso pai os depósitos de cereais, e sempre havia insistido para que fizesse tal viagem acompanhado de minhas esposas.
A safra havia sido farta, o que me possibilitaria adquirir novos escravos, e a conceder alguns luxos, entre os quais a própria viagem , havia desde ontem preparado 6 montarias e os camelos que fariam a travessia, Artorius, exímio lutador era o feitor, vindo de terras distantes , havia afeiçoado pela nossa família, e já estava a mais  de dez anos cuidando de nossos interesses.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Butão


Que tolice poderia eu, escrever nesta segunda a noite, ha não ser , que eu viaje em devaneios como sempre, e em questão de segundos estar no Azerbaijão ou no Butão ao sopé do Himalaia, lugares escolhidos a dedo, de um lado estepes áridas e de outro a imensidão das montanhas.

O meu estado de espirito hoje me leva a caminhadas nestes locais de terras sem horizonte e a picos que nos deixam menores a cada aproximação.

Estou a contemplar minhas limitações, ou quem sabe, abandonando minhas posses e alimentando minha fortuna de lembranças neste caminhar.

Em que as certezas esvanecem a cada passo, e apesar do vazio resultante, há paz em não saber, esvazio a alma , as expectativas dão lugar à aceitação.

Viagem sem volta, é o caminhar, apenas …

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Livro, Arvore e a Bíblia

 

As lembranças são como areia, com o passar do tempo acomodam-se em espaços minúsculos de nosso cérebro, a recuperação é demorada, não existe mais a certeza da ordem dos fatos, a versão sempre lembra filmes baseados em livro, fiel até certo ponto.

O local Colégio Sta. Terezinha, Irma Malvina e o padre capuchinho, não exijam nomes, não me é fácil,  e  aos dez anos , assumia meu primeiro cargo, coroinha, que me proporcionava acesso a hóstias e vinho, e acesso ás sobras, eram deliciosas, que o Senhor me perdoe, afinal ainda era inocente.

Neste ambiente nasceu a minha petulância e atrevimento em escrever, havia escutado, que para ser homem, era necessário, plantar uma árvore, escrever um livro, e ler a Bíblia.

Quanto ao Livro , comprei um diário, onde escreveria todas as minhas peripécias e sonhos, a primeira página foi a mais difícil, recordo-me sim, era extremamente branca  e longa, a dúvida do que exatamente escrever, para entreter o grande público que um dia leria minhas grandes aventuras.

Na falta das palavras certas, resolvi, que deveria primeiro colocar a data, em seguida, se estava quente ou frio, e se estava chovendo, pois , na época me parecia de grande importância saber como estava o tempo, como se isso desse o tom para as palavras seguintes, e desde aquela época, já se manifestava meu pensamento lógico, pois, todos os afazeres do dia, deveriam ter o horário que ocorreram.

Enfim, meu grande livro inicia-se e está sem fim até hoje.

Quanto a arvore, plantei um pinheiro de natal, que no decorrer dos anos, tornou-se frondoso, e no ápice do seu crescimento, ceifado foi, para ali construir uma casa, e agora me pergunto :

Se cumpri com um dos desígnios de ser homem ?

O corte prematuro, me obrigaria a repor com outra arvore?

Concluí que não, afinal fiz minha parte , ele deveria estar frondoso até hoje, se isso não ocorreu não tenho culpa, fiz minha parte.

Quanto a Bíblia, adquiri algumas no decorrer de minha vida, li algumas passagens, e as vezes em tom de brincadeira, comento, se ler a Bíblia morrerei, pois completaria as três coisas, e não me esqueço de alguém que me disse, de imediato, que eu estava confundindo, não morreria, e sim me tornaria um Homem melhor.

Pela enrolação, nota-se, que não li a  Bíblia, tenho conhecimento dela e de um dos pecados mortais, pois, foi o único que guardei, ‘Não faças aos outros o que não faria a ti mesmo’, e neste instante vou ao Google, e vejo que não existe tal mandamento, fiquei confuso, ai, leio que Jesus o modificou ,Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo teu espírito. Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo.”

Minha surpresa não acaba acaba aqui, ao reler tais linhas, vejo que meu livro está inacabado, minha arvore não existe mais, e não li a Bíblia, falta-me muito para tornar-me um Homem, declino da soberba, ao viver dias e mais dias acreditando que sou alguém melhor, belo engano, afinal, minhas páginas ainda estão em branco, minha árvore não se firmou na terra e minha alma ou concepção de vida está ainda para ser lida.

domingo, 20 de novembro de 2011

ALEGORIA DA CAVERNA

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(adaptações: Paulo A. Duarte - Professor do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Catarina) 

 

Imagine um grupo de pessoas que habita o interior de uma caverna subterrânea, estando todas de costas para a entrada da caverna e acorrentadas pelo pescoço e pés, de sorte que tudo o que vêem é a parede da caverna. Atrás delas ergue-se um muro alto e por trás desse muro passam figuras de formas humanas sustentando outras figuras que se elevam para além da borda do muro. Como há uma fogueira queimando atrás dessas figuras, elas projetam sombras na parede da caverna. Assim, a única coisa que as pessoas da caverna podem ver é este “teatro de sombras”. E como essas pessoas estão ali desde que nasceram, elas acham que as sombras que vêem são a única coisa que existe. Imagine agora que um desses habitantes da caverna consiga se libertar daquela prisão. Primeiramente ele se pergunta de onde vêm aquelas sombras projetadas na parede da caverna. Depois consegue se libertar dos grilhões que o prendem. E o que acontece quando ele se vira para as figuras que se elevam para além da borda do muro? Primeiro, a luz é tão intensa que ele não consegue enxergar nada. Depois, a precisão dos contornos das figuras, de que ele até então só vira as sombras, ofusca a sua visão. Se ele conseguir escalar o muro e passar pelo fogo para poder sair da caverna, terá mais dificuldade ainda para enxergar devido à abundância de luz. Mas depois de esfregar os olhos, ele verá como tudo é bonito. Pela primeira vez verá cores e contornos precisos; verá animais e flores de verdade, de que as figuras na parede da caverna não passam de imitações baratas. Suponhamos, então, que ele comece a se perguntar de onde vêm os animais e as flores. Ele vê o Sol brilhando no céu e entende que o Sol dá vida às flores e aos animais da natureza, assim como também era graças ao fogo da caverna que ele podia ver as sombras refletidas na parede. Agora, o feliz habitante das cavernas pode andar livremente pela natureza, desfrutando da liberdade que acabara de conquistar. Mas as outras pessoas que ainda continuam lá dentro da caverna não lhe saem da cabeça. E por isso ele decide voltar. Assim que chega lá, ele tenta explicar aos outros que as sombras na parede não passam de trêmulas imitações da realidade. Mas ninguém acredita nele. As pessoas apontam para a parede da caverna e dizem que aquilo que vêem é tudo o que existe; é a única verdade que existe; é a realidade. Por fim, acabam matando aquele que retornou para dizer-lhes um monte de "mentiras".
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REFLEXÃO:
Por meio desta parábola, relatada por Platão, podemos refletir um pouco acerca do que entendemos por verdade. Será que nossas verdades são as “sombras” que se encontram em nossa frente? Será que nossas verdades se resumem apenas ao que percebemos com nossos cinco sentidos? Quando acreditamos apenas no que conseguimos ver, ficamos dentro das muralhas de nossa existência, de nossos sentidos, percepções, conceitos e preconceitos. Precisamos tomar cuidado para não aniquilarmos prematuramente o que ainda não vemos. Pode ser que se perca uma ótima oportunidade de ampliar nossos conhecimentos. Acreditar nas "sombras" é um péssimo hábito que, infelizmente, está muito presente também no mundo da ciência.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Recado sutil

sem fim
Não sou bom na arte de mandar recados sutis, aliás, se minha sobrevivência dependesse dessa leveza, estaria em apuros.

Transpareço os sentidos na face, não há enganos, a decepção e alegria são tratadas da mesma forma, as tentativas de dissimular minhas emoções nunca me trouxeram alívio, muito pelo contrário, noites mal dormidas e rosto corado.

Tal exposição lhe permite ser, simplesmente ser, independente de lhe rotularem como ‘Maquiavel’ ou o tolo da esquina, com tal atitude, retiro a carga que nossas impressões refletem à outrem, somente importando meu bem viver.

Neste instante nossos falsos pudores e hipocrisias, nos alertam, que sou egoísta, pois, me importo com meu bem viver.

Ou será que assumo a responsabilidade de querer viver bem, sim, e do meu jeito, e com isto, acredito que as pessoas com quem me relaciono tem a necessária transparência de no mínimo visualizar um ser humano por inteiro.

O que quero dizer com isso?
Há hipocrisias demais confundindo a visão, quereres dissimulados a fim de justificar atitudes.
E neste momento de reflexão, fica claro, que o estado de estar e a crença que realmente somos o que refletimos nos deixam frágeis, vivamos sendo e não estando, assumindo o risco da incompreensão e evitando ser diferente do que és, pois, a outorga de nossa única vida à terceiros é um preço impagável, serás eterno devedor.
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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Astronauta que caiu do abacateiro

 

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Lembranças, tolas e significativas, que nos fazem recordar com certa melancolia a inocência perdida

Nas noites escuras, no quintal que havia em casa, eu me movia entre fios que acreditava serem antenas,  ligados a um rádio, a fim de escutar a BBC de Londres, ouvia aquela língua estranha , com sotaque diferente dos filmes de cowboy americanos, e também procurava alguma transmissão de conversas de aviadores, não sabia eu, que as frequências eram totalmente diferentes das que eu tinha acesso.

A tecnologia fascinava, estávamos na era das grandes viagens espaciais e aviões a jato,  e no abacateiro mais alto, construí em papelão e madeira o meu Cockpit , palavra que aprendi cedo o significado, através de algumas revistas ‘Seleções” que descreviam aventuras de grandes aviadores, um dos quais , Charles A. Lindbergh, que realizara a primeira travessia transatlântica dos EUA  a Paris, viagem que mentalmente realizei por diversas vezes, sem , poder conceber corretamente a paisagem do mar, pois, ainda não havia conhecido.

Após tantas viagens imaginárias, estava apto a criar meu foguete espacial, necessitando incrementar a minha nave, afundei-me em aventuras no ferro velho de meu avô, encontrando as peças que faltavam, pintura veio de uma lata velha com sobra de tinta, cor de alumínio, os relógios necessários à navegação foram devidamente selecionados de painel de um trator há muito encostado, e a força motriz para me tornar o primeiro astronauta lançado de um abacateiro, eram as sobras de pólvora de São João, e em pouco tempo, estava preparado a parafernália, a fim, de iniciar a grande viagem.

O dia estava ensolarado, próprio para elevar-se aos céus, casaco já velho de couro, era meu uniforme, a contagem regressiva estendeu pela manhã , a fim, de não esquecer nenhum detalhe na sequencia estudada dos botões a serem pressionados, até o momento final, da ignição.

5, 4, 3, 2, 1, 0  , acendo o fósforo e o rastro de pólvora vai até a parte inferior da nave, e apesar da tensão, sabia que havia planejado corretamente,  ‘ bummm ‘, sacolejo e perco o equilíbrio, algo havia dado errado, a quantidade de pólvora havia sido demais para a estrutura da nave, despenco, entre galhos que amorteciam a queda, até o baque final.

Destroços da nave caiam à minha volta, o uniforme protegeu quanto a arranhões, e minha mãe apesar do barulho, veio com a calma característica de quem tem 5 filhos, pergunta, você está bem, e eu com um sorriso amarelo digo que sim.

Vejo por toda parte minha nave destruída, não há choro ou decepção, sinto que em algo falhei, não era esse o final planejado, a glória sim, e não o chão como havia ocorrido, levanto, e ainda atônito, senti a tristeza, que , só poderia novamente voar, após o São João do ano que vem.

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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Conquista do ‘meu mundo’

 

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Entrei no ônibus, primeira aventura aos 13 anos, eram onze da manhã, meus planos tomavam forma, a primeira viagem sozinho, viagem secreta, dinheiro escondido nas meias, a poltrona tinha que ser a nr 14, atrasei uma semana o feito a fim de conseguir tal lugar, expectativas, medos e decidido, acomodei-me  e sorri , meus sonhos ali começariam.

Lembro da minha esperança, a possiblidade de uma menina bonita, charmosa, sentar ao meu lado, tornando a viagem mais agradabilíssima, e , quem logo vejo, o senhor, ainda de chapéu , pedindo licença e quase frustrou minha aventura, mas que nada, ele de imediato esboçou um ‘bom dia’, seguido do gesto de levantar o chapéu , respondi com um bom dia meio tímido.

O seu nome , já não me lembro, mas me senti importante, ao escutar que meu companheiro de viagem, ia visitar sua família no hospital, sua neta teve uma menina, e em pouco tempo sabia quase tudo do seu trabalho, família.

Escutava e a paisagem ia mudando ao afastar da minha cidade, e ele , me questiona ‘filho, não és muito criança para viajar sozinho’, com discurso preparado, informei que estava acostumado a viajar, e ia até a cidade vizinha, no Estado de São Paulo, na livraria adquirir livros, que usarei na escola, o que não deixava de ser verdade, e apertei meu bolso onde havia anotação das coisas a fazer:

Descer na rodoviária comprar sorvete de limão, na rodoviária, era mais barato

Livraria, em frente à praça, e ficaria horas, olhando os títulos de livros, e os cadernos coloridos , que na minha cidade não existia.

Ao lado, havia uma pequena loja que conheci com meu pai, onde tinha selos do mundo todo para vender, para qual reservei alguns trocados, seriam a lembrança da incrível viagem.

E finalmente, por último, antes das 16:00 hrs, o clímax, ir a confeitaria, comer uma ‘bomba de chocolate’, sentado nas mesas redondas, muito chique, com toalhas de renda branca e a garçonete simpática, e não poderia esquecer do suco de uva, e canudos multicoloridos.

Chegamos no horário previsto, e com disciplina militar, cumpri todos meus compromissos, e achei tempo de sentar no banco da praça, e aquele momento, a sensação era maravilhosa,  era o homem mais importante do mundo, mesmo estando a 80 km da minha cidade natal, mas estava em outro estado, havia atravessado a fronteira, memorizei uma centena de títulos de livros, e pude absorver uma série de resenhas das abas, viajei pelo mundo na loja de selos , atendido por alguém interessante, acho que era um libanês, que tinha dificuldade de falar o português.

Agora restava o mais difícil da viagem, superar o receio, de adentrar um recinto, muito formal e caro, a confeitaria, com suas cores na fachada , e vitrines perfeitamente limpas, hoje já não importa mais meus medos, pois, o maior era enfrentar o sorriso da garçonete, solícita e bonita, treinei mentalmente como iria falar, um sorriso meu seria imperdoável, e assim sério, pedi a bomba de chocolate, suco de uva , sem antes conferir se meu dinheiro era suficiente.

O doce sabor da bomba, era o sabor desta viagem , venci todos obstáculos, por mais, que eu tenha desistido tantas vezes, meus medos esvaneceram , não pela minha coragem, mas pela insistência, em aceitar o inevitável,  quando decido algo, mesmo que tenha medo, receio, e falta de coragem, sei que terei que fazer, e o quanto antes o faça, melhor, pois sempre uma vez decidido, será inevitável.

Missão cumprida, meus passos parecem mais leves e confiantes, afinal eu era o dono do mundo, a primeira conquista aconteceu, tal fato iria ficar entre meus segredos, mas, meu olhar para com meus amigos, não seria mais o mesmo, eu mudei, provei que sempre é possível, não havia limites, de menino no inicio da viagem , tornei-me importante, seguro que apesar das risadas das minhas esquisitices, tudo era possível.

O homem conquistara a lua, neste ano, e eu conquistei ‘meu mundo’.

 

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domingo, 13 de novembro de 2011

Pretensões

por sol-vermelho800







Há situações em que nos vemos entre decidir entre a certeza e o incerto
Aposta que fazemos todo o santo dia, que nos acompanha no decorrer da vida
Como se prováveis fossem.
Será que a aposta correta é a certeza, já tenho dúvidas
Pois , o improvável me acompanha diuturnamente, sempre a espreita, abocanhando minhas absolutas certezas, e fico apático a tal fato.
Vivo baseado em experiência passada, na realidade, apostas com números já sorteados. Que certeza é essa?
No máximo consigo almejar a mesmice, nem reluto mais, dou graças aos dias iguais, e ao final da noite a frase  ‘Graças a Deus o dia foi bom’, como se o resultado financeiro de um dia, lhe agregasse algo, ou se a tranquilidade de um dia lhe garantisse o mesmo amanhã.
Ordem ?  Perfeição ? Certeza ?
Que pretensão !!!!!
Sou pretensioso em achar que posso almejar o equilíbrio das minhas certezas e controlar o improvável, se Deus fosse, olharia estes humanos pretensiosos com olhar clemente.
E falar que deveríamos viver ao léu, ao sabor das ondas, onde a aventura seria o norte, e que o futuro é o hoje, proposições que foram reservadas aos poucos escolhidos, seres humanos que captaram a essência da vida, com a coragem de abrir mão se necessário à longevidade pela intensidade.
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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

As mãos

 

Há muito não olhava minhas mãos

Pois, nelas percebo o tempo que passou

As marcas ali delineadas, não são profundas

Pequenas, porém estão aqui e acolá

 

Inexiste a preocupação da jovialidade, apenas, o tempo

Tempo que por si só, me faz refletir

A similaridade destes traços com a minha vida

Pequenos pontos que juntos gerariam um gráfico senoidal

Ondas, similares, ora acima, ora abaixo

Não há picos !

Estou devidamente equacionado entre duas retas

 

Pergunto-me se privilegiado fui , se por ato divino ou covardia terrestre

Tal suavidade ao viver, incomoda-me de certa forma

Será possível tal planejamento, em que todas as variáveis controladas estão ?

Isto a cada dia parece estar mais à sobreviver, no aguardo do fim inevitável.

Será que passei estes anos todos esquivando da vida?

Optei pela sobrevivência serena, tranquila e controlada, como se possível fosse

 

E da observação de minhas mãos, questiono-me

Tais marcas levemente delineadas me fizeram sobreviver à tudo e a todos ?

Ou, apenas perdi a grande e única oportunidade de optar em viver?

 

Único alento, é apegar-me à máxima, ‘Enquanto há vida, há esperança’

Quem sabe ainda posso arriscar-me a viver, e deixar a sobrevivência aos covardes como eu, que se escondem atrás das colunas do medo.

Quem sabe …

 

 

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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Saudades das minhas saudades



A escolha das palavras para definir este momento, fica sem sentido
Imensidão de desejos que a cada minuto ficam à beira
Nem tento guardar na memória, se foi hoje ou ontem
Teclo ao ritmo de Moonlight Sonata de Beethoven
Notas que me apronfundam, sensações esvanecem
E na lucidez dos meus sonhos
Sinto saudades
das
Minhas saudades

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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A estrada não tem fim, o que importa é a caminhada

 

Nos afirmam ao nascer, que temos a estrada da vida, que apesar apesar de ser longa, tem fim.

E passamos a nos preocupar, qual a distância que ela tem.

Após longo tempo, podemos perceber que a estrada nada representa, e sim o caminhar , e muitos não conseguem parar, perceber que tudo acontece às margens, e desta forma , o que resta são pequenos fragmentos do que poderia ser esta linda viagem.

Mas enfim, poucos são merecedores deste conhecimento, há certa relutância em parar, como se com isso, nossa sobrevivência será mais afável, ao não embrenhamos nas matas, tal atitude não nos preservará de sentir as dores que a vida nos reserva e sim nos fortalecerá.

Tal caminhada não é corrida, não se ganha ao chegar ao fim, pois,  não nos avisaram, ‘a estrada não tem fim’, então, o que importa quanto tu corre, se não chegarás a lugar algum.

Me faz refletir….

sábado, 15 de outubro de 2011

Proximidade

A proximidade me eleva à patamares nunca dantes navegado, sob a nuvem ardente do desejo que se esvai noite adentro.

A realidade desperta, e de nada adianta fechar meus olhos mansamente.

Sou eu novamente a viver a realidade do meu ser

Atrás da Tela = Espiar ao avesso

 

Cibernauta ao acaso

Há muito assisto a vida ao avesso

Inicialmente houve certa dificuldade em adaptar-me à essa nova forma de convivência e conivência.

Minha humanidade reduzida a ‘conta’ nas redes sociais

Nossa existência reduzida ao status ‘disponível’ 

Conhecer é sinônimo de ‘Adicionar’

Pessoas observadas em ‘Álbuns’

História de vida, resumido a ‘Perfil’

Saudade ao observar o status ‘offline’

Sorrisos revelam figuras Alegre, tristeza também não é diferente Smiley triste

Emoções by Windows  Smiley mostrando a língua Smiley de boca aberta Smiley confuso

E cercado deste arsenal digital, pronto estamos a submergir neste mundo cibernético, acreditando que estamos a passos largos na direção do conhecimento.

E não percebemos, que abrimos mão de nossa privacidade, ocupamos nosso precioso tempo com bytes insensíveis,  e o mais lamentável, reduzimos nossa capacidade critica, por não termos a opção de ‘não curtir’ publicações, apenas ‘curtir’ ou ‘comentário’ que poderá ser deletado pelo usuário.

A liberdade do discordar foi tolhida, pela ditadura de nosso ego.

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domingo, 25 de setembro de 2011

Descabido

 

Desejo descabido

Ali esparramado, largado, sem reação

Cálice delicado

Entornando sonhos impossíveis

 

Miragem recorrente

Bruma espessa, esvai ao menor movimento

Cálice em pedaços

 

Beber sonhos que inebriam e enganam

Fundem-se desejo e realidade descabida

Descabido vivo , sem a realidade que encanta

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Dois pontos

 

Por entre palavras e sons

Por entre sensações e realidade

Estou a escrever, como se ‘ser’ fosse

Descrever o que não pode ser vislumbrado

Decepção das emoções que não podem ser refletidas

Sonhos que esvaem ao amanhecer

Sem dor ou reflexões

Existência inócua

Grito na escuridão

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A noite

A proximidade me eleva à patamares nunca dantes navegado, sob a nuvem ardente do desejo que se esvai noite adentro.
A realidade desperta, e de nada adianta fechar meus olhos mansamente.
Sou eu novamente a viver a realidade do meu ser
 
 

sábado, 3 de setembro de 2011

Agora em dúvida e com esperança, volto a sonhar

image

A escolha do que me convém a escrever
A experiência de quem viveu e não percebeu, será que conta?

Estará fadado a caminhar novamente as mesmas trilhas
Reaprender não é o caso, e sim vivenciar novamente
Já não tens o tempo como aliado, a trilha perdeu-se

Transeuntes olham com olhos estranhos, ‘estais na trilha errada’
E com sorriso maroto, retruco, não amigo, a trilha é esta , só o tempo não é esse.
As pedras disformes do caminho, tem certa nostalgia, já as vi, e mesmo assim, teimoso em caminhar sigo a sina quase impossível de sonhar novamente.
Campos verdes , montanhas íngremes, desfiladeiros perdidos, fantasmas do passado, acompanham-me a cada passo.

A inocência há muito me deixou, já não é a mesma sensação da caminhada inicial, em que após cada curva acreditava que poderia haver oásis que tanto procurava, o mistério não existe mais.
Passos que não me levam a nada, não há retorno, só a desilusão

Obrigo-me parar, floresta ainda virgem convida-me, trilhas lá não existem, e sem armas ainda relutante , caminho para o imprevisto  e das possibilidades do porvir.

Agora em dúvida e com esperança, volto a sonhar.

Sonhar é viver.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Mais um dia

 

Quando se chega a qualquer idade, pensamos sempre que tudo vai ser melhor, que talvez a vida possa ser simples, e que nossos erros possam ser perdoados, enfim, até nos permitimos lagrimas que revelam a fragilidade do Homem, e infelizmente as esquecemos, pois, a próxima batalha já se aproxima.

Louvo àqueles que vivem e não fazem a vida uma eterna batalha.

domingo, 28 de agosto de 2011

Encruzilhada




Preciso escrever
Como se chegasse à encruzilhada
Direita ou esquerda
Tal decisão fosse a mais importante
Imagino a cena, parado na bifurcação
O vento de um lado parecia mais gelado  e a paisagem reconfortante
O calor do sol iluminando outro lado  e cheiro da relva macia
A dúvida é cruel !
Espanto em ter tantas sensações conhecidas
Elas chegaram como a se esgueirar na curiosidade da decisão
Irrealidade, o tempo parou
Este obscuro ser, que tomou decisões que beiram o absurdo, com a pretensão de que estaria certo, ali está, inerte , tendo como única opção, ‘de não ir’, jogar-se ao chão, e como ato final da tragédia não escrita, dizer , não vou por ali
‘Quem sois  a me dizer por onde ir ?”
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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Espelhos distorcidos


Dia cansativo, e que não poderia reclamar, foi ótimo , bons negócios, tranquilo, enfim, mais um dia
A sensação que ontem ao anoitecer já sentia, continua a mesma, explorar tal fato talvez seja mais tempo perdido.

Tenho alguns minutos, enquanto espero não sei exatamente o que.

Confuso a ideia de que a imagem não corresponde ao meu ser, somos ou parecemos ser, esta é a questão.
Já sentiste o absurdo de ouvir alguma observação relativo aos seus atos, que definitivamente não corresponde à verdade,  e não coaduna com que pensas , e nos é jogada como se assim procedesse.

Estranha irrealidade,  vives convicto de suas ações, que são transformadas entre o ato e o conhecimento de outrem, me lembra a infância em salas de espelhos, que refletiam imagens distorcidas, que eram motivo de risadas, afinal sabíamos que não éramos assim.

A surpresa fica por conta, de estarmos refletindo imagens disformes sem nosso conhecimento ou percepção, qual falha em nossos sentidos provoca esta falha, será comportamental ?

Para concluir esta desiludida explanação, acho que de alguma forma, inconscientemente desejamos refletir nosso melhor, e exatamente neste momento pecamos, pois, só olhos perspicazes ou bondosos, conseguem transpor a imagem refletida e contemplar o ser em sua totalidade.
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terça-feira, 23 de agosto de 2011

‘Cegos’, a discutir, as nuances da cor do por do sol nos jardins de Versalhes


Diálogos travados em momentos que já não recordo mais, eram tantas palavras, juntas e separadas, os motivos se perdem entre tantas vontades e competições, rodeios que não atingiam o alvo, nada é explicito, rancor e hipocrisias de mãos dadas.

Rótulo de complicado, era mais simples que abrir-se, direto ao ponto, mas, quando a disputa entremeia vaidades, o resultado esperado é a frustração de mais um dia que se foi.

Acredito na hipocrisia a fim de delinear o manto protetor, não podemos assumir nossa identidade muitas vezes cruel na verdade nela contida, é a cegueira consentida ,tatear o absurdo.

Não nos aprofundamos , negamos a oportunidade de entrar em portas entreabertas, é a comodidade do não conhecer, e melancolicamente deixamos a oportunidade esvair-se em palavras sem sentido.

‘Cegos’, a discutir, as nuances da cor do por do sol nos jardins de Versalhes, os sentidos ficam embotados, presos a convenções, medo do conhecer profundamente outrem, nos faz tremer de pavor , a superficialidade se sobrepõe à experiência única de absorver a experiência humana, sem que ela seja peso à nossa existência.

Complicado és viver a vida de subterfúgios, fugindo das emoções que a interação entre nós seres humanos nos proporciona.

Aventure-se nesta experiência humana.
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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Nerd no tempo dos dinossauros’


A vida que levei ou que ainda está porvir, está pautada em ser ‘especial’, muito pretencioso talvez !
Quando criança, ‘nerd no tempo dos dinossauros’, acreditava que estava destinado a ser alguém especial, devaneios, àquela época já os tinha, fui astronauta,pintor, piloto de caça, escritor , havia a necessidade de recriar meu pequeno mundo, não me passava pela cabeça valores financeiros , apenas a aventura era a tônica.
Momentos de reflexão ocorriam em tardes de verão, na altura do abacateiro que tínhamos em casa , madeira velha e papelão constituía o reino intocável, inacessível aos pequenos mortais. Ali escrevia o diário, a sensação era que as palavras ali depositadas seriam verdades a se concretizar, inocência da infância há muito esquecida.
Não tenho mais abacateiro e poucos momentos de reflexão, as verdades daquele diário ficaram na bruma do tempo, aventura do viver chama-se rotina, a inocência deu lugar à hipocrisia, e apesar de tudo isso, ainda me sinto especial, sentimento que esteve ali e não percebia, mas que pautou a minha vida, se tal qualidade não tenha sido reconhecida pelos que estão à minha volta, já não importa.
As palavras escritas àquela época se tornaram realidade, não fui aos céus ou me tornei escritor ou pintor, sou pequeno nesse sentido, e longe de estar frustrado, sinto-me vivo e especial, ousadia do meu ego provavelmente, o que me deixa feliz, por ainda acreditar, nas  possiblidades escritas em papel, hoje amarelada pelo tempo.

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terça-feira, 16 de agosto de 2011

És mais um louco visionário

 

Que expectativa terias se está fadado ao fracasso

Que forças terias

Que mente aceitaria o ‘desagrado’ com tranquilidade

E apesar de todas as possibilidades serem no mínimo contraditórias, aceitas o desafio inglório, e imbuído de espirito desafiador, vais seguir a sina.

Quem sois vós, que achas do ‘impossível’  a grande oportunidade de se vangloriar da luta, como se esta fosse a única saída a que se permite.

És tolo por acreditar em suas crenças, toma-lhe o tempo que resta.

Transforma a oportunidade fútil em castigo por viveres, és isso que tanto lhe atrai ?

Em que parte desta luta inglória tem os prazeres da vida ?

Tu se satisfaz pelo ato da luta, não cabendo condescendência a ti, na glória de vencer.

Esforço derramado no campo de batalha, inimigos veem com desprezo pelo absurdo que sua vontade lhes impõe.

És mais um louco visionário , em que os meios não necessariamente justificam os fins, pois, pelo que parece não lhe faz diferença.

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sábado, 13 de agosto de 2011

Super Pai


Quero lhe contar como vivi e tudo que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Ainda somos os mesmos , e vivemos como nossos pais
Elis Regina .. (parte da letra da musica ‘Como nossos pais’)

Inverto a homenagem aos pais 
Este dia na verdade é reflexo da existência de minha filha, e hoje escutando a musica ‘Como nossos pais’, recordo-me da festividade quando ingressou na universidade, meus olhos, não entendiam a imagem, a filhinha estava lá, entre tantos jovens, dançando e cantando tal musica, toda a expectativa estava em seu sorriso, um mundo de aventura aguardando .
Senti uma certa dor, em não poder participar desta parte de sua vida, reconheço que a sensação quando voltava era de ter sido excluído, mais uma vez, da vida de alguém.
Filha, acho que foi o momento que me senti pai que eu nunca desejei ser, sabe aquele senhor , que determina , que não escuta , senhor da razão, e, agora sem mais o ‘poder’ , um laço de amor as vezes cruel, que escraviza e frustra a vontade do jovem enquanto está sob o mesmo teto e que nunca tem ‘tempo’, e de repente, lá está você iluminada, liberta das amarras, pronta a testar suas competências e sonhos junto à humanidade , acredito que nestas horas, o medo em você não existia, só os meus !
‘Pai egoísta’, acho que todos somos, de nada adianta pedir desculpas pela falta de tempo ou relembrar o abominável tom autoritário , quando tu me questionava, ‘Porque Pai ?’ , a resposta ríspida, ‘Porque sim , eu quero que seja assim’
Filha, neste dia que me proporciona, só poderia lhe dizer, se agimos assim, é por medo, insegurança, em não errar, e demonstrar assertividade , como se fossemos infalíveis.
Te confesso querida filha, os pais, são falíveis, e a sensação é agoniante em ser ‘Super Pai’ .
Então filha, nesse dia que seria do Pai, lhe dedico de coração, por você existir, pois, por mais que eu a tenha decepcionado e a contrariado, nunca deixastes de acreditar neste ‘Super. Pai’, e recordando teu sorriso  me dás o privilégio de me sentir ‘Deus no ato da criação’, o que me cala profundamente.
De quem te ama
Super Pai

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

One Last Breath

Creed

 

Tal musica já escutei diversas vezes

Transforma minha dor em notas musicais

A letra é minhas vivencias

 

Percebo que a traduzo mentalmente, e nunca é igual

Meus momentos vibram nos acordes da guitarra

Dolorido e intenso

 

A letra é criada na sensibilidade das emoções

E percorrem minha mente , abrandando desejos impossíveis

 

Por favor, não desista , a procura não tem fim

Saiba que não estás certo e nem errado

Aprenda a fluir

Chore , grite e sorria

Não importa nada, a vida é única

Faça dela o agora

Já não tem mais nada a perder

Olhe para o céu, e sinta-se criança

Pronta a errar e aceitar

Sem volta

Esqueça o medo

Arrisque-se

Não desista .

domingo, 31 de julho de 2011

Linha invisível

 

Não há chuva, noite ou frio

Que impeça de seguir a linha invisível

Destino estranho

O impensável é real e magico

 

Não duvide do que a vida ainda pode proporcionar

Você se surpreenderá certamente

 

O medo lhe acompanhará

Certamente terás dúvidas cruéis

Tentará não acordar

Certezas ficarão esquecidas , não mais acalentando seu ser

Palavras que ajudaram, perdem-se ao vento

Estarás fragilizado perante mistérios do porvir

 

A fuga não é opção, é a derradeira decadência

A perfeição de seus anseios, não lhe é dada

A garantia venceu

E com isso estás mais próximo da realidade

sábado, 23 de julho de 2011

A próxima cena

Havia uma vida,
a minha
Ao espreitar meu ser, vislumbro lampejos de possibilidades
Turbilhão de acasos e mistérios
Estão lá, em cores energizadas contrastando o azul profundo
Vibrando entre os segundos desperdiçados

Em algum momento acabou
e não acho que mereço outra
só havia aquela
Sobrevivo com doses massivas de realidade
Jogos de encantamento e sono profundo
Transformei-me em longa metragem
Com roteiro e script
Sem acasos ou mistérios
Enfadonho quadro à quadro
Flash de continuidade
Claquete
número da cena
plano
take
A próxima, a próxima, a próxima cena…

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Desconfortável

Sonhar, acordar , acreditar em tudo alterar.
Concluo , é nos sonhos que as mudanças acontecem, e percebo que são finitas, e a qualquer estalo, esta deliciosa sensação torna-se a dura realidade, ao despertar.
Fica complicado conviver este estado dubio, as vezes com sentido e por outro lado totalmente deslocado.
Devaneios aplicados à vida real, apenas confundem, em nada acrescentam, nos deixam propensos a acreditar , o que é encantador, mas, devastador nos momentos em que percebemos onde chegamos.
E o eterno recomeçar é cansativo, entediante e desconfortável.

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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Se me percebem, logo existo ….

 

Penso logo existo, será tão fácil assim, será que estou pensando pouco ?

Se minha existência depender do pensamento, seria o ser humano mais consistente da face do planeta, tão real que chega a ofender os pobres mortais que estão à minha volta.

Aprofundando nesta existência, fico confuso, não é para menos, afinal com tantos questionamentos, torno-me viés do que deveria ser, as possibilidades esvaem-se tão abruptamente como iniciaram,  e o processo de recriar é constante.

A existência passa a ser leve nevoa, que dissipa ao mais leve sopro dos meus querer, e, as pessoas não percebem tais nuances, acreditam no que veem, então percebo que logo existo pela percepção de outrem e meu pensar se perde em divagações existenciais.

Se me percebem, logo existo  ….

quarta-feira, 13 de julho de 2011

No elevador …

És feliz ?
Do nada , me questionaram no elevador
Surpreso , precisei de alguns andares a fim de responder
E com outro questionamento , retruquei “defina felicidade ?’ , e meu interlocutor também necessitou de mais alguns andares
Ser feliz amigo, estar de bem com a vida, ter seus sonhos realizados, sensação de missão cumprida
Infelizmente não tinha mais andares como desculpa, e com certa relutância respondi ‘ Neste sentido talvez ainda não seja feliz e talvez nunca serei !
Afinal sonho acordado, cada manhã sonhos se alteram, e com ‘certa’ humildade almejo o possível, apesar de alguns delírios pontuais.
Missão cumprida somente quanto tomar posse da ‘parte que me cabe neste latifúndio’, e aí venha ter esta sensação, lembrando que apenas a sensação de missão cumprida, apenas sensação…
Tendo de concluir, afinal a porta do elevador está aberta, e ouvidos atentos à escutar minhas explanações, completo..
Estou de bem com a vida, sim !
Afinal estou aqui a conversar, já me é o suficiente, estou bem hoje, amanhã não sei.
O boa noite discreto, porta fechada, assunto encerrado.
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sábado, 9 de julho de 2011

Eterno recomeçar

 

Ei,

onde vais ?

Já sabia que era assim

Tocava meu ser e negava ao amanhecer

Não há volta, apenas lembranças

Sorrisos ao entardercer

 

Há mistérios e flores

Frutos que floresceram

Caminhando não me deixei parar

Recrio-me a passos largos

As manhãs ainda me acordam

E nada sei

É o eterno recomeçar

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Você não existe

A frase que me deixa desconfortável é :
'você não existe, só tu mesmo’

Esta inexistência, faz com que tu esteja em outra dimensão, longe de seres humanos
Inalcançável !
estranho isso !
E tu achando ser humilde, é um engano
Tal fato cria abismos instransponíveis

Recordo-me da frase, ‘ de boas intenções o inferno está cheio’

Nem tanto

 

A necessidade nos faz sentir

Até esquecer, procurar talvez

Queria que fosse mais, que me fizesse

Viver

sábado, 2 de julho de 2011

Esperar acontecer …

 

O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela.'' ‘Fernando Pessoa’

Porque ?

Entregar-se de corpo e alma, à algo que sabemos que não é o que queremos, nos falta coragem, em assumir nossas vontades

Nossas manhãs são iguais e o café tem o mesmo sabor

O final da noite , quase sempre tem gosto amargo em nossas lembranças

Não admitimos o óbvio

Porque ? Esperar acontecer …

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer’

Geraldo Vandré

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Sorriso que afaga

Sei que dói,
e pode durar para sempre,
certa manha você acorda e a vida recomeça.
Abra a janela
O sol está lá, a lua também
Abra a porta
A brisa que afaga
Sorria, o passado acabou
Sei que dói,
e pode durar para sempre,
certa manha você acorda e a vida recomeça.
Abra o coração
As cores. Ainda estão lá !  não mais cinza
Estrada que te chama, vá !
Tem muito à aprender
Não precisa correr, agora não mais
É tempo de crescer
Sei que dói,
e pode durar para sempre,
certa manha você acorda e a vida recomeça.
Rosas à beira do rio, perceba as diferenças
Aromas que lhe fazem lembrar sorrisos passados
Nostalgia aconchegante
Rosas que hoje lhe farão sorrir novamente
Aproxime-se , há espinhos e a vida não lhe dá garantias
Arrisque-se a estrada sempre estará lá
Aprendeu que podes seguir
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quarta-feira, 29 de junho de 2011

A cama seria o melhor remédio, teimoso sou, e aqui estou !

 

Hoje seria aqueles dias, que gritaria com todas as letras em alto e bom som

Se gaúcho fosse  ‘Bahh “ !

Se baiano fosse, ‘Ôxente’ !

E não esquecendo a sonoridade do mineiro ‘Uaii

 

A cama seria o melhor remédio, teimoso sou, e aqui estou !

Disposto talvez a esquecer as exclamações acima, e mansamente, procurar passagem de ida para o Tibet.

E lá entre as neves eternas ao fundo, o personagem que vos fala, já careca, barba por fazer,  apenas com um manto de carneiro nas costas, entoando mantras, som que se perde nos vales das montanhas.

Tal visão me deixa com frio e revoltado, pois até lá , minhas palavras se perdem ao vento.

Neste instante, parte de mim, quase me carrega para a cama, não mais querendo essas viagens sem lógica.

Retorno à paisagem sem cor, de um branco profundo, caminhando montanha acima, à procura dos desejos saciados.

Recordo-me do professor de matemática , explicando que as distâncias entre dois pontos eram relativas, algo que nada acrescentava, e que neste momento, tudo me dizia.

Já não importa mais , se estou em Bangladesh, Butão ou Tibete,  as distâncias são idênticas a que tenho aqui entre meus desejos e a realidade, e não nego que a verdadeira razão era fugir, me afastando, e com isso purificando meu ser.

Abandono a viagem, rendo-me à cama, e a sensação que não há fuga, o máximo devaneios da realidade nua e crua.

 

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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Não há recomeço

onda-olhares-fc-words
Ondas que nunca findam
O balanço, veem e vai
Agarro-me às bordas
Frágil na imensidão das aguas

Desejo deixar-me ir
Ondas me levar
Resisto à espera da próxima
Não importa as esperanças ou vontades
Há sempre a próxima

Quero sentir algo diferente
A agua salgada já me deixou ressecado
E ali estou, à espera que desespera
Pode-se desejar não seguir
A escolha seria suave, sem rancores  ou remorsos

Mas !
Ondas que ja reconheço na sua formosidade e na violência
Sem surpresas
A próxima, terá nuances em suas curvas que a diferenciam
Meu olhar, não há espanto nem resignação
Sinto-me cumplice ao desejar que ela não me deixe
Virá inevitavelmente

Elevo-me ao som da aproximação
Êxtase
A textura das águas revoltas
Bruma que envolve
Manto aconchegante
Cheiro de sonhos e fantasias há pouco esquecidos

Complacentemente, aguardarei a próxima
Já não sei viver de outra maneira
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sábado, 25 de junho de 2011

Sou só lembranças

 

Há dias e dias

Hoje a caminhar entre pessoas, não havia ninguém

A rua era longa e minha caminhada também

Deixei os pensamentos fluírem, nada impedia

Era meu mundo

E por mais que desejasse não desejar

Sopros de lembranças percorriam ao meu lado

O sinal fechou, e ao normal retornei

 

Sorrio coincidentemente ao sinal verde

Todas lembranças entrelaçadas caminhavam

Observando minha reação

 

Havia há muito perdido em qualquer esquina passada a realidade

E agora, minha última companheira, a fantasia

Deixava-me sem sorrisos e nem adeus

 

Sou só lembranças

Fluindo e desvanecendo ao tempo

Sou só lembranças

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Antes ele do que eu

 

Morava sozinho, bom emprego, calma vida, o dia a dia nada mais era que mera repetição.

Amigos o alertavam, que o tempo passa, que havia incríveis oportunidades , devia sair mais, conhecer pessoas, abrir-se ao mundo, e se deleitar com os prazeres da vida, e ele, de uma forma teimosa , agarrava-se à repetição.

Seus momentos só, não eram solitários, e sim,  povoados de imagens e possibilidades , que de certa forma amenizavam suportar horas que nada tinha a fazer, e mesmo assim, optava pela repetição.

Certo dia, recebe a noticia desagradável, que o bom amigo veio a falecer, ao desligar o telefone, iniciou a maratona preparatória ao evento :

Mentalmente preparou-se para a cerimônia, o que falar, como portar-se, e quase mecanicamente foi escolher a roupa apropriada, logo após, estava lá, no velório madrugada adentro, observando as reações das pessoas.

Era quase impossível entender a ‘dor’, e incorporando os personagens que desfilavam, imaginava o que os fazia reagir de tal forma, expor sentimentos fortemente, será que tal despedida facilitaria o amanhã.

As horas na madrugada, foram recheadas de conversas amenas, causos antigos, lembranças memoráveis, e o amigo , ali deitado quieto, sem poder expor a sua versão.

Incomodava algo, com dificuldade fazia a ligação, entre sua morte e a falta da sua presença neste velório.

Questionava a sensação dele estar ali,  de ‘corpo presente’, sendo o personagem principal do evento, e não poder em nada intervir, nem poder obstar as pequenas mentiras nos comentários.

As demonstrações de carinho em público , resumia aos toques leves em suas mãos e a face, atitude que me parecia a afirmação da morte, ou a forma de se sentir vivo. Se ele estivesse ao lado, tenho certeza, que definiria tal atitude, como ‘antes ele do que eu ‘.

E lá pelas tantas da manhã, tantas pessoas o seguindo, ele que passou a vida na labuta sempre reclamando da falta de pessoas à sua volta, e por ironia do destino, a célebre cerimonia estava lotada.

‘Gran finale’, ultimo acto, todos à volta de uma cova, que era rasa, em comparação ao grande homem a ser enterrado, cânticos e lamentos finais, pétalas de rosa jogada, e finalmente a terra , nos levando a lembrar ‘do pó ao pó’.

O mais estranho é a partida , não do falecido , e sim das pessoas, o teor da conversa já não é o mesmo de momentos atrás, a vida continua é a tônica, e alguém passando comenta com o colega,  “voce vaí no churrasco hoje ?”

Observando a cova ainda com a terra remexida, história de vida ali encerrada, a única companhia um passarinho na árvore mais próxima, ‘quadro patético ‘ , não pelo fim em si, mas , a forma que nos leva até ele, como nos portamos, a sensação de invencibilidade quando jovem, estranho muito estranho !

Retornando à casa, terno no cabide, e já sentindo saudade da ‘repetição’.

Não importa se vai acontecer hoje ou amanhã, deveria saber que nos resta o agora, mais nada.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Tolices

 

Brinco com a vida

Vou a onde não se deve ir

Almejo o desnecessário

Preocupo-me com tolices

Meu corpo desconhece limites

O tempo, mero detalhe

A dor é temporária

A distância depende do ânimo

O amanhã talvez

Não importa e nem diferença faz

domingo, 19 de junho de 2011

As ondas do mar

 

A duvida persiste, é circulo ou ondas do mar

Confuso está, o inicio

Á minha volta

 

Poucas palavras, evitar assim estar

Não se importar que o destino venha a realizar

Repetirá como as ondas do mar

E nada impedirá o circulo completar

E eu de novo ali estar

 

Porque evitar, se nada é mais bravio que as ondas do mar

E finalmente o circulo se completará

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O equilibrista

Marcos, em toda sua vida não aprendeu a ‘ter’

Nada possuía, a não ser seus poucos momentos a só

Atitude aprendida na infância, agravada na adolescência e totalmente absorvida em sua vida adulta

No decorrer dos anos, longe estava de ser monge tibetano, pelo contrário.

A acumulação de bens tem sentido próprio, o valor está diretamente à sua utilização, quase sempre a compensação pela tranquilidade, atenção e tantos outros sentimentos.

A moeda tem valor próprio, com signativos intangíveis, que faria qualquer professor de economia desistir de interpreta-los.

Egoísmo !

Marcos é incapaz de tal sentimento, equiparando-se á criança que possui brinquedos e a sua obstinada manutenção dos mesmos.

Longe está nesta atitude a presença do egoísmo, mas sim, ao afeto pelos brinquedos.

Conheço Marcos, e o vejo como ermitão em seus desejos, vida delineada no equilibrio constante, à balançar na corda bamba, sempre evitando ou postergando a queda, por ele sempre eminente.

Como amigo Marcos, já lhe disse , és equilibrista , nem sempre o eminente acontece.

Pense nisso.

terça-feira, 14 de junho de 2011

A razão dá lugar ao ‘momento’ e à ‘emoção’, não há moeda de troca !

 
Após tantos cursos, congressos, discussões infindáveis
Aprendi que a soma é sempre igual, não importa a ordem dos fatores
Negociar é o que aprendi, esta referencia tornou-se presente em minha vida, que achava até pouco tempo verdadeira, e agora percebo, só é verdadeira no aconchego de um recanto, protegido, imune a fatores extemporâneos.
A tristeza não tem lugar, não pertence ao ‘negócio’,  a vida torna-se um gráfico senoidal, com suas ondas suaves a subir e descer, variações previstas e prevenidas, acreditava que a linha do tempo não criaria nenhuma variação tempestuosa, mesmo que fatos desagradáveis ocorressem, pois,estavam perfeitamente previstos.
Eis que ,
A razão dá lugar ao ‘momento’ e à ‘emoção’, não há moeda de troca !
Formulas aprendidas, hoje já não descifram e nem me previnem, recalculo e nada, não há ainda soluções equacionadas.
Abrevio meus pensamentos, jogo sem conhecer as regras, atiro à esmo, e os resultados não se alteram.
A raiva crescente acontece, em algum momento eu devia aprender, e não pude ou não me permiti, sem ouvidos para ensinamentos ou palavras que poderiam ter me previnido.
Estou aqui, despreparado, e relembrando ‘Dom Quixote’, com seus moinhos de ventos.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Suavemente …

Esqueci a sensibilidade
Será preciso jogar sempre, com minha vida e as demais?
As tardes de outono,  à mente retornam constantemente
Necessidade sentir o vento gelado
Arrepios de solidão
Passos tristes
Respiração ausente
Procuro o portal que me faça sonhar com dias de verão
Quem sabe sorrir
E o inimaginável
Viver !
Não importando qual o próximo passo
Acreditar que não há precipício
E relutantemente deixar-me levar
Suavemente …

domingo, 12 de junho de 2011

Devemos acreditar no que há de melhor em cada um

 

Refletindo …  se teria uma história para contar

Noite de sábado fria, dia dos enamorados , e insisto em imaginar a possibilidade de contar ou criar uma história, que por tantas vezes aqui foi esboçada com minhas viagens literárias.

Meras especulações de vida, em momentos que necessitavam ser descritos, de uma forma tortuosa, às vezes inadequada ou até deselegante, e quem sabe inócua.

Esse é o caso, um palavreado escolhido, como se estivesse com o dicionário aberto, a escolher as ‘melhores’ palavras, que impressionam mesmo com tão pouco teor de verdade.

Estou aqui inoculando textos, que em nada nos protegem ou nos façam melhores, infelizmente ou felizmente, tenho este pequeno espaço em que treino minhas aptidões literárias, sem precisar pedir licença e sem custo, a não ser, o do leitor clicar e passar para o próximo blog.

A história?

Nevava, o vento quase me paralisava no lugar, logo acima alguém  observava, sentia o olhar de forma estranha quase incomoda, quem será que neste entardecer de inverno, está a me observar.

Suas vestes vermelha, contrastando o branco da neve, esvoaçar do tecido era languido, seus longos cabelos negros imóveis renitentes à força do vento.

Incomodava-me imaginar que meus passos distanciariam de tal pessoa, sem entender esses sentimentos, imóvel também me tornei.

A imobilidade da situação congelava minhas reações, nossos olhares fixavam, hesitante esbocei um sorriso, correspondido sem poder suas faces ver.

Não havia medo ou receio, a sensação me acolhia, era do reencontro necessário, e minhas longas vidas exposta.

O mistério revelou-se.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Lembranças tornam-se dóceis


O tempo resume em poucas frases os dias mais longos
Lembranças tornam-se dóceis

Pergunto-me : onde está o futuro ?
Acreditava que meus passos passado, me guiariam
Seria perfeito se assim fosse

Que nada !
Nossa existência por mais que nos agarremos à ela
Não nos deixa seguir calmamente
Há surpresas inimagináveis
Basta, continuar andando …….

terça-feira, 7 de junho de 2011

Sonhar é o que me resta

 

Já são quase duas da manhã, fria

Ainda relutante em ir descansar

Escuto Creed em seu lamento final

Sensação de espaço vazio

 

Não há lógica

Desconexo

Palavras que descrevem meus últimos dias

A ventania de pensamentos e de poucas ações

Areia salpicando a pele, como lembranças doloridas

 

A impossibilidade de agir, aceitar o ‘status quo’

Lamentos surdos

Criam-se correntes em nossa existência

O que posso fazer , a não ser aqui materializar em pequenas frases

Momentos intensos aos quais fecho os olhos

 

Recordo-me de sonhos, eram abismos negros que devoram o tempo

Mesmo débil, procuro o indelineável impossível

Sonhar é o que me resta

sábado, 4 de junho de 2011

Quase transparente

Entre palavras e atos descontínuos
Passos na multidão, fugindo das evidencias
Sentia-me exposto , frágil, quase transparente

Explodi em pedaços
Que se lhe atingissem
Seria suavemente
Como lembranças de verão

Caminharei, sem desejos
Pedaços me tornei

Agora a essência
Exposta à vida

Agora sei
A onde não ir

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Enquanto …

Precisamos as vezes escutar vozes que não são nossas
Do nada, uma musica ou a conversa de estranhos …
Nos faz ver o óbvio
Escutei algo ‘que quando brigamos por alguém, ficamos neste período sem ninguém ‘, e no final das contas abrimos mão de parte de nossa vida, pela insistência.
Então, não que não valha a pena lutar, mas, devemos antes de tudo pensar na própria vida, e quem sabe dar chance aos acontecimentos, sem força-los.

domingo, 29 de maio de 2011

Workaholic ? “eu nada tinha a fazer naquela tarde”

 

Estava a fazer minhas obrigações como todo dia, nada de especial, e sem tempo a palavra mais usada.

O dia ensolarado, o calor me fazia bem, diria até aconchegante em um dia de outono, e ao ladear pela beira mar, sinto que algo me fez estremecer, parei o carro, e notei que há tempo não sentia aquela sensação.

Sensação estranha, eu nada tinha a fazer naquela tarde, isso me deixou incomodado, como será possível , o que vou fazer com esse tempo restante, não estava preparado , a monotonia me faz mal.

Observei, senhores alguns mais velhos, outros da minha idade, à beira mar, jogando bocha, outro passa por mim com andar apressado olhando o relógio, de tênis e roupa apropriada para caminhadas.

Tento de alguma forma me encaixar ao modelo, ver alguém que eu possa me identificar, casal sentado à mesa, conversando sobre amenidades, sorrisos brotam com facilidade, e o tempo passa.

Absorvo as imagens, e não me identifico.

Será necessário eu envelhecer, e que o lazer na minha idade é o que esperam que façamos, proibidos estamos de nos sentir produtivos, ativos até o leito da morte ou de uma doença repentina.

Será preciso ter a vidinha que todos esperam, passear, jogar cartas , bocha, bailes dançantes, conversas amenas, filas intermináveis em bancos na fila dos aposentados, ou, podemos fugir ao modelo e nos sentir tão esfuziantes em produzir, apesar da idade, nos sentir joviais e não jovem.

Sei de antemão que nos taxariam de ‘workaholic’, e com todas as definições de comportamento relativa à expressão.

Mas estou a falar do trabalho em si, e não ao sucesso, ego inchado, compensações, o que eu me permito sentir, é a possibilidade de produzir, ser útil a mim mesmo.

Respeito os transeuntes que estou a observar, declino do lazer da forma que me é oferecido, posso e me permito a ter prazer em me sentir util, produtivo , não tendo tempo em ‘aproveitar a vida’ e sim, ter tempo para viver a vida , da melhor forma que eu conheço e que me faz feliz.

sábado, 28 de maio de 2011

Sucesso

 

É arte

Acreditar no impossível

Resistir enquanto os demais desistem

Ter horizonte

Ser louco o suficiente

Muitas vezes estar só em suas certezas

Desistir e enraivecer por um momento

‘Ser’ periférico

 

Já encontrei pessoas com ‘sucesso’, simples e determinadas

Transcende o financeiro e o espetacular

Admiradas e combatidas pelas suas crenças

Crenças estas que nada mais é do que acreditar em si.

 

O modo de ‘ser’ é a diferença,

seja no pedestal do trigésimo andar da Paulista

Em palcos da Broadway

Ou nas montanhas do Himalaia,

O que as fez lá chegarem, é que elas já o eram, antes mesmo de ser.

Enquanto a maioria escuta ‘vem por aqui’, estes poucos afortunados, estão surdos às facilidades, abrem por si , seus caminhos, e seguem suas vontades e não cedem.

Sucesso, é ser livre em encontrar seus próprios caminhos.

domingo, 22 de maio de 2011

Eu, minhas pantufas e as meias de lã

 

Comprei a pantufa !

Só faltam meias de lã, que provavelmente ganharei no natal

Será que a idade nos faz pensar tanto sobre o que deixamos de fazer ou dos erros que cometemos

Teríamos que nos sentir culpados, entregar-se de corpo e alma a esse sentimento, transfigurar em dor e lágrimas torrenciais de desespero , já que nada mais podemos alterar.

E tudo o que fizemos torna-se obscuro, lembrando a imagem de um entardecer chuvoso de inverno, esquecemos com facilidade dos dias de sol.

Hoje queria ser outono ou inverno, a fim de satisfazer às vontades alheias, e aqui sentar e escrever palavras obscuras, fechando os olhos às lembranças boas, e pinçando partes em que fui, o que nunca desejei ser.

E uma vez completo o quadro, deveria me sentir o algoz de vidas.

Por mais que me esforce, mesmo buscando tais lembranças, não posso deixar que o obscuro cubra a luz, as risadas ainda ecoam em minha mente, emoções que delinearam o sentido de minha vida, sentir-se parte de algo maior, mesmo que, pareça ser distante hoje.

Nego a escuridão dos pensamentos, eles não podem sobrepor tudo que viveste, são pequenas partes que se somam ao total.

Nada mais do que isto !

pequenos’

E por serem obscuros,  tornam-se  inferiores à qualquer por do sol que assististe em vida.

Desculpem-me pela incapacidade de não me açoitar com os pensamentos obscuros.

E assim, Eu, minha pantufa e quem sabe minhas meias de lãs, seremos reconfortados pela luz das coisas boas que vivi, e quem sabe ainda viverei.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Sensações

Quantas vezes tenho oportunidade de sentir, não necessitando do pensar, simplesmente absorver.

Raras oportunidades me permiti, e hoje busco na memória os momentos que assim agi

Dirigir em tarde de sol, chuva repentina molha o asfalto, visão de nuvens de vapor me fazem parar o carro, meus olhos captam imagens dos pingos d’agua, o barulho surdo ao tocar o solo, o cheiro de terra molhada, e quase acordando deste transe sinto a agua gelada escorrer pelo rosto.

Deixar para trás os compromissos, e vislumbrar a tempestade em alto mar, na praia as ondas já revoltas, extasiado aguardo a violência da natureza, e nada faço, absorvo a força , sentido-me parte do espetáculo.

Após estes apocalíticos momentos de reflexão, retorno ao mundo em que nasci, sem sentido.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Tentativa de alcançar a realidade concebida.

 

Personagem desfocado

Encontro, desejos imperfeitos , inacabados

Conversas disformes

Estranho, não admitir o óbvio

Dualidade de situações inatingíveis

Descrever o indescritível

Tentativa frustrada de parecer ser

 

Atirar-se ao escuro

Respiração tremula

Viver por segundos

Morrer por horas

 

Somos capazes de viver sonhos , à custa da perda da noção da realidade, e mesmo assim, insistimos a cada folego, retornar às profundezas da inconsciência, na tentativa de alcançar a realidade concebida.

domingo, 1 de maio de 2011

Minha Verdade

 

Escrever sobre a verdade

Minha Verdade

Certezas que não consegui obter nesta breve passagem

Então como descrever a verdade, quando não há certezas

Que dificuldade nos faz ser assim, qual a razão em não querer ter certezas, e se as tenho, são fugazes, como a noite ou o dia

Verdades mascaradas pela vontade do momento, o que nos deixa vulneráveis a delinear o futuro desejado

Serei ‘momento’, minhas verdades estão dispostas na linha do tempo, encravadas sem elasticidade do continuar.

Ser momento, é ‘ser’ indiferente.

domingo, 24 de abril de 2011

Esta vida vai te matar :)

 

Esta vida vai te matar’

É hilário

Ela nos mata mesmo !

 

E com certa condescendência, à deixamos seguir

Sem nos alertar das suas intenções

Acreditamos que somos invencíveis

 

Triste engano

Deveríamos estar atentos às suas intenções

Elas são claras como o amanhecer

Espreitando e esperando a melhor oportunidade

E nós, nada fazemos….

 

Cada segundo ou milésimo de segundo, deveria ser diferente

Nos falta atitude !

A melhor forma de vencer é não ter medo

Medo de   …..

Contentar-se em ser feliz por um segundo

Aventurar-se nos próprios medos e receios

Ser incoerente com os outros, mas jamais com você mesmo

Ter certezas momentâneas e não ficar preso à elas, como se verdades imutáveis fossem

Doar-se com intensidade à sonhos impossíveis

Compreender que a tristeza tem fim

Aprender a humildade

E finalmente conseguir perceber ao fim do dia,

‘que esta vida vai te matar’

E sorrir da graça da vida. Alegre

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Mistério

 

A bruma e sons distorcidos

Fora de foco

Passos atordoados

 

A realidade é assim em comparação à sonhos

Não há nada a entender , já vem pronto

O mistério finda em notas musicais já conhecidas

Não há espaço para o fim, só o começo

 

Acordamos de uma realidade distante

Preferimos sonhos à melodramas superficiais

Enfim, o ciclo se completa

Sem grandes explicações

Assim somos

 

Abre-se espaço

 

Sempre haverá novos mistérios a povoar a realidade

Há uma profusão de anseios dúbios

Entre o desejo de viver a realidade a partir de sonhos

terça-feira, 12 de abril de 2011

My reasons

 

My reasons to continue, were few, and they diminish with each passing second. It's complicated

Poderia ser a letra de musica, parte de poema, não sei, mas parei, ao ler, e ver como pode ser tão verdade.

sábado, 9 de abril de 2011

“Sempre é tempo de mudar”

 

“Sempre é tempo de mudar”

Talvez o seja, quem sabe por comodidade não queiramos assim fazer, e deixar os dias tomem nossas decisões, não havendo tempo para agir, e tantas outras desculpas, que não deixa, de ser verdade.

Talvez, nascemos de um jeito e assim iremos permanecer até o fim de nossos dias, nada haver com ‘arvore que nasce torta , morre torta’, mas sim, arvores que nascem , crescem, florescem, e em dado momento morrem, sem alterar a sua forma ou natureza.

Não estou a falar em ser ‘bom’ ou ‘mal’, estou a discutir a natureza do ser humano.

Lutamos contra a natureza, nos forçando a acreditar que devemos não agir de uma forma ou de outra, não nos contentamos em ser o que somos, e , na maioria das vezes a frustração é o resultado desta luta.

Digo por experiência própria , será que o desgaste que tive em minha vida, tentando ser ‘melhor’ , foi a ação correta ?

Tenho grandes dúvidas se almejar este ‘melhor’ era o que realmente importava.

Descubro com certa nostalgia de tantos e tantos dias que se foram, e não admitindo, sou a arvore que cresceu, minha forma e natureza não se alterará,  posso florescer em nuances de cores diferentes, apenas isso.

A energia despendida em ser o que a natureza não proveu, é imensa e desgastante, e nada de ‘melhor’ nos trás,  apenas frustrações , descontentamento em não poder atingir o cume das árvores maiores ou mais floridas.

Pra que?

Esta pergunta que não se cala, acho que a humildade é parte de nós ser humanos, e quando , desejamos ser melhores , isto nos afasta do que a natureza proveu,  é a manifestação nefasta do egoísmo .

Aprendo com certa relutância, que sempre tive tudo à mão, não fui capaz de enxergar que como ser perfeito, deveria ter me aproveitado melhor, em não desejar o melhor, e sim, sentir confortavelmente com os potenciais que a natureza me proveu, e assim, poder apreciar a promessa de vida que temos ao nascer.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

CONVERSE COM DEUS



Me disseram, porque não conversa com Deus, expresse seus sentimentos e angústias, peça para Ele encontrar alguém para ti, ou que te ajude a ter paz.
Faz-me refletir com recordações das minhas conversas íntimas com Deus, e pelas lembranças não foram tantas.
Pontuais no que se refere a saúde, familia, coisas assim, mas , em relação a minha vida, o caminho que ela toma, não sei, se pedi a interferência divina.
Ou estou esqueçendo aqueles momentos, que quase bate o carro !
Ainda insisto, que meus pedidos foram mais dirigidos a terceiros, Ele deve ter anotado tais pedidos, pois, sempre fui atendido.
Agora solicitar a Deus que cuide da minha vida pessoal, com tantas necessidades muito maiores e urgentes que as minhas, seria egoísmo demais, precisamos assumir o rumo de nossa vida , temos que ter a decência de errar e assumir.
Eu O tenho com respeito, e quando era jovem havia medo,  agora  mais próximo ao fim, revela-se a incógnita final.
Poderia eu ir ao templo, orar , arrepender-me de tudo , tornar-me solidário, abrir mão de coisas materiais, e com isso sentir que minha carga está aliviada, com a promessa de algo melhor, e acreditando em tal possiblidade a incógnita torna-se plausível.
Sei a delicadeza de tal assunto, não há críticas , estou apenas tentando me descobrir, como lidarei com a incógnita final.
Serei um bravo que consciente de minhas certezas , irá rumar com passos largos e seguros até o fim inevitável ?
Hoje ainda não sei, talvez não o saberei até o momento certo, sei que minhas convicções em relação a Deus, são dúbias, eu sei, sou humano.
E após tantos “sei e não sei”, fica claro que não há certezas, apenas vagas convicções desgastadas pelo tempo.
Converse com Deus

F.Shook

04/04/11

quarta-feira, 23 de março de 2011

A rosa e a floricultura

Hoje nem sei a hora, resolvi escrever, e deixei para postar mais tarde, não sei porque, mas assim eu fiz.

Talvez para poucos lerem, quem sabe.

Desde hoje de manhã, um sonho ou visão , algo do gênero, ficou remoendo meus pensamentos

Não é algo com sentido claro, era um questionamento

Qual a diferença entre uma rosa e a floricultura.

Racionalizado a lógica me diz, que uma rosa compra-se, de fácil aquisição, e a floricultura , tem toda uma organização para acontecer, investimento etc…, e a diferença seria apenas o valor financeiro do investimento.

Ainda, racionalizado, seria a facilidade que poderia ter em obter uma rosa, plantaria uma roseira, e aguardaria o botão , bem, diferente em montar uma floricultura, de novo, a questão de investimento vem a baila.

Essas foram as variáveis lógicas na diferença, mas não satisfeito, passei a pensar em significados.

Não se presenteia uma floricultura, e sim uma rosa.

Apesar de todo investimento na floricultura, ela dificilmente, teria o significado de apenas uma rosa.

A única rosa poderia ser colhida de algum quintal alheio, às escondidas no meio da noite, visita inesperada à alguém, a surpresa da rosa ao lado do travesseiro no amanhecer.

Não esqueçamos do perfume , único , de um simples botão, sem a concorrência de outras flores.

Tantas histórias poderiam ser criadas a partir de um botão de rosa.

E a floricultura, apesar de tantas flores, tantas espécies, pouco significado poderia ali acontecer, talvez, na compra daquele único botão, que às pressas o visitante em final de tarde chuvosa, corre com a esperança de encontrar as portas abertas.

Então, ainda fico a imaginar as infindáveis possibilidades, e no fim, percebo que o “significado” é a diferença.

Nem preciso dizer que fico pasmo, que tal pensamento me venha a tomar o dia, e, apenas para lembrar-me dos significados , que deixamos passar a esmo em nossa vida.

Não estive atento e talvez ainda continuarei assim, mas , hoje posso deitar-me, tendo a certeza que a vida não pode acontecer, sem os significados,  mistérios que nos fazem ser mais humanos.

sábado, 12 de março de 2011

Sem eira e nem beira

 

Partindo como sempre

Não chego a me acomodar

E lá vou eu

Partindo

 

Tantas partidas que a perspectiva do que me rodeia

Passa a ser a próxima

E nem bem me acomodo e ..

Partindo novamente

 

Meu nome deveria ser “Estou de saída”

Evito cantos, pois , não os uso

Tenho pouca coisa, pois, bagagem incomoda

Amigos, vagas lembranças

Amores perderam-se nas partidas

 

Recordo-me de uma frase da língua portuguesa :

sem eira e nem beira

Eis que, parto novamente na esperança de novas caminhadas

Meu porto, não o achei, estarei seguro na procura.

Lá vou eu

Partindo…