terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Limitado serei até não mais ser

 

Certo dia, já faz tanto tempo que nem lembro mais

Se era outono ou inverno

Estava eu, andando na mata

Estava só

Folhas secas a crepitar, sob meus passos

Não é historia de terror, apenas algo que aconteceu

Notei que por mais que meu olhar alcançasse

Eram arvores iguais

Em todos detalhes, o tronco, as únicas folhas ainda existentes

Tonalidades do marrom ao cinza

Sons do vento que provocava poucas folhas que teimavam a não cair

 

Por mais que caminhava, nada mudava

Imutável

Sensação estranha no inicio

Depois curiosidade

 

Havia mais luz à frente

Clareira de verde estonteante

Som de agua a borbulhar às margens

Animais a pastar

Paz era o que transmitia, como aquarela à minha frente

 

Minha pele arrepiada com o frescor da sensação

Ao lado do pinheiro , o banco

Como se ali estivesse , à minha espera

Branco com detalhes entalhados na madeira

Era familiar , como se cada traço por mim fosse feito

 

Sentei-me e fiquei a olhar o reflexo da luz na agua

O tempo parou

 

Sorri em estar ali sentado , naquele banco

Já não me doem os pés , minha visão ficou aguçada

Nada importava, e não sentia falta ou remorso

Minhas risadas provocaram espanto dos animais que ali estavam

Também nem me lembrava o caminho de volta , risos, e não fazia a menor diferença

 

Como se de repente não importava os motivos , estava ali , só isso

As imagens do passado tão remoto, eram tranquilas e graciosas

 

É não fui por ai, nem por ali

E o caminho se fez descobrir

 

Aqui sentado neste banco de praça

A ver pessoas de mãos dadas à passear

Ainda assim, não me faz sentir arrependimentos do que não fui capaz de ser

Limitado serei até não mais ser

.

A procura da metade

 

Que poder é capaz de florescer tais frases

Dor ou a loucura , tanto faz

Poderia eu falar da outra metade com propriedade

Não, nem isso posso mais

Perdeu-se em algum momento

Na fuga

A procura da metade

Relembro …..

Que força do medo que tenho

Não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo em que acredito

Não me tape os ouvidos e a boca.

Porque metade de mim é o que eu grito

Mas a outra metade é silêncio.

Porque metade de mim é partida

E a outra metade é saudade

Que essa vontade de ir embora

Se transforme na calma e na paz que mereço

Que o medo da solidão se afaste

E que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável

Porque metade de mim , é a lembrança do que fui

A outra metade não sei

Porque metade de mim é abrigo

A outra metade é cansaço

Que minha loucura seja perdoada

Porque metade de mim é amor

E a outra metade

Também.

(Osvaldo Montenegro)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Certezas não as tenho

Estou vazio de vontades
Contradições a cada segundo
Certezas decaídas

Espaço e tempo se perdem no nada
Não tenho que ser
No vasto universo da minha mente, acharei meu ser
Nele sim, posso me abraçar
Sem ter medo do porvir

O universo me intriga pela vastidão
Sempre olhei com certa apreensão as estrelas
Inexplicáveis no firmamento
Nelas deposito minhas dúvidas
E sei, que se nesta vida não terei respostas
Talvez as tenha em outra
As dúvidas nasceram comigo
E com certeza irão acompanhar em meu passeio no firmamento
Sempre fui pretensioso, e não vou agora deixar de ser
Agarro-me às nuances da minha loucura
Salvação dos inocentes

.


.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Vontades amanhecidas


Escutei a musica que falava que mesmo sendo difícil as coisas, sempre tem o lado bom
Perdem-se os dedos e salva as mãos
A frustação da perda dos dedos, faz com que não percebamos que nos sobrou as mãos
Em ato continuo, desejamos que tudo se vá, como se pudéssemos retornar e reiniciar o processo
Belo engano, não há como ir e nem voltar, aqui ficamos , nos preocupando com anéis desalojados do conforto.
As vezes ao reler estas linhas, fico a pensar, será que em algum momento irei realmente escrever o que penso, sem usar metáforas e fugas , como se estas palavras disfarçadas em texto um tanto desconexos, representassem meu protesto, por tudo e por todos.
A frase de anos que se foram, veem a mente, “Rebelde sem causa!”
E assim mesmo , continuo a metralhar lindas frases , com a desculpa de devaneios ou com covardia de quem não sabe de outra forma ser.
Deixo aqui, parte olhos ferinos e de frustações eloquentes
Já iludido pela ironia de ser, sem saber ser, vivo meus parcos dias , que se esvaem em sorrisos e vontades disfarçadas.
Apenas o lamento sem cânticos
A visão letárgica do banco de praça, começo a vislumbrar na penumbra dos meus dias
A beira do precipício de vontades amanhecidas, quase a ceder,  sussurro !  “Não vou por ai! “

domingo, 9 de janeiro de 2011

A dor é seca e solitária

 

Acordei pensando

Qual dor dói mais

A minha ou a tua

 

A letargia que a dor me confere

Quanto maior o grau da dor, sofro menos fisicamente

Estranho ..

 

E como sentir a dor de outrem

Há não ser em culpas intermináveis

Que me lembram desertos com tempestades de areia

 

Não há lágrimas que altere tal estado

Concluo, que a dor é seca e solitária