quarta-feira, 23 de março de 2011

A rosa e a floricultura

Hoje nem sei a hora, resolvi escrever, e deixei para postar mais tarde, não sei porque, mas assim eu fiz.

Talvez para poucos lerem, quem sabe.

Desde hoje de manhã, um sonho ou visão , algo do gênero, ficou remoendo meus pensamentos

Não é algo com sentido claro, era um questionamento

Qual a diferença entre uma rosa e a floricultura.

Racionalizado a lógica me diz, que uma rosa compra-se, de fácil aquisição, e a floricultura , tem toda uma organização para acontecer, investimento etc…, e a diferença seria apenas o valor financeiro do investimento.

Ainda, racionalizado, seria a facilidade que poderia ter em obter uma rosa, plantaria uma roseira, e aguardaria o botão , bem, diferente em montar uma floricultura, de novo, a questão de investimento vem a baila.

Essas foram as variáveis lógicas na diferença, mas não satisfeito, passei a pensar em significados.

Não se presenteia uma floricultura, e sim uma rosa.

Apesar de todo investimento na floricultura, ela dificilmente, teria o significado de apenas uma rosa.

A única rosa poderia ser colhida de algum quintal alheio, às escondidas no meio da noite, visita inesperada à alguém, a surpresa da rosa ao lado do travesseiro no amanhecer.

Não esqueçamos do perfume , único , de um simples botão, sem a concorrência de outras flores.

Tantas histórias poderiam ser criadas a partir de um botão de rosa.

E a floricultura, apesar de tantas flores, tantas espécies, pouco significado poderia ali acontecer, talvez, na compra daquele único botão, que às pressas o visitante em final de tarde chuvosa, corre com a esperança de encontrar as portas abertas.

Então, ainda fico a imaginar as infindáveis possibilidades, e no fim, percebo que o “significado” é a diferença.

Nem preciso dizer que fico pasmo, que tal pensamento me venha a tomar o dia, e, apenas para lembrar-me dos significados , que deixamos passar a esmo em nossa vida.

Não estive atento e talvez ainda continuarei assim, mas , hoje posso deitar-me, tendo a certeza que a vida não pode acontecer, sem os significados,  mistérios que nos fazem ser mais humanos.

sábado, 12 de março de 2011

Sem eira e nem beira

 

Partindo como sempre

Não chego a me acomodar

E lá vou eu

Partindo

 

Tantas partidas que a perspectiva do que me rodeia

Passa a ser a próxima

E nem bem me acomodo e ..

Partindo novamente

 

Meu nome deveria ser “Estou de saída”

Evito cantos, pois , não os uso

Tenho pouca coisa, pois, bagagem incomoda

Amigos, vagas lembranças

Amores perderam-se nas partidas

 

Recordo-me de uma frase da língua portuguesa :

sem eira e nem beira

Eis que, parto novamente na esperança de novas caminhadas

Meu porto, não o achei, estarei seguro na procura.

Lá vou eu

Partindo…

quarta-feira, 2 de março de 2011

Missiva

 

Venho através desta missiva, tentar esclarecer o que aconteceu naquela tarde de verão.

Sabes que trabalho na secretaria da escola, não podia me ausentar, e isto motivou meu atraso.

Seu olhar demonstrava a impaciência pela espera, não houve palavras.

Justifiquei da melhor forma que podia expressar, sei, que sobre minhas costas pesavam o passado, de atrasos infindáveis.

Após aquele silencio dolorido, brotaram palavras, lembrando águas a descer pela montanha, ruidosas e violentas.

Recordo-me de vê-lá partindo, e eu, ainda sem saber como agir ou falar, deixei que a distância tomasse lugar.

Entardecer súbito, nuvens ao horizonte trazendo vento gelado, arrepio.

Não percebi o tempo passar, a noite chegava, e a passos lento segui o caminho.

Após alguns dias, em absoluto silêncio mudei-me para a cidade mais longe que poderia estar.

Precisei de longos anos, digerindo as palavras que naquela tarde foram ditas.

Minha fuga proporcionou a mais tola vivencia.

Palavras não ditas, deixaram o futuro turvo.

Acredito piamente na curva do tempo, o inicio começa no fim.

E o que eu não disse, já não faz diferença.

Fico com a lembrança de uma tarde de verão.