quinta-feira, 30 de junho de 2011

Sorriso que afaga

Sei que dói,
e pode durar para sempre,
certa manha você acorda e a vida recomeça.
Abra a janela
O sol está lá, a lua também
Abra a porta
A brisa que afaga
Sorria, o passado acabou
Sei que dói,
e pode durar para sempre,
certa manha você acorda e a vida recomeça.
Abra o coração
As cores. Ainda estão lá !  não mais cinza
Estrada que te chama, vá !
Tem muito à aprender
Não precisa correr, agora não mais
É tempo de crescer
Sei que dói,
e pode durar para sempre,
certa manha você acorda e a vida recomeça.
Rosas à beira do rio, perceba as diferenças
Aromas que lhe fazem lembrar sorrisos passados
Nostalgia aconchegante
Rosas que hoje lhe farão sorrir novamente
Aproxime-se , há espinhos e a vida não lhe dá garantias
Arrisque-se a estrada sempre estará lá
Aprendeu que podes seguir
.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A cama seria o melhor remédio, teimoso sou, e aqui estou !

 

Hoje seria aqueles dias, que gritaria com todas as letras em alto e bom som

Se gaúcho fosse  ‘Bahh “ !

Se baiano fosse, ‘Ôxente’ !

E não esquecendo a sonoridade do mineiro ‘Uaii

 

A cama seria o melhor remédio, teimoso sou, e aqui estou !

Disposto talvez a esquecer as exclamações acima, e mansamente, procurar passagem de ida para o Tibet.

E lá entre as neves eternas ao fundo, o personagem que vos fala, já careca, barba por fazer,  apenas com um manto de carneiro nas costas, entoando mantras, som que se perde nos vales das montanhas.

Tal visão me deixa com frio e revoltado, pois até lá , minhas palavras se perdem ao vento.

Neste instante, parte de mim, quase me carrega para a cama, não mais querendo essas viagens sem lógica.

Retorno à paisagem sem cor, de um branco profundo, caminhando montanha acima, à procura dos desejos saciados.

Recordo-me do professor de matemática , explicando que as distâncias entre dois pontos eram relativas, algo que nada acrescentava, e que neste momento, tudo me dizia.

Já não importa mais , se estou em Bangladesh, Butão ou Tibete,  as distâncias são idênticas a que tenho aqui entre meus desejos e a realidade, e não nego que a verdadeira razão era fugir, me afastando, e com isso purificando meu ser.

Abandono a viagem, rendo-me à cama, e a sensação que não há fuga, o máximo devaneios da realidade nua e crua.

 

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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Não há recomeço

onda-olhares-fc-words
Ondas que nunca findam
O balanço, veem e vai
Agarro-me às bordas
Frágil na imensidão das aguas

Desejo deixar-me ir
Ondas me levar
Resisto à espera da próxima
Não importa as esperanças ou vontades
Há sempre a próxima

Quero sentir algo diferente
A agua salgada já me deixou ressecado
E ali estou, à espera que desespera
Pode-se desejar não seguir
A escolha seria suave, sem rancores  ou remorsos

Mas !
Ondas que ja reconheço na sua formosidade e na violência
Sem surpresas
A próxima, terá nuances em suas curvas que a diferenciam
Meu olhar, não há espanto nem resignação
Sinto-me cumplice ao desejar que ela não me deixe
Virá inevitavelmente

Elevo-me ao som da aproximação
Êxtase
A textura das águas revoltas
Bruma que envolve
Manto aconchegante
Cheiro de sonhos e fantasias há pouco esquecidos

Complacentemente, aguardarei a próxima
Já não sei viver de outra maneira
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sábado, 25 de junho de 2011

Sou só lembranças

 

Há dias e dias

Hoje a caminhar entre pessoas, não havia ninguém

A rua era longa e minha caminhada também

Deixei os pensamentos fluírem, nada impedia

Era meu mundo

E por mais que desejasse não desejar

Sopros de lembranças percorriam ao meu lado

O sinal fechou, e ao normal retornei

 

Sorrio coincidentemente ao sinal verde

Todas lembranças entrelaçadas caminhavam

Observando minha reação

 

Havia há muito perdido em qualquer esquina passada a realidade

E agora, minha última companheira, a fantasia

Deixava-me sem sorrisos e nem adeus

 

Sou só lembranças

Fluindo e desvanecendo ao tempo

Sou só lembranças

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Antes ele do que eu

 

Morava sozinho, bom emprego, calma vida, o dia a dia nada mais era que mera repetição.

Amigos o alertavam, que o tempo passa, que havia incríveis oportunidades , devia sair mais, conhecer pessoas, abrir-se ao mundo, e se deleitar com os prazeres da vida, e ele, de uma forma teimosa , agarrava-se à repetição.

Seus momentos só, não eram solitários, e sim,  povoados de imagens e possibilidades , que de certa forma amenizavam suportar horas que nada tinha a fazer, e mesmo assim, optava pela repetição.

Certo dia, recebe a noticia desagradável, que o bom amigo veio a falecer, ao desligar o telefone, iniciou a maratona preparatória ao evento :

Mentalmente preparou-se para a cerimônia, o que falar, como portar-se, e quase mecanicamente foi escolher a roupa apropriada, logo após, estava lá, no velório madrugada adentro, observando as reações das pessoas.

Era quase impossível entender a ‘dor’, e incorporando os personagens que desfilavam, imaginava o que os fazia reagir de tal forma, expor sentimentos fortemente, será que tal despedida facilitaria o amanhã.

As horas na madrugada, foram recheadas de conversas amenas, causos antigos, lembranças memoráveis, e o amigo , ali deitado quieto, sem poder expor a sua versão.

Incomodava algo, com dificuldade fazia a ligação, entre sua morte e a falta da sua presença neste velório.

Questionava a sensação dele estar ali,  de ‘corpo presente’, sendo o personagem principal do evento, e não poder em nada intervir, nem poder obstar as pequenas mentiras nos comentários.

As demonstrações de carinho em público , resumia aos toques leves em suas mãos e a face, atitude que me parecia a afirmação da morte, ou a forma de se sentir vivo. Se ele estivesse ao lado, tenho certeza, que definiria tal atitude, como ‘antes ele do que eu ‘.

E lá pelas tantas da manhã, tantas pessoas o seguindo, ele que passou a vida na labuta sempre reclamando da falta de pessoas à sua volta, e por ironia do destino, a célebre cerimonia estava lotada.

‘Gran finale’, ultimo acto, todos à volta de uma cova, que era rasa, em comparação ao grande homem a ser enterrado, cânticos e lamentos finais, pétalas de rosa jogada, e finalmente a terra , nos levando a lembrar ‘do pó ao pó’.

O mais estranho é a partida , não do falecido , e sim das pessoas, o teor da conversa já não é o mesmo de momentos atrás, a vida continua é a tônica, e alguém passando comenta com o colega,  “voce vaí no churrasco hoje ?”

Observando a cova ainda com a terra remexida, história de vida ali encerrada, a única companhia um passarinho na árvore mais próxima, ‘quadro patético ‘ , não pelo fim em si, mas , a forma que nos leva até ele, como nos portamos, a sensação de invencibilidade quando jovem, estranho muito estranho !

Retornando à casa, terno no cabide, e já sentindo saudade da ‘repetição’.

Não importa se vai acontecer hoje ou amanhã, deveria saber que nos resta o agora, mais nada.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Tolices

 

Brinco com a vida

Vou a onde não se deve ir

Almejo o desnecessário

Preocupo-me com tolices

Meu corpo desconhece limites

O tempo, mero detalhe

A dor é temporária

A distância depende do ânimo

O amanhã talvez

Não importa e nem diferença faz

domingo, 19 de junho de 2011

As ondas do mar

 

A duvida persiste, é circulo ou ondas do mar

Confuso está, o inicio

Á minha volta

 

Poucas palavras, evitar assim estar

Não se importar que o destino venha a realizar

Repetirá como as ondas do mar

E nada impedirá o circulo completar

E eu de novo ali estar

 

Porque evitar, se nada é mais bravio que as ondas do mar

E finalmente o circulo se completará

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O equilibrista

Marcos, em toda sua vida não aprendeu a ‘ter’

Nada possuía, a não ser seus poucos momentos a só

Atitude aprendida na infância, agravada na adolescência e totalmente absorvida em sua vida adulta

No decorrer dos anos, longe estava de ser monge tibetano, pelo contrário.

A acumulação de bens tem sentido próprio, o valor está diretamente à sua utilização, quase sempre a compensação pela tranquilidade, atenção e tantos outros sentimentos.

A moeda tem valor próprio, com signativos intangíveis, que faria qualquer professor de economia desistir de interpreta-los.

Egoísmo !

Marcos é incapaz de tal sentimento, equiparando-se á criança que possui brinquedos e a sua obstinada manutenção dos mesmos.

Longe está nesta atitude a presença do egoísmo, mas sim, ao afeto pelos brinquedos.

Conheço Marcos, e o vejo como ermitão em seus desejos, vida delineada no equilibrio constante, à balançar na corda bamba, sempre evitando ou postergando a queda, por ele sempre eminente.

Como amigo Marcos, já lhe disse , és equilibrista , nem sempre o eminente acontece.

Pense nisso.

terça-feira, 14 de junho de 2011

A razão dá lugar ao ‘momento’ e à ‘emoção’, não há moeda de troca !

 
Após tantos cursos, congressos, discussões infindáveis
Aprendi que a soma é sempre igual, não importa a ordem dos fatores
Negociar é o que aprendi, esta referencia tornou-se presente em minha vida, que achava até pouco tempo verdadeira, e agora percebo, só é verdadeira no aconchego de um recanto, protegido, imune a fatores extemporâneos.
A tristeza não tem lugar, não pertence ao ‘negócio’,  a vida torna-se um gráfico senoidal, com suas ondas suaves a subir e descer, variações previstas e prevenidas, acreditava que a linha do tempo não criaria nenhuma variação tempestuosa, mesmo que fatos desagradáveis ocorressem, pois,estavam perfeitamente previstos.
Eis que ,
A razão dá lugar ao ‘momento’ e à ‘emoção’, não há moeda de troca !
Formulas aprendidas, hoje já não descifram e nem me previnem, recalculo e nada, não há ainda soluções equacionadas.
Abrevio meus pensamentos, jogo sem conhecer as regras, atiro à esmo, e os resultados não se alteram.
A raiva crescente acontece, em algum momento eu devia aprender, e não pude ou não me permiti, sem ouvidos para ensinamentos ou palavras que poderiam ter me previnido.
Estou aqui, despreparado, e relembrando ‘Dom Quixote’, com seus moinhos de ventos.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Suavemente …

Esqueci a sensibilidade
Será preciso jogar sempre, com minha vida e as demais?
As tardes de outono,  à mente retornam constantemente
Necessidade sentir o vento gelado
Arrepios de solidão
Passos tristes
Respiração ausente
Procuro o portal que me faça sonhar com dias de verão
Quem sabe sorrir
E o inimaginável
Viver !
Não importando qual o próximo passo
Acreditar que não há precipício
E relutantemente deixar-me levar
Suavemente …

domingo, 12 de junho de 2011

Devemos acreditar no que há de melhor em cada um

 

Refletindo …  se teria uma história para contar

Noite de sábado fria, dia dos enamorados , e insisto em imaginar a possibilidade de contar ou criar uma história, que por tantas vezes aqui foi esboçada com minhas viagens literárias.

Meras especulações de vida, em momentos que necessitavam ser descritos, de uma forma tortuosa, às vezes inadequada ou até deselegante, e quem sabe inócua.

Esse é o caso, um palavreado escolhido, como se estivesse com o dicionário aberto, a escolher as ‘melhores’ palavras, que impressionam mesmo com tão pouco teor de verdade.

Estou aqui inoculando textos, que em nada nos protegem ou nos façam melhores, infelizmente ou felizmente, tenho este pequeno espaço em que treino minhas aptidões literárias, sem precisar pedir licença e sem custo, a não ser, o do leitor clicar e passar para o próximo blog.

A história?

Nevava, o vento quase me paralisava no lugar, logo acima alguém  observava, sentia o olhar de forma estranha quase incomoda, quem será que neste entardecer de inverno, está a me observar.

Suas vestes vermelha, contrastando o branco da neve, esvoaçar do tecido era languido, seus longos cabelos negros imóveis renitentes à força do vento.

Incomodava-me imaginar que meus passos distanciariam de tal pessoa, sem entender esses sentimentos, imóvel também me tornei.

A imobilidade da situação congelava minhas reações, nossos olhares fixavam, hesitante esbocei um sorriso, correspondido sem poder suas faces ver.

Não havia medo ou receio, a sensação me acolhia, era do reencontro necessário, e minhas longas vidas exposta.

O mistério revelou-se.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Lembranças tornam-se dóceis


O tempo resume em poucas frases os dias mais longos
Lembranças tornam-se dóceis

Pergunto-me : onde está o futuro ?
Acreditava que meus passos passado, me guiariam
Seria perfeito se assim fosse

Que nada !
Nossa existência por mais que nos agarremos à ela
Não nos deixa seguir calmamente
Há surpresas inimagináveis
Basta, continuar andando …….

terça-feira, 7 de junho de 2011

Sonhar é o que me resta

 

Já são quase duas da manhã, fria

Ainda relutante em ir descansar

Escuto Creed em seu lamento final

Sensação de espaço vazio

 

Não há lógica

Desconexo

Palavras que descrevem meus últimos dias

A ventania de pensamentos e de poucas ações

Areia salpicando a pele, como lembranças doloridas

 

A impossibilidade de agir, aceitar o ‘status quo’

Lamentos surdos

Criam-se correntes em nossa existência

O que posso fazer , a não ser aqui materializar em pequenas frases

Momentos intensos aos quais fecho os olhos

 

Recordo-me de sonhos, eram abismos negros que devoram o tempo

Mesmo débil, procuro o indelineável impossível

Sonhar é o que me resta

sábado, 4 de junho de 2011

Quase transparente

Entre palavras e atos descontínuos
Passos na multidão, fugindo das evidencias
Sentia-me exposto , frágil, quase transparente

Explodi em pedaços
Que se lhe atingissem
Seria suavemente
Como lembranças de verão

Caminharei, sem desejos
Pedaços me tornei

Agora a essência
Exposta à vida

Agora sei
A onde não ir