terça-feira, 29 de novembro de 2011

Butão


Que tolice poderia eu, escrever nesta segunda a noite, ha não ser , que eu viaje em devaneios como sempre, e em questão de segundos estar no Azerbaijão ou no Butão ao sopé do Himalaia, lugares escolhidos a dedo, de um lado estepes áridas e de outro a imensidão das montanhas.

O meu estado de espirito hoje me leva a caminhadas nestes locais de terras sem horizonte e a picos que nos deixam menores a cada aproximação.

Estou a contemplar minhas limitações, ou quem sabe, abandonando minhas posses e alimentando minha fortuna de lembranças neste caminhar.

Em que as certezas esvanecem a cada passo, e apesar do vazio resultante, há paz em não saber, esvazio a alma , as expectativas dão lugar à aceitação.

Viagem sem volta, é o caminhar, apenas …

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Livro, Arvore e a Bíblia

 

As lembranças são como areia, com o passar do tempo acomodam-se em espaços minúsculos de nosso cérebro, a recuperação é demorada, não existe mais a certeza da ordem dos fatos, a versão sempre lembra filmes baseados em livro, fiel até certo ponto.

O local Colégio Sta. Terezinha, Irma Malvina e o padre capuchinho, não exijam nomes, não me é fácil,  e  aos dez anos , assumia meu primeiro cargo, coroinha, que me proporcionava acesso a hóstias e vinho, e acesso ás sobras, eram deliciosas, que o Senhor me perdoe, afinal ainda era inocente.

Neste ambiente nasceu a minha petulância e atrevimento em escrever, havia escutado, que para ser homem, era necessário, plantar uma árvore, escrever um livro, e ler a Bíblia.

Quanto ao Livro , comprei um diário, onde escreveria todas as minhas peripécias e sonhos, a primeira página foi a mais difícil, recordo-me sim, era extremamente branca  e longa, a dúvida do que exatamente escrever, para entreter o grande público que um dia leria minhas grandes aventuras.

Na falta das palavras certas, resolvi, que deveria primeiro colocar a data, em seguida, se estava quente ou frio, e se estava chovendo, pois , na época me parecia de grande importância saber como estava o tempo, como se isso desse o tom para as palavras seguintes, e desde aquela época, já se manifestava meu pensamento lógico, pois, todos os afazeres do dia, deveriam ter o horário que ocorreram.

Enfim, meu grande livro inicia-se e está sem fim até hoje.

Quanto a arvore, plantei um pinheiro de natal, que no decorrer dos anos, tornou-se frondoso, e no ápice do seu crescimento, ceifado foi, para ali construir uma casa, e agora me pergunto :

Se cumpri com um dos desígnios de ser homem ?

O corte prematuro, me obrigaria a repor com outra arvore?

Concluí que não, afinal fiz minha parte , ele deveria estar frondoso até hoje, se isso não ocorreu não tenho culpa, fiz minha parte.

Quanto a Bíblia, adquiri algumas no decorrer de minha vida, li algumas passagens, e as vezes em tom de brincadeira, comento, se ler a Bíblia morrerei, pois completaria as três coisas, e não me esqueço de alguém que me disse, de imediato, que eu estava confundindo, não morreria, e sim me tornaria um Homem melhor.

Pela enrolação, nota-se, que não li a  Bíblia, tenho conhecimento dela e de um dos pecados mortais, pois, foi o único que guardei, ‘Não faças aos outros o que não faria a ti mesmo’, e neste instante vou ao Google, e vejo que não existe tal mandamento, fiquei confuso, ai, leio que Jesus o modificou ,Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo teu espírito. Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo.”

Minha surpresa não acaba acaba aqui, ao reler tais linhas, vejo que meu livro está inacabado, minha arvore não existe mais, e não li a Bíblia, falta-me muito para tornar-me um Homem, declino da soberba, ao viver dias e mais dias acreditando que sou alguém melhor, belo engano, afinal, minhas páginas ainda estão em branco, minha árvore não se firmou na terra e minha alma ou concepção de vida está ainda para ser lida.

domingo, 20 de novembro de 2011

ALEGORIA DA CAVERNA

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(adaptações: Paulo A. Duarte - Professor do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Catarina) 

 

Imagine um grupo de pessoas que habita o interior de uma caverna subterrânea, estando todas de costas para a entrada da caverna e acorrentadas pelo pescoço e pés, de sorte que tudo o que vêem é a parede da caverna. Atrás delas ergue-se um muro alto e por trás desse muro passam figuras de formas humanas sustentando outras figuras que se elevam para além da borda do muro. Como há uma fogueira queimando atrás dessas figuras, elas projetam sombras na parede da caverna. Assim, a única coisa que as pessoas da caverna podem ver é este “teatro de sombras”. E como essas pessoas estão ali desde que nasceram, elas acham que as sombras que vêem são a única coisa que existe. Imagine agora que um desses habitantes da caverna consiga se libertar daquela prisão. Primeiramente ele se pergunta de onde vêm aquelas sombras projetadas na parede da caverna. Depois consegue se libertar dos grilhões que o prendem. E o que acontece quando ele se vira para as figuras que se elevam para além da borda do muro? Primeiro, a luz é tão intensa que ele não consegue enxergar nada. Depois, a precisão dos contornos das figuras, de que ele até então só vira as sombras, ofusca a sua visão. Se ele conseguir escalar o muro e passar pelo fogo para poder sair da caverna, terá mais dificuldade ainda para enxergar devido à abundância de luz. Mas depois de esfregar os olhos, ele verá como tudo é bonito. Pela primeira vez verá cores e contornos precisos; verá animais e flores de verdade, de que as figuras na parede da caverna não passam de imitações baratas. Suponhamos, então, que ele comece a se perguntar de onde vêm os animais e as flores. Ele vê o Sol brilhando no céu e entende que o Sol dá vida às flores e aos animais da natureza, assim como também era graças ao fogo da caverna que ele podia ver as sombras refletidas na parede. Agora, o feliz habitante das cavernas pode andar livremente pela natureza, desfrutando da liberdade que acabara de conquistar. Mas as outras pessoas que ainda continuam lá dentro da caverna não lhe saem da cabeça. E por isso ele decide voltar. Assim que chega lá, ele tenta explicar aos outros que as sombras na parede não passam de trêmulas imitações da realidade. Mas ninguém acredita nele. As pessoas apontam para a parede da caverna e dizem que aquilo que vêem é tudo o que existe; é a única verdade que existe; é a realidade. Por fim, acabam matando aquele que retornou para dizer-lhes um monte de "mentiras".
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REFLEXÃO:
Por meio desta parábola, relatada por Platão, podemos refletir um pouco acerca do que entendemos por verdade. Será que nossas verdades são as “sombras” que se encontram em nossa frente? Será que nossas verdades se resumem apenas ao que percebemos com nossos cinco sentidos? Quando acreditamos apenas no que conseguimos ver, ficamos dentro das muralhas de nossa existência, de nossos sentidos, percepções, conceitos e preconceitos. Precisamos tomar cuidado para não aniquilarmos prematuramente o que ainda não vemos. Pode ser que se perca uma ótima oportunidade de ampliar nossos conhecimentos. Acreditar nas "sombras" é um péssimo hábito que, infelizmente, está muito presente também no mundo da ciência.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Recado sutil

sem fim
Não sou bom na arte de mandar recados sutis, aliás, se minha sobrevivência dependesse dessa leveza, estaria em apuros.

Transpareço os sentidos na face, não há enganos, a decepção e alegria são tratadas da mesma forma, as tentativas de dissimular minhas emoções nunca me trouxeram alívio, muito pelo contrário, noites mal dormidas e rosto corado.

Tal exposição lhe permite ser, simplesmente ser, independente de lhe rotularem como ‘Maquiavel’ ou o tolo da esquina, com tal atitude, retiro a carga que nossas impressões refletem à outrem, somente importando meu bem viver.

Neste instante nossos falsos pudores e hipocrisias, nos alertam, que sou egoísta, pois, me importo com meu bem viver.

Ou será que assumo a responsabilidade de querer viver bem, sim, e do meu jeito, e com isto, acredito que as pessoas com quem me relaciono tem a necessária transparência de no mínimo visualizar um ser humano por inteiro.

O que quero dizer com isso?
Há hipocrisias demais confundindo a visão, quereres dissimulados a fim de justificar atitudes.
E neste momento de reflexão, fica claro, que o estado de estar e a crença que realmente somos o que refletimos nos deixam frágeis, vivamos sendo e não estando, assumindo o risco da incompreensão e evitando ser diferente do que és, pois, a outorga de nossa única vida à terceiros é um preço impagável, serás eterno devedor.
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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Astronauta que caiu do abacateiro

 

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Lembranças, tolas e significativas, que nos fazem recordar com certa melancolia a inocência perdida

Nas noites escuras, no quintal que havia em casa, eu me movia entre fios que acreditava serem antenas,  ligados a um rádio, a fim de escutar a BBC de Londres, ouvia aquela língua estranha , com sotaque diferente dos filmes de cowboy americanos, e também procurava alguma transmissão de conversas de aviadores, não sabia eu, que as frequências eram totalmente diferentes das que eu tinha acesso.

A tecnologia fascinava, estávamos na era das grandes viagens espaciais e aviões a jato,  e no abacateiro mais alto, construí em papelão e madeira o meu Cockpit , palavra que aprendi cedo o significado, através de algumas revistas ‘Seleções” que descreviam aventuras de grandes aviadores, um dos quais , Charles A. Lindbergh, que realizara a primeira travessia transatlântica dos EUA  a Paris, viagem que mentalmente realizei por diversas vezes, sem , poder conceber corretamente a paisagem do mar, pois, ainda não havia conhecido.

Após tantas viagens imaginárias, estava apto a criar meu foguete espacial, necessitando incrementar a minha nave, afundei-me em aventuras no ferro velho de meu avô, encontrando as peças que faltavam, pintura veio de uma lata velha com sobra de tinta, cor de alumínio, os relógios necessários à navegação foram devidamente selecionados de painel de um trator há muito encostado, e a força motriz para me tornar o primeiro astronauta lançado de um abacateiro, eram as sobras de pólvora de São João, e em pouco tempo, estava preparado a parafernália, a fim, de iniciar a grande viagem.

O dia estava ensolarado, próprio para elevar-se aos céus, casaco já velho de couro, era meu uniforme, a contagem regressiva estendeu pela manhã , a fim, de não esquecer nenhum detalhe na sequencia estudada dos botões a serem pressionados, até o momento final, da ignição.

5, 4, 3, 2, 1, 0  , acendo o fósforo e o rastro de pólvora vai até a parte inferior da nave, e apesar da tensão, sabia que havia planejado corretamente,  ‘ bummm ‘, sacolejo e perco o equilíbrio, algo havia dado errado, a quantidade de pólvora havia sido demais para a estrutura da nave, despenco, entre galhos que amorteciam a queda, até o baque final.

Destroços da nave caiam à minha volta, o uniforme protegeu quanto a arranhões, e minha mãe apesar do barulho, veio com a calma característica de quem tem 5 filhos, pergunta, você está bem, e eu com um sorriso amarelo digo que sim.

Vejo por toda parte minha nave destruída, não há choro ou decepção, sinto que em algo falhei, não era esse o final planejado, a glória sim, e não o chão como havia ocorrido, levanto, e ainda atônito, senti a tristeza, que , só poderia novamente voar, após o São João do ano que vem.

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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Conquista do ‘meu mundo’

 

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Entrei no ônibus, primeira aventura aos 13 anos, eram onze da manhã, meus planos tomavam forma, a primeira viagem sozinho, viagem secreta, dinheiro escondido nas meias, a poltrona tinha que ser a nr 14, atrasei uma semana o feito a fim de conseguir tal lugar, expectativas, medos e decidido, acomodei-me  e sorri , meus sonhos ali começariam.

Lembro da minha esperança, a possiblidade de uma menina bonita, charmosa, sentar ao meu lado, tornando a viagem mais agradabilíssima, e , quem logo vejo, o senhor, ainda de chapéu , pedindo licença e quase frustrou minha aventura, mas que nada, ele de imediato esboçou um ‘bom dia’, seguido do gesto de levantar o chapéu , respondi com um bom dia meio tímido.

O seu nome , já não me lembro, mas me senti importante, ao escutar que meu companheiro de viagem, ia visitar sua família no hospital, sua neta teve uma menina, e em pouco tempo sabia quase tudo do seu trabalho, família.

Escutava e a paisagem ia mudando ao afastar da minha cidade, e ele , me questiona ‘filho, não és muito criança para viajar sozinho’, com discurso preparado, informei que estava acostumado a viajar, e ia até a cidade vizinha, no Estado de São Paulo, na livraria adquirir livros, que usarei na escola, o que não deixava de ser verdade, e apertei meu bolso onde havia anotação das coisas a fazer:

Descer na rodoviária comprar sorvete de limão, na rodoviária, era mais barato

Livraria, em frente à praça, e ficaria horas, olhando os títulos de livros, e os cadernos coloridos , que na minha cidade não existia.

Ao lado, havia uma pequena loja que conheci com meu pai, onde tinha selos do mundo todo para vender, para qual reservei alguns trocados, seriam a lembrança da incrível viagem.

E finalmente, por último, antes das 16:00 hrs, o clímax, ir a confeitaria, comer uma ‘bomba de chocolate’, sentado nas mesas redondas, muito chique, com toalhas de renda branca e a garçonete simpática, e não poderia esquecer do suco de uva, e canudos multicoloridos.

Chegamos no horário previsto, e com disciplina militar, cumpri todos meus compromissos, e achei tempo de sentar no banco da praça, e aquele momento, a sensação era maravilhosa,  era o homem mais importante do mundo, mesmo estando a 80 km da minha cidade natal, mas estava em outro estado, havia atravessado a fronteira, memorizei uma centena de títulos de livros, e pude absorver uma série de resenhas das abas, viajei pelo mundo na loja de selos , atendido por alguém interessante, acho que era um libanês, que tinha dificuldade de falar o português.

Agora restava o mais difícil da viagem, superar o receio, de adentrar um recinto, muito formal e caro, a confeitaria, com suas cores na fachada , e vitrines perfeitamente limpas, hoje já não importa mais meus medos, pois, o maior era enfrentar o sorriso da garçonete, solícita e bonita, treinei mentalmente como iria falar, um sorriso meu seria imperdoável, e assim sério, pedi a bomba de chocolate, suco de uva , sem antes conferir se meu dinheiro era suficiente.

O doce sabor da bomba, era o sabor desta viagem , venci todos obstáculos, por mais, que eu tenha desistido tantas vezes, meus medos esvaneceram , não pela minha coragem, mas pela insistência, em aceitar o inevitável,  quando decido algo, mesmo que tenha medo, receio, e falta de coragem, sei que terei que fazer, e o quanto antes o faça, melhor, pois sempre uma vez decidido, será inevitável.

Missão cumprida, meus passos parecem mais leves e confiantes, afinal eu era o dono do mundo, a primeira conquista aconteceu, tal fato iria ficar entre meus segredos, mas, meu olhar para com meus amigos, não seria mais o mesmo, eu mudei, provei que sempre é possível, não havia limites, de menino no inicio da viagem , tornei-me importante, seguro que apesar das risadas das minhas esquisitices, tudo era possível.

O homem conquistara a lua, neste ano, e eu conquistei ‘meu mundo’.

 

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domingo, 13 de novembro de 2011

Pretensões

por sol-vermelho800







Há situações em que nos vemos entre decidir entre a certeza e o incerto
Aposta que fazemos todo o santo dia, que nos acompanha no decorrer da vida
Como se prováveis fossem.
Será que a aposta correta é a certeza, já tenho dúvidas
Pois , o improvável me acompanha diuturnamente, sempre a espreita, abocanhando minhas absolutas certezas, e fico apático a tal fato.
Vivo baseado em experiência passada, na realidade, apostas com números já sorteados. Que certeza é essa?
No máximo consigo almejar a mesmice, nem reluto mais, dou graças aos dias iguais, e ao final da noite a frase  ‘Graças a Deus o dia foi bom’, como se o resultado financeiro de um dia, lhe agregasse algo, ou se a tranquilidade de um dia lhe garantisse o mesmo amanhã.
Ordem ?  Perfeição ? Certeza ?
Que pretensão !!!!!
Sou pretensioso em achar que posso almejar o equilíbrio das minhas certezas e controlar o improvável, se Deus fosse, olharia estes humanos pretensiosos com olhar clemente.
E falar que deveríamos viver ao léu, ao sabor das ondas, onde a aventura seria o norte, e que o futuro é o hoje, proposições que foram reservadas aos poucos escolhidos, seres humanos que captaram a essência da vida, com a coragem de abrir mão se necessário à longevidade pela intensidade.
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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

As mãos

 

Há muito não olhava minhas mãos

Pois, nelas percebo o tempo que passou

As marcas ali delineadas, não são profundas

Pequenas, porém estão aqui e acolá

 

Inexiste a preocupação da jovialidade, apenas, o tempo

Tempo que por si só, me faz refletir

A similaridade destes traços com a minha vida

Pequenos pontos que juntos gerariam um gráfico senoidal

Ondas, similares, ora acima, ora abaixo

Não há picos !

Estou devidamente equacionado entre duas retas

 

Pergunto-me se privilegiado fui , se por ato divino ou covardia terrestre

Tal suavidade ao viver, incomoda-me de certa forma

Será possível tal planejamento, em que todas as variáveis controladas estão ?

Isto a cada dia parece estar mais à sobreviver, no aguardo do fim inevitável.

Será que passei estes anos todos esquivando da vida?

Optei pela sobrevivência serena, tranquila e controlada, como se possível fosse

 

E da observação de minhas mãos, questiono-me

Tais marcas levemente delineadas me fizeram sobreviver à tudo e a todos ?

Ou, apenas perdi a grande e única oportunidade de optar em viver?

 

Único alento, é apegar-me à máxima, ‘Enquanto há vida, há esperança’

Quem sabe ainda posso arriscar-me a viver, e deixar a sobrevivência aos covardes como eu, que se escondem atrás das colunas do medo.

Quem sabe …

 

 

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