sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

2012 - Gosto de pipoca e finais felizes

pipoca

Sempre tão sério ou carrancudo, preocupado com a sobrevivência humana, discussões intermináveis se Deus dirige nossa vida ou o livre arbítrio é o que nos faz melhores ou piores, se agimos com egoísmo em não amar, fugir de dores que porventura poderiam nos atingir, são imensas as possibilidades , a vida pode tornar-se complexa com o conhecimento, a simplicidade se esvai entre os dedos, quando decidimos controlar variáveis impossíveis.

Gosto de pipoca e finais felizes’, que choque, tal frase profunda pela simplicidade não veio de algum monge tibetano, e sim de filme ‘Agua com açúcar de tardes de verão’, a assertiva do gostar de algo, sem a dúvida ou entremeios, e o desejo dos finais felizes, que de alguma forma o atingirão.

Me faz refletir do quão distante estou, da simplicidade e humildade, pois, discursar sobre a vida em apenas duas vontades, e nela terminar em si, é algo que não conseguiria, seriam necessárias laudas e mais laudas, e o final seria confuso como é de se esperar.

2012 , com todo respeito que é merecedor, vamos ver, se este vivente abre mão da lógica, filosofia e teimosias, e quem sabe, tranquilamente com os pés na areia da praia, possa sentir o frescor d’agua, a brisa e o por do sol, e SIMPLESMENTE SENTIR A VIDA NA SIMPLICIDADE QUE ELA É,  vivemos e morremos, o entremeio cabe a nós proporcionar a tal felicidade, quem sabe comer pipoca e chorar de alegria por finais felizes.

Feliz Ano Novo

A praça





Grama ardia, coreto descoloria e o jardim sumiria
A praça confundia, já não sabia onde ia
Olhos entreabertos, imaginando se acordaria
A realidade acalmaria, e a praça no passado ficaria

Borrões de lembranças, na esperança que superaria
E mais um dia teria
A pintar a face branca do porvir
E nas noites saberia ir …

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Invisibilidade constante

silhuetaa

Translúcido à olhares

Invisível a vontades

             Opaco

 

Não és brisa nem tempestade

És entardecer no outono

Folhas ao chão

                 Esquecimento

 

Amanhã ou ontem tanto faz

Não és presente

És o hoje a esquecer

Fugaz

 

Se noite fostes, a lua lá não estaria

e dia jamais serias

És tarde chuvosa em alto mar

           Vazio

 

A existência reduzida à poucas vontades

Ceder e nada exigir,

passará…  simplesmente   passará

 

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domingo, 25 de dezembro de 2011

NATAL de todo dia

image

Como havia me prometido, surpreendi a mim mesmo, camarão e filet de peixe grelhado, o querido garçom distribuía simpatias e gentilezas, sei da preocupação de se passar a noite de natal fora do convívio familiar, de alguma forma, além da  gorjeta  substanciosa, tenho certeza que meu muito obrigado e Feliz Natal, nos deixou mais felizes.

O que me fez refletir no jantar, o fato do garçom também ter família, por isso, meu Feliz Natal, deve ter amenizado a distância que se encontrava da família, e tantos outros que tem compromissos nas noites natalinas.

Estou longe de ser cético quanto ao Natal, pois , levei bom tempo para saber a verdadeira história de nosso amigo de barba branca e roupas vermelhas, e hoje assistindo filme sobre nosso bom velhinho, ainda , posso me emocionar e sentir traços de velhas e boas lembranças.

No decorrer do filme, achei uma graça o fato de Papai Noel hoje ser representado como Super. Homem, é humano e sobrenatural, e neste caso específico , era até separado e tinha filho, à procura da Mamãe Noel, renas divertidas que falavam linguagem inteligível, elfos jovens com 900 anos, e linha de produção na fábrica de brinquedos.

Estas linhas, como sempre, tem significado, principalmente para mim, a cada nova leitura que faço e em 2012, espero lembrar todo dia.

Que Natal é a época em que lembramos o que deveríamos ser todo dia,  pois, a sensação é indescritível,   ‘Amar o próximo como a ti mesmo’.

FELIZ NATAL

sábado, 24 de dezembro de 2011

Recantos

 

Se esqueço fácil, definitivamente não !!!

Uso o subterfúgio da memória seletiva

Há recantos obscuros, que nem ouso adentrar

O tempo mascara as trilhas

A realidade,  encarrega-se de novas criar.

 

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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Mendigo

 

MAOPATI

Estendi a mão, e ficastes vazia

Tal moeda não me salvaria

Escravo dela me tornaria

Mendigar perpetuaria

E pela eternidade desejaria.

 

 

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Ouvidos

ouvido

Noto que me faltam ouvidos, não sei a onde foram

O que importa nestas poucas linhas, como é interessante nós Ser Humanos, estamos prontos a receber, e temos tão pouco a dar.

É maçante receber a paga pelo tempo que nos foi dado por ouvido alheio, nossas bocas não tem memória, deve ser isso.

E para vocês que tem a petulância e audácia de ler estas poucas linhas, devo-lhes, pois seus olhos tem memória.

 

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domingo, 18 de dezembro de 2011

A Esteira

A esteira

Acabei de fazer 2 minutos extremamente cansativos na tal esteira, adquiri já faz um ano, não nos relacionamos muito bem.

Escolhi um quarto somente para ela, não abro mão da minha privacidade, achei a posição perfeita, lá está ela, voltada para a paisagem da grande cidade, onde há mil pontos a observar, recordo-me bem , que após a montagem de tal artefato, fiz planejamento da sua utilização, ao acordar, depois de almoço e antes de me deitar, e como já era tardezinha, nada melhor do que começar tal rotina, no próximo amanhecer.

Vamos dizer, que a sua existência me incomoda, pois, há sempre sentimento de culpa a cada vez que passo pelo quarto, e a vejo lá, olhar de quem está insatisfeita, promessas não cumpridas.

Nos primeiros dias, achei a solução perfeita, fechei a porta, pronto já não havia o visual daquela máquina cobradora, sensação boa, por um tempo funcionou.

Culpa pelo exercício não realizado ou da compra mal pensada, não importa, me incomoda não compartilhar momentos que foram prometidos.

Desta forma, roubo momentos da minha vida com certa relutância, as experiências são cansativas e rotineiras, acalmo minha culpa, e a deixo só, acreditando que não consegui satisfazer seus desejos, transformar-me em algo melhor e mais saudável.

Hoje aqui sentado, confortavelmente ,  penso na decisão em desistir dela, por mais que eu saiba das suas boas intenções, e assim, livrar-me das cobranças e olhares desaprovadores , e assim decidido, escutarei blues, e ficarei refletindo eternamente de como teria sido se minha vida fosse diferente.

 

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sábado, 17 de dezembro de 2011

Estranha sensação

 

homem 01

Estranha sensação, que nos faz repensar

Ficamos frágeis , interagimos com emoções esquecidas

A realidade se desfaz como que por encanto

Nossas vontades já não é prioridade

Somos retalho ao vento, sem eira ou beira

Luta inglória, tendo como única opção, agarrar-se à realidade

Recanto de salvação,  felicidade fugaz

 

Estranha sensação que nos persegue

Aperto em nossas entranhas, é o sinal

Alerta da caminhada que ainda está porvir

Já não conseguimos fugir para a tranquila e esperada realidade

Nos lançamos fadigados à sonhos e visões

Frustrando todas nossas realizações

Impassíveis assistimos à esse desenlace,  da realidade e desejos

 

Estranha sensação, ao navegar à deriva

Mar revolto por nossas aventuras abandonadas

Respingos de prazer

Leme abandonado

Realidade segura nos deixa, mansamente

 

Estranha sensação de estar sem rumo

E tão seguro que meus sentidos, me levarão ao porto seguro

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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ponto

 

Tem dores que não são profundas

Apenas rasgam

Mesmo que o motivo seja indiferente

Ou não

domingo, 11 de dezembro de 2011

Meia Vida


Gosto talvez da frase ‘meia vida’, é aquela vida em que os fatos se sobrepõe, se arranjam, não há grandes variações , a felicidade neste caso é restrita aos fatos que não perturbam e vida acontece, cumpre seu caminho da melhor forma que achas ser possível.

A contrapartida, acredito que seja os verbos, ousar, arriscar e não deixar passar oportunidades, mesmo que não sejam as melhores, bata de frente, faça com que as ondulações de suas atitudes tentem ao menos atingir os objetivos, e possa dizer a si mesmo, que fez acontecer.

Tal situação cria o paradoxo entre levar a vida sob controle, mesmo que muitos digam que isto é um sonho e o descontrole é admirado e almejado por tantos.

Ter a sua vida sob controle será pecado mortal , como se tal atitude traduza algo manso sem cor.

Acredito que seja muito mais heroico assim ser, afinal as variáveis são infinitas, e te-las sob certo controle, é necessário capacidade que poucos as tem.

Ao agir assim os rótulos são pregados, ‘frio’, ‘calculista’.

Não é o medo do que a vida nos possa reservar que nos fazem ser assim, é a certeza que podemos conseguir tudo que acreditamos, sem a necessidade desnecessária de riscos ,principalmente pelo efeito que provocam, pensamos que a suavidade pode nos levar mais longe.

Afirmo sofrer não é destino, felicidade são momentos, e não nascemos  para provar nada, então ?


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sábado, 10 de dezembro de 2011

Lúcius em Barcará I




O mercador já estava há quase duas horas nas areias do deserto, a caminhada inicio-se em Barcará e terminaria em algum lugar mais ao sul , a parte mais oriental do continente.
Resolvera caminhar, a melhor forma de refletir sobre o que se passara naquela cidade, sentia falta dos murmúrios de suas esposas, que hoje não mais estavam na caravana, só alguns escravos o acompanhavam e não falavam a língua.


A ida havia sido precedida de uma festa na sua mansão, suas quatro esposas, prepararam todos quitutes que as suas origens traziam na culinária, devidamente acompanhado por vinho forte.
Sou Lúcius, nome dado em homenagem aos romanos que ocuparam essas terras, mais uma taça,  o cheiro forte do vinho acompanhado  por uvas doces , e deitado admirava a vida que levava, lembrando que minhas escolhas haviam sido perfeitas.


Alika a primeira esposa, em seu traje amarelo brilhante, dava ordens aos empregados na limpeza, e preparava a mesa, ato que só por ela poderia ser realizado, indelegável em sua opinião, mãe aos 19 anos, ´sua filha casara-se com o comerciante que morava próximo de nossa casa, escolha feita por ela, e administrava também a casa de sua filha.
Teoma segunda esposa, pouco ajudava, não era dada a dotes domésticos, pois, havia sido capturada de tribo em que as mulheres proviam o sustento, mas, observava tudo com astucia, cuidava dos animais que tínhamos, as vacas, potros e cavalos árabes, montadora experiente treinava os animais.
Anastasiy, na cozinha aos gritos, comandava com presteza de boa dona de casa, para que os pratos saiam perfeitos, já mãe pela segunda vez, de meninas que sabiam se comportar, e desde cedo aprendiam os afazeres de casa.
Léra, estava na varanda, era a mais nova, por algum motivo estava sempre ao ar livre, a noite olhar perdido nas estrelas e de dia no horizonte, seu sorriso era natural, perspicaz e incontida, de beleza estonteante que se revelava à quem ela escolhia, assim era Léra.

Apenas nas refeições havia a socialização entre elas, comentários sobre roupas ou a comida, comedido na medida certa, os espaços estavam delineados, cabia somente a mim, entrar e sair dos círculos, o que muitas vezes eram acompanhado de murmúrios de desagrado.
A viagem, havia muito sido prometida, afinal Bacará era a cidade mais próspera da região, onde vendíamos a produção de trigo, o mercado era colorido, sedas da china, condimentos de todo oriente, e apresentações de malabaristas. Meu irmão mais velho Zebreu havia herdado de nosso pai os depósitos de cereais, e sempre havia insistido para que fizesse tal viagem acompanhado de minhas esposas.
A safra havia sido farta, o que me possibilitaria adquirir novos escravos, e a conceder alguns luxos, entre os quais a própria viagem , havia desde ontem preparado 6 montarias e os camelos que fariam a travessia, Artorius, exímio lutador era o feitor, vindo de terras distantes , havia afeiçoado pela nossa família, e já estava a mais  de dez anos cuidando de nossos interesses.