terça-feira, 31 de julho de 2012

Coração


Fui descobrir que o tal 'coração' é um órgão interno
Havia muitas fantasias e especulações sobre sua funcionalidade
Quando ouvimos que somos movidos à coração, no primeiro momento entendi que a frase vinha do sentimento por outrem e pela honestidade do agir, mas não! Era apenas uma frase fisiológica, somos movidos sim pelo coração com seus batimentos cardíacos.
Então estou aqui, sem minhas fantasias, nem a fada do dente sobreviveu, virou dentista, e por mais que me esforce , é em vão;
As estrelas são objetos no firmamento
A lua antes tão glamourosa perdeu a luz.
Tenho que conviver com a realidade, confesso que tenho certa dificuldade, ‘viajar pelas fantasias’ sempre foi a forma menos maluca de pensar no amanhã, era o que fazia a ‘diferença’ do hoje.
 Então pedra é pedra, afirmação realística, longe das fantasias que poderiam modificar todo o contexto, e com saudosismo lembro que a pedra poderia ser o que a minha imaginação concebesse.


Estação vazia


Estação vazia
Mala cheia de lembranças
Apito do trem
Embarco segredos e saudades
E entre solavancos que amortecem
Deixo-me levar
A aonde irei!
Não sei
Nem tão longe, nem tão perto...

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Silencio

Meu tempo não o tenho
Meu entardecer acabou
Minha moeda desapareceu
Minha paz está à mercê
Só palavras 'mal ditas' e nada mais
Silencio
A convencer...

Fernando Pessoa

Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)...
Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta
traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha,
nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos
que torcem para reflexões falsas
uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor,
eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os homens,
incompletamente de cada (?),
por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."
Fernando Pessoa

domingo, 29 de julho de 2012

Somos coração


Recordei-me das histórias infantis que contava para minha filha, e a que mais gostava era a do ‘Coelhinho cor de rosa’, que nem sempre tinha essa cor e as peripécias vividas por ele nunca eram iguais, enfim não havia script, a historia desenrolava de acordo com a imaginação e o humor do momento, terminando em sono profundo.

Qual a moral?
Não há script nesta vida a ser vivida, e o sono representa o descanso merecido de quem ousou viver sem culpas ou ressentimentos.
Acreditem somos coração, jamais agiremos com a intenção de fazer sofrer, muito pelo contrario, que a nossa liberdade em voar através da imaginação seja apenas a vida a ser vivida.

Logo eu!


Encontrei há poucos dias, alguém sentado à beira mar, com o olhar meio perdido, não pude resistir em perguntar se estava bem.

A pessoa olhou-me sem vontade, sua voz era pastosa.
‘Se estou bem? Já não posso lhe afirmar nada, estou aqui a admirar a grandeza do mar, pois, hoje sou menos que grão de areia. ’

Observei sua respiração pesada, dolorida;
‘Eu vivia minha vida, certa ou errada, não importa! Pelo menos era a vida que eu tinha, e , fiz o que me arrependo, deixei alguém entrar nela, e permiti que me mostrasse que poderia ser melhor’.

Sempre pode, afirmei.
‘Não tinha consciência de tal fato, não sentia falta, hoje não tenho tal pessoa, não consigo substituí-la por não ser tão simples. E de certa forma vivia feliz mesmo na infelicidade, sabia o que queria e hoje estou aqui, sentado olhando o vai e vem das ondas, tentando achar a antiga vida’.

O que posso falar é que não há retorno, só seguir em frente.
‘Até seguiria, mas o que vejo é uma serie de caminhos confusos, não há animo em tentar seguir, fico aqui parado na bifurcação das possibilidades, é o mais seguro’.

E sabendo que minhas palavras em nada ajudariam, levantei e já tinha dado alguns passos, me virei, vi em seu olho estampado ajude-me!
Nada pude fazer, dei-lhe meu silencio bondoso, assim achando que seria a melhor forma de ajuda-lo.
E segui meu caminho, confrontando a ironia da vida, logo eu!

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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Tanto faz

Leia, devore as palavras, elas nos endoidecem, fazem a gente voar
Imaginas em que situação estou a escrever
Em que as palavras nao tem sentido

Tanto faz ...

Já não faz diferença se a arvore que deveria estar lá não está
Quem sabe nunca esteve

A montanha , até tenho minhas dúvidas
Miragem no estar
Mas insisto dentro da razão e lógica
Que abandonei a muito tempo

Ainda está, entre folhas secas

Ainda está...



Por mais terra que eu seja, as estrelas ainda me fazem sonhar



Quando não passamos de algo que se foi
Quando não merecemos nada
Quando somos apenas alguém...
 
É a sensação estranha em nada ser
O passado recente perde sentido

O silencio traduz a nossa inexistência
Triste fardo a carregar!
Felicidade sincera embrulhada em falsas percepções
Somos produto de nossos sonhos e desejos.
Fechar nossos olhos, não nos muda, permanecemos os mesmos.
E mesmo assim...
Ainda que assim...
Por mais terra que eu seja, as estrelas ainda me fazem sonhar.