quinta-feira, 23 de março de 2017

Mãos cansadas

Mãos cansadas na tentativa de expressar a razão do meu ser
Esforço confuso e desnecessário
A incompreensão do meu sentir me faz ser isso, sem sentido, sem início e longe do fim
Que frase poderá um dia nascer que me faça manso!
Já aceitei todas minhas desvirtudes, esqueci o pouco de melhor que existia, e não há sossego
O que me incomoda é partir sem sentido, já se passaram mais de sessenta anos em que de alguma forma criava sentido no viver, luta apocalíptica e nada mais
Faltava a razão do próximo minuto e não um exercício em dar sentido a cada espaço-tempo
Sempre à espreita do porvir como se o hoje não bastasse, o passado insignificante e o futuro apenas intermináveis minutos
Fico preso em mim mesmo na agonia de que a criação revele o amanhã
Nada acontece neste pequeno mundo que não seja o esperado, tenho que resignar-me à falta do impossível.
Tudo o mais acontece na marcha finda, irrefutável
E ainda assim
Falta-me sentido
Falta-me sentir que o esperado é a dádiva da vida, mas não me convenço
Queria mais ou ir além

Restam-me mãos cansadas e sem sentido

F.Shook