quinta-feira, 23 de março de 2017

Mãos cansadas

Mãos cansadas na tentativa de expressar a razão do meu ser
Esforço confuso e desnecessário
A incompreensão do meu sentir me faz ser isso, sem sentido, sem início e longe do fim
Que frase poderá um dia nascer que me faça manso!
Já aceitei todas minhas desvirtudes, esqueci o pouco de melhor que existia, e não há sossego
O que me incomoda é partir sem sentido, já se passaram mais de sessenta anos em que de alguma forma criava sentido no viver, luta apocalíptica e nada mais
Faltava a razão do próximo minuto e não um exercício em dar sentido a cada espaço-tempo
Sempre à espreita do porvir como se o hoje não bastasse, o passado insignificante e o futuro apenas intermináveis minutos
Fico preso em mim mesmo na agonia de que a criação revele o amanhã
Nada acontece neste pequeno mundo que não seja o esperado, tenho que resignar-me à falta do impossível.
Tudo o mais acontece na marcha finda, irrefutável
E ainda assim
Falta-me sentido
Falta-me sentir que o esperado é a dádiva da vida, mas não me convenço
Queria mais ou ir além

Restam-me mãos cansadas e sem sentido

F.Shook

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Não Creio!

De repente olho nos olhos
Não creio!
Ainda...

Passível de sorrisos condescendentes
Olhares descrentes
Palavras doces sem o escarnio da verdade
Abraços afetuosos de quem nada lhe tem
E os que tem, abraços furiosos por não seguir vontades alheias
Elogios com toque de ceda, de valor duvidoso
És perfeito na medida certa a outrem
Fardo ao ser humano, erros que lhe rendem o padecer na eternidade
Cobranças que doem na alma, por sempre oferecer a face ao tapa das verdades escolhidas
Meu esbravejar me faz inocente
Gritos sem eco

Não creio! 
Por ainda não refletir a verdade
Sou reflexo de expectativas, nada mais.
E neste momento atemporal,  
Vejo-me ressignificando conceitos sem deixar a certeza de que ainda estou aqui, com escolhas, decisões e por acreditar no meu melhor.

Não creio!
Ainda...
Em arrependimentos!

F.Shook

domingo, 29 de janeiro de 2017

Tão próximo à terra e tão longe do céu

Há momentos e há momentos
Poderia sentir de forma diferente?

Nunca imaginei em meus devaneios que o desapego fosse tão profundo, em que o tempo deixa de ‘ser’ e a realidade de forma abrupta retirou as incertezas e o destino é final.

Acreditava piamente que o sentido estava no caminho a percorrer, a visão periférica criava lapsos temporais em que a imaginação tornava-se real.

A realidade envolvendo-me deveria ser perfeita, mas é cruel pois limita ás possibilidades existenciais, o olhar restringe-se à visão, o paladar sacia a fome, o tato é presente.

Sinto de alguma forma aboli minhas existências, sinto-me terra, chão, passado, presente e futuro.

Desaprendi imaginar o impossível, o inesperado e o improvável


Fixei em alguma fórmula com solução à igualdade e com isso sinto-me real tão próximo à terra e tão longe do céu.

F.Shook

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Liquidação: LISTA DE ANO NOVO

É meu costume ao final de ano renovar listas de promessas que ainda não cumpri ou vontades esquecidas:

“Lista longa
Lamentos sobre o tempo que passou;
Vontades entardecidas, esquecendo quão é maravilhoso o amanhecer;
Viagens nesta ou naquela estrada, como se a estrada fosse a diferença;
Realizações pessoais que na realidade tem mais haver com os ‘outros’;
Peripécias ‘doidas’ que em nada melhoram o ser;
Teimosias a fim de justificar a falta de coragem do mudar;
E não vou ser hipócrita, sempre há nas entrelinhas o poder pelo poder, que lhe traz o isolamento, não se consegue dividir o indivisível;

Enfim, quase estou criando outra lista de lamentações, então melhor parar e precisei de 60 anos para perceber o óbvio! Que tal lista sempre deveria ter apenas um item.

“Realize o que deseja, mesmo que isso pareça egoísta”

De tão óbvio que é difícil explicar de forma mais complexa e novamente tenho que apelar à simplicidade,

Se agirmos em realizar nossos sonhos, desejos e vontades, ai sim, poderemos complementar outrem.

Fora isso, anos passarão e a lista continuará interminável.

Feliz Ano Novo!

F.Shook

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Tempo que passa

 Quando a vida já está no limite, em que as coisas são estranhas, em que não há um canto definido e o que desejas é que este tempo passado seja
Quando o presente liquida com a história, fazendo com que pouca vontade seja suficiente para  que o dia não se torne tão difícil ou impossível , e sim, apenas mais um dia
Quando se ocupas o máximo que podes, a fim de que não lembres do passado e muito menos visualize o futuro, apenas corre a favor das horas, nada mais
Quando estás na eternidade das impossibilidades, que não há desejos ou sonhos, amanhãs ou porvir, apenas queres que a mansidão da rotina lhe de tempo de passar o tempo.
Então, o que posso fazer é apenas repetir a constante de todo dia, esgueirar no conhecido e  aguardar.
Esse tempo desperdiçado que jamais será reposto, é a paga pelo renascer , há tempo de espera, há tempo da consciência e há tempo de viver.
Hoje vivo a espera, que em última esperança seja finita
E sendo finita posso viver o marasmo do recriar
E que Deus , o universo ou quem sabe...
Me conceda tempo de não ter que me lamentar pelo tempo desperdiçado na ignorância de ser.

F.Shook

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Deixei de ser super-herói





Ainda de madrugada e recém acordado com a frase buzinando à mente, “deixei de ser super-herói”

Sintomas de humanidade que venho sofrendo ultimamente, afastando-me de sonhos e impondo a realidade.

Meu corpo sente dores

A vivacidade do olhar perdeu-se

A velocidade do fazer cedeu

A crença de combater o mal transformou em descrença

Minhas infinitas possibilidades, tornaram-se finitas

Deixei a história que acreditava viver pela realidade que ‘creditam’ no meu viver

Não há lançamentos só a finda espera

Não nego que esperava algum dia acordar como os demais

Estranha sensação, “ser humano”.


F.Shook

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Vulcão adormecido



Sabe esse nó na garganta de tristeza


Pela minha incompreensão em não entender a tal reciprocidade


Tristeza submissa às minhas infinitas obrigações


Explode em pequenas erupções de lágrimas contatadas a dedo


Vulcão adormecido


E em silêncio segue a cumprir o destino escolhido 

F.Shook

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Chegou 6.0



Chegou  6.0

Vivo em etapas justificando a razão de 'ser' do zero ao sessenta....

Perguntei-me:
Ao justificar o viver em 'Ser' presente, torna-me existente ?
Poderei afirmar que se sou 'ser' logo existo? 

Discordo!
O existir exige muito mais do que apenas 'ser'
A existência pressupõe o sonhar  ...
Mesmo que saibamos que o hoje pode não ter amanhã !

O 'ser' é findo em si só.  
E ao optarmos em existir justificamos caminhos trilhados e a paz em SER.

F.Shook