quarta-feira, 12 de julho de 2017

Entre vidas

Entre as vidas que vivi, há lapsos
De tal forma que sinto o limbo entre o que fui e o que serei
Conforme envelheço há dúvidas e constatações
Hoje brinco com meus medos apesar do temor inconsciente do porvir
Enfrentarei no momento certo se caminhos trilhados eram devaneios de um ser duvidoso.
Será que agarrei qualquer possibilidade que tranquilize o inconsciente e transforme a realidade na doce certeza do suspiro aliviado e medos diluídos?
Transfiguração do ser terreno ao etéreo!

Não faz diferença, pois, nos cabe com certeza “sete palmos de terra” e a tranquilidade de assim ter sido e o porvir não nos pertence.

Fernando Shook

sábado, 29 de abril de 2017

A inutilidade do saber

Tempo que leva tempo à aprender
E nesse tempo o caminho se forma

Sem vontades, acontece!

F.Shook

quinta-feira, 23 de março de 2017

Mãos cansadas

Mãos cansadas na tentativa de expressar a razão do meu ser
Esforço confuso e desnecessário
A incompreensão do meu sentir me faz ser isso, sem sentido, sem início e longe do fim
Que frase poderá um dia nascer que me faça manso!
Já aceitei todas minhas desvirtudes, esqueci o pouco de melhor que existia, e não há sossego
O que me incomoda é partir sem sentido, já se passaram mais de sessenta anos em que de alguma forma criava sentido no viver, luta apocalíptica e nada mais
Faltava a razão do próximo minuto e não um exercício em dar sentido a cada espaço-tempo
Sempre à espreita do porvir como se o hoje não bastasse, o passado insignificante e o futuro apenas intermináveis minutos
Fico preso em mim mesmo na agonia de que a criação revele o amanhã
Nada acontece neste pequeno mundo que não seja o esperado, tenho que resignar-me à falta do impossível.
Tudo o mais acontece na marcha finda, irrefutável
E ainda assim
Falta-me sentido
Falta-me sentir que o esperado é a dádiva da vida, mas não me convenço
Queria mais ou ir além

Restam-me mãos cansadas e sem sentido

F.Shook

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Não Creio!

De repente olho nos olhos
Não creio!
Ainda...

Passível de sorrisos condescendentes
Olhares descrentes
Palavras doces sem o escarnio da verdade
Abraços afetuosos de quem nada lhe tem
E os que tem, abraços furiosos por não seguir vontades alheias
Elogios com toque de ceda, de valor duvidoso
És perfeito na medida certa a outrem
Fardo ao ser humano, erros que lhe rendem o padecer na eternidade
Cobranças que doem na alma, por sempre oferecer a face ao tapa das verdades escolhidas
Meu esbravejar me faz inocente
Gritos sem eco

Não creio! 
Por ainda não refletir a verdade
Sou reflexo de expectativas, nada mais.
E neste momento atemporal,  
Vejo-me ressignificando conceitos sem deixar a certeza de que ainda estou aqui, com escolhas, decisões e por acreditar no meu melhor.

Não creio!
Ainda...
Em arrependimentos!

F.Shook

domingo, 29 de janeiro de 2017

Tão próximo à terra e tão longe do céu

Há momentos e há momentos
Poderia sentir de forma diferente?

Nunca imaginei em meus devaneios que o desapego fosse tão profundo, em que o tempo deixa de ‘ser’ e a realidade de forma abrupta retirou as incertezas e o destino é final.

Acreditava piamente que o sentido estava no caminho a percorrer, a visão periférica criava lapsos temporais em que a imaginação tornava-se real.

A realidade envolvendo-me deveria ser perfeita, mas é cruel pois limita ás possibilidades existenciais, o olhar restringe-se à visão, o paladar sacia a fome, o tato é presente.

Sinto de alguma forma aboli minhas existências, sinto-me terra, chão, passado, presente e futuro.

Desaprendi imaginar o impossível, o inesperado e o improvável


Fixei em alguma fórmula com solução à igualdade e com isso sinto-me real tão próximo à terra e tão longe do céu.

F.Shook

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Liquidação: LISTA DE ANO NOVO

É meu costume ao final de ano renovar listas de promessas que ainda não cumpri ou vontades esquecidas:

“Lista longa
Lamentos sobre o tempo que passou;
Vontades entardecidas, esquecendo quão é maravilhoso o amanhecer;
Viagens nesta ou naquela estrada, como se a estrada fosse a diferença;
Realizações pessoais que na realidade tem mais haver com os ‘outros’;
Peripécias ‘doidas’ que em nada melhoram o ser;
Teimosias a fim de justificar a falta de coragem do mudar;
E não vou ser hipócrita, sempre há nas entrelinhas o poder pelo poder, que lhe traz o isolamento, não se consegue dividir o indivisível;

Enfim, quase estou criando outra lista de lamentações, então melhor parar e precisei de 60 anos para perceber o óbvio! Que tal lista sempre deveria ter apenas um item.

“Realize o que deseja, mesmo que isso pareça egoísta”

De tão óbvio que é difícil explicar de forma mais complexa e novamente tenho que apelar à simplicidade,

Se agirmos em realizar nossos sonhos, desejos e vontades, ai sim, poderemos complementar outrem.

Fora isso, anos passarão e a lista continuará interminável.

Feliz Ano Novo!

F.Shook

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Tempo que passa

 Quando a vida já está no limite, em que as coisas são estranhas, em que não há um canto definido e o que desejas é que este tempo passado seja
Quando o presente liquida com a história, fazendo com que pouca vontade seja suficiente para  que o dia não se torne tão difícil ou impossível , e sim, apenas mais um dia
Quando se ocupas o máximo que podes, a fim de que não lembres do passado e muito menos visualize o futuro, apenas corre a favor das horas, nada mais
Quando estás na eternidade das impossibilidades, que não há desejos ou sonhos, amanhãs ou porvir, apenas queres que a mansidão da rotina lhe de tempo de passar o tempo.
Então, o que posso fazer é apenas repetir a constante de todo dia, esgueirar no conhecido e  aguardar.
Esse tempo desperdiçado que jamais será reposto, é a paga pelo renascer , há tempo de espera, há tempo da consciência e há tempo de viver.
Hoje vivo a espera, que em última esperança seja finita
E sendo finita posso viver o marasmo do recriar
E que Deus , o universo ou quem sabe...
Me conceda tempo de não ter que me lamentar pelo tempo desperdiçado na ignorância de ser.

F.Shook

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Deixei de ser super-herói





Ainda de madrugada e recém acordado com a frase buzinando à mente, “deixei de ser super-herói”

Sintomas de humanidade que venho sofrendo ultimamente, afastando-me de sonhos e impondo a realidade.

Meu corpo sente dores

A vivacidade do olhar perdeu-se

A velocidade do fazer cedeu

A crença de combater o mal transformou em descrença

Minhas infinitas possibilidades, tornaram-se finitas

Deixei a história que acreditava viver pela realidade que ‘creditam’ no meu viver

Não há lançamentos só a finda espera

Não nego que esperava algum dia acordar como os demais

Estranha sensação, “ser humano”.


F.Shook

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Vulcão adormecido



Sabe esse nó na garganta de tristeza


Pela minha incompreensão em não entender a tal reciprocidade


Tristeza submissa às minhas infinitas obrigações


Explode em pequenas erupções de lágrimas contatadas a dedo


Vulcão adormecido


E em silêncio segue a cumprir o destino escolhido 

F.Shook

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Chegou 6.0



Chegou  6.0

Vivo em etapas justificando a razão de 'ser' do zero ao sessenta....

Perguntei-me:
Ao justificar o viver em 'Ser' presente, torna-me existente ?
Poderei afirmar que se sou 'ser' logo existo? 

Discordo!
O existir exige muito mais do que apenas 'ser'
A existência pressupõe o sonhar  ...
Mesmo que saibamos que o hoje pode não ter amanhã !

O 'ser' é findo em si só.  
E ao optarmos em existir justificamos caminhos trilhados e a paz em SER.

F.Shook